12.02.16

Afonso Dhlakama reapareceu magro na base militar da Renamo (Resistência Nacional Moçambicana) de Sadjundjira, na Gorongosa, província Sofala, onde ele afirmou ter chegado em janeiro, depois de caminhar dois meses e meio desde a cidade da Beira, após o cerco à sua residência, a 09 de outubro, numa operação policial de alegada entrega de armas em posse do maior partido de oposição
"O objetivo é sem dúvida continuar a lutar pela democracia", justificou Afonso Dhlakama ao grupo de jornalistas, entre os quais a Lusa, sobre o seu regresso a Sadjundjira, enquanto exibia a esteira, onde afirma dormir todas as noites.
Num tom de reconciliação, Afonso Dhlakama afirmou que o seu regresso às matas da Gorongosa "não é vingança", mas complemento da luta iniciada em 1977, para "ensinar a África e ao mundo a democracia", recusando a ideia de reiniciar uma guerra.
"Não vim para pegar a luta e armas", declarou o líder do principal partido da oposição, acrescentando que não pretende "mostrar capacidade belicista, mas demonstrar a capacidade de um líder, pacifico e ainda com vontade de negociar".
Comparando-se apenas a Nelson Mandela, antigo Presidente da África do Sul, Afonso Dhlakama disse que está comprometido com o futuro de Moçambique, considerando as estratégias de sua luta como normais e que pode cumprir os seus objetivos a partir da sua base militar, onde garante sentir-se mais seguro.
"Como o [Presidente Filipe] Nyusi dizia, queremos buscar o presidente [Afonso] Dhlakama para vir para uma vida normal. Eu estou na vida normal. A vida normal para o Nyusi é estar no palácio em Maputo, com meia dúzia de pessoas, sem apoio, e eu estou aqui com milhões e milhões", declarou Afonso Dhlakama, para quem o regresso à Gorongosa é motivo de satisfação para as famílias rurais.
O líder da Renamo reafirmou o seu plano de governar a partir de março nas seis províncias do centro e norte de Moçambique, onde o partido de oposição reclama vitória nas últimas eleições gerais, e só depois negociar com o Governo.
O aquartelamento militar que acolhe Afonso Dhlakama fica a um escasso quilómetro da sua antiga base, agora controlada por uma posição das Forças Armadas, que em outubro de 2013 tomaram de assalto a unidade e desalojaram o líder da Renamo.
O presidente da Renamo não era visto em público desde 09 de outubro, quando a polícia cercou a sua residência na Beira, alegadamente numa operação de recolha de armas, no terceiro incidente grave em menos de um mês envolvendo a comitiva do líder da oposição.
No dia 20 de janeiro, o secretário-geral da Renamo, Manuel Bissopo, foi baleado por desconhecidos no bairro da Ponta Gea, centro da Beira, província de Sofala, centro de Moçambique e o seu guarda-costas morreu no local, num caso que continua por esclarecer.
Apesar da disponibilidade para negociar manifestada pelo Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, o líder da Renamo diz que só dialogará depois de tomar o poder em seis províncias do norte e centro do país (Tete, Niassa, Zambézia, Nampula, Sofala, Manica), onde o seu movimento reivindica vitória nas eleições gerais de 2014.
AYAC // PJA
Lusa – 12.02.2016
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