"Deus criou as pessoas para amarmos e as coisas para usarmos, porque então amamos as coisas e usamos as pessoas?"



quinta-feira, 19 de julho de 2018

Ministério Público muda de opinião, retira queixa e pede absolvição do editor do “Canal de Moçambique

Maputo (Canalmoz) – Foi retomado na quarta-feira, 18 de Julho, na 2a Secção do Tribunal Judicial de Kampfumo, o julgamento do editor do “Canal de Moçambique”, Matias Guente. Recorde-se que este é acusado por Joana Matsombe (ex-administradora do Banco de Moçambique) do cometimento dos crimes de calúnia e difamação, em virtude de o jornal ter publicado dois editoriais e uma caricatura a criticar a negligência do Banco de Moçambique com efeitos na falência do “Nosso Banco”. Joana Matsombe exige uma indemnização de dois milhões de meticais e pena de prisão para o editor do “Canal de Moçambique”. No primeiro dia do julgamento, 29 de Junho, o Ministério Público leu
É  a lei 7/97, que diz respeito à tutela dos órgãos. O presidente da Comissão da Administração Pública e Poder Local, Lucas Chomera, expli
a acusação que havia promovido a partir de acusação particular, e seguiu-se a um momento de esclarecimentos sobre a caricatura e as duas notas editoriais, tendo sido chamados os jornalistas Jeremias Langa (da “Soico”) e Fernando Lima (do jornal “Savana”) como testemunhas para falarem da sua experiência com “cartoons” e editoriais. Na quarta-feira, 18 de Julho, dia reservado para as alegações finais, aconteceu algo de inesperado. O representante do Ministério Público, Carlos Banze, fez uma reviravolta, retirando a acusação e pedindo a absolvição de Matias Guente dos crimes de calúnia e difamação. Segundo o Ministério Público, pedir a condenação do réu poderia equivaler a um enorme recuo na história
cou ao  que esta lei será debatida na sessão que tem início em Outubro, para definir a tutela dos novos órgãos. (André Mulungo)
das conquistas da Humanidade em matéria de liberdades e direitos fundamentais que assistem ao cidadão, na medida em que o jornal apenas cumpriu o seu papel dentro da liberdade que lhe é garantida pela lei. O Ministério Público reproduziu as explicações dadas pelo réu, pelas testemunhas e pelo advogado de defesa, segundo as quais as figuras públicas estão expostas ao escrutínio e crítica públicas em função da posição que ocupam na sociedade, sendo normal que parte dessas críticas lhes sejam desagradáveis, sem que isso seja considerado crime. O julgamento será retomado no dia 29 de Agosto, para a leitura da sentença, sendo de admitir que não venha a estar muito longe da decisão do Ministério Público. (Redacção)

Revisão da legislação eleitoral: Comissão parlamentar considera propostas do Conselho de Ministros inconstitucionais

quinta-feira, 19 de julho de 2018


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_________________________________________________________________________________________________________________________________ Número 36 - 17 de Julho de 2018 Publicado por CIP, Centro de Integridade Pública, Rua Fernão Melo e Castro, nº 124, Maputo, Moçambique. eleicoes@cipmoz.org www.cipmoz.org/eleicoes2018 Para subscrever a edição em português http://eepurl.com/cYjhdb e a versão em inglês http://eepurl.com/cY9pAL Para cancelar em português http://ow.ly/ErPa30ekCru e em inglês http://ow.ly/Sgzm30ekCkb O material pode ser reproduzido livremente, mencionando a fonte. _______________________________________________________________________________  Assembleia da República (AR) debate esta quarta-feira e quinta-feira (18 e 19 de Julho) as propostas de revisão de legislação eleitoral provenientes do Conselho de Ministros. Através de um parecer muito crítico, a Comissão dos Assuntos Constitucionais, Direitos Humanos e de Legalidade – a 1ª comissão da AR – rejeita algumas propostas que as considera inconstitucionais. O parecer de 161 páginas foi aprovado pelos representantes das três bancadas – Frelimo, Renamo e MDM. A principal crítica foi à proposta do Conselho de Ministros (CM) que sugeria que o candidato a presidente do Conselho Autárquico (presidente do município) poderia não residir na mesma autarquia pela qual concorre. A 1ª comissão da AR considera que a proposta do conselho do ministros “desvirtua o espírito e modelo de descentralização” e viola o "espirito de um poder local". A comissão defende que candidatos a membro da Assembleia Municipal bem como os cabeça-de-lista devem residir na autarquia pela qual concorrem. A 1ª comissão rejeitou ainda a proposta de que os integrantes das listas partidárias devem ser membros dos partidos pelos quais concorrem. Assim, qualquer cidadão, independentemente de ser membro ou não de um partido político, pode concorrer a membro da assembleia municipal integrando uma lista de um partido político. A 1ª comissão clarificou ainda em que circunstâncias é eleito o presidente do conselho autárquico. A Constituição da República na versão revista em 2018 já era clara que é eleito presidente do conselho autárquico o cabeça da lista que obtiver a maioria dos votos. Mas o Conselho de Ministros (CM) propôs um artigo na lei a dizer os partidos não podem formar coligação pós-eleitoral para eleger o presidente do conselho autárquico. A Prevalece discórdia em questões de descentralização Uma questão chave no debate da descentralização é sobre quanto dinheiro e poder são transferidos para os municípios e províncias, e quanto é mantido a nível central - “tutela administrativa” na linguagem jurídica. Este assunto é definido na proposta de revisão da lei 7/97. Na 4ª comissão da AR - Comissão da Administração Pública e Poder Local - não há consenso em torno das propostas do Conselho de Ministros, pelo que esta lei está em risco de não ser revista na presente sessão extraordinária. A questão está na iminência de ser adiada até à próxima sessão ordinária prevista para Outubro. Mas a ausência de acordo sugere que negociações substanciais serão necessárias antes de outubro, com a Renamo a pressionar por menos poder do governo central a nível local e a Frelimo a propor mais poder do governo central a nível local. Eleições Autárquicas 2018 - Boletim Sobre o Processo Político em Moçambique 36 - 17 de julho de 2018 2 A 1ª comissão removeu este artigo justificando que já estava óbvio que o presidente é eleito pela lista com a maioria dos votos pelo que a possibilidade de coligação pós-eleitoral não é chamada à discussão. Finalmente, algo inesperado, a 1ª comissão rejeitou uma proposta do conselho de ministros que permitia a monitoria popular da votação e contagem de resultados. No Gana e em outros países, eleitores são permitidos assistir a apuramento nas assembleias de voto. O CM fez a mesma proposta para Moçambique – com a exigência de que os eleitores deviam ficar a 300 metros dos postos de votação – uma distância bastante longa para ouvir ou ver algo. Mas a primeira comissão rejeitou esta proposta localmente conhecida como “votar e vigiar o voto” e que já levou à violência popular em Quelimane, envolvendo membros do MDM e a Força de Intervenção Rápida. A Polícia usou força brutal para dispersar os eleitores que queriam vigiar a contagem de voto. Os observadores, delegados de partidos políticos, jornalistas, podem permanecer dentro das assembleias de voto e acompanhar a contagem de votos. 4ª comissão também propõe alterações Duas alterações substanciais às propostas do Conselho de Ministros foram propostas pela 4ª comissão da Assembleia da República – a Comissão da Administração Pública e Poder Local: + Proibido uso de telemóvel e máquina fotográfica nas cabines de votação. A 4ª comissão da AR propõe a introdução de uma disposição que proíbe o uso de instrumentos de captação de imagem nas cabines de votação (telemóvel, máquina fotográfica). Esta proibição visa acautelar situações reportadas de funcionários públicos que são obrigados para que depois de votar, enviem fotografar do boletim de voto já marcado, a um superior hierárquico, como prova de voto à Frelimo e aos seus candidatos. + Segundo sufrágio em caso de empate. A 4ª comissão propõe ainda que em caso de empate de número de votos entre as listas, convoque-se um segundo sufrágio ao qual concorrem apenas as duas listas mais votadas no primeiro sufrágio. O segundo sufrágio é apenas para a eleição do presidente do conselho autárquico. Não afecta os mandatos da assembleia municipal já obtidos. Aprovado calendário das eleições gerais de 2019 Já está disponível o calendário das eleições gerais e das assembleias provinciais de 2019 aprovado pela Comissão Nacional de Eleições a 4 de Julho. Baixe aqui: http://bit.ly/CalendárioEleitoral2019
Publicado em: July 17, 2018, 4:14 p.m.

Comissão parlamentar considera propostas do Conselho de Ministros inconstitucionais

A Assembleia da República (AR) debate esta quarta-feira e quinta-feira (18 e 19 de Julho) as propostas de revisão de legislação eleitoral provenientes do Conselho de Ministros. Através de um parecer muito crítico, a Comissão dos Assuntos Constitucionais, Direitos Humanos e de Legalidade – a 1ª comissão da AR – rejeita algumas propostas que as considera inconstitucionais. O parecer de 161 páginas foi aprovado pelos representantes das três bancadas – Frelimo, Renamo e MDM.

Prevalece discórdia em questões de descentralização

Uma questão chave no debate da descentralização é sobre quanto dinheiro e poder são transferidos para os municípios e províncias, e quanto é mantido a nível central - “tutela administrativa” na linguagem jurídica. Este assunto é definido na proposta de revisão da lei 7/97.

Município propõe que ponte sobre a baía seja denominada “Maputo – Ka Tembe” ... promessa é inaugurar no último dia de Julho

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Escrito por Adérito Caldeira  em 19 Julho 2018
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Foto de Adérito CaldeiraO município dirigido por David Simango pretende que a megalómana ponte sobre a baía de Maputo seja denominada “Maputo – Ka Tembe”. Prevista inaugurar no passado Dia da Independência a ponte cujo custo inicial era de 315 milhões de dólares americanos, mas já ultrapassou os 750 milhões, está agora prometida para o último dia de Julho, porém o @Verdade verificou obras atrasadas nos viadutos Norte e Sul que devem demorar bem mais do 30 dias a estarem terminadas.
Durante a octogésima primeira reunião plenária da Assembleia Municipal de Maputo (AMM) , de aconteceu na manhã desta quarta-feira (18), o Concelho Municipal da Cidade de Maputo (CMCM) apresentou a sua proposta de topónimo a ser atribuído à ponte sobre a baía.
“Em face das auscultações públicas que foram realizadas, dentre o vários nomes propostos, prevaleceu o nome Maputo – Ka Tembe” revelou o Vereador para Área de Planeamento Urbano e Ambiente, Luís Nhaca, que precisou que as referidas consultas aconteceram somente nos distritos municipais Ka Mpfumo, Ka Tembe e Nlhamankulu.
Foto de Adérito CaldeiraDiscursando em representação do CMCM Luís Nhaca disse que “alguns dos vários nomes propostos foram ponte Eduardo Mondlane, ponte Ka Mpfumo , ponte Ka Tembe – Maputo e dentre esses nomes prevaleceu Maputo – Ka Tembe”.
De acordo com o Vereador o Concelho Municipal da Cidade de Maputo concluiu da consulta pública que afirma ter realizado que esta escolha dos munícipes residentes nas partes oriental e ocidental da baía de Maputo, “aproxima-se à vontade dos munícipes, e estabelece o consenso entre as duas comunidades sem prejuízo das comunidades, trajecto e legado histórico das mesma nos termos do estabelecido nos artigos 11 e 27 do Decreto Lei nº 1/2014 de 22 de Maio”, que estabelece os mecanismos que devem ser seguidos para a atribuição de nomes a praças, ruas, edifícios, parques, acidentes geográficos (ilhas), entre outros lugares.
A proposta será agora objecto de análise pelas comissões especializadas da AMM e poderá ser votada na próxima reunião plenária, que deverá acontecer em Agosto, do órgão municipal da capital do país que é dominado pelo partido Frelimo com 37 deputados, contra 27 do Movimento Democrático de Moçambique.
Após aprovação pela Assembleia Municipal o novo topónimo ainda terá de ser submetido ao crivo do Conselho de Ministros.
Foto de Adérito Caldeira
Ponte que foi inicialmente orçada em 315 milhões já custou mais 756 milhões de dólares
Inicialmente orçamentado por um empreiteiro português em 315 milhões de dólares americanos quando a construção da ponte sobre a baía de Maputo iniciou, em 2013, o orçamento divulgado pelo Executivo de Armando Guebuza, com financiamento e empreiteiro chinês, foi de 725 milhões de dólares norte-americanos, todavia o @Verdade descobriu que o Exim Bank da China tinha disponibilizado até finais do ano passado 756.567.361 dólares.
A ponte que será a mais longa do seu género em África já teve inauguração prometida para finais de 2017, pelo Presidente Filipe Nyusi, anunciada para 25 de Junho, pelo director da empresa Maputo Sul, prevista para fins de Junho, pelo edil da Cidade de Maputo, e é agora apontada a data de 31 de Julho próximo para a sua conclusão.
Foto de Adérito Caldeira
Estes atrasos, ao contrário do que foi propalado, o @Verdade revelou em Novembro de 2017 deveram-se ao incapacidade do Governo de Filipe Nyusi disponibilizar em 2016 a comparticipação de cerca de 30 milhões de dólares norte-americanos que ficou na responsabilidade do Estado, no custo da ponte. Pelo meio até os vendedores do mercado “Nwankakana” foram instrumentalizados para justificar o atraso nas obras.
Atrasos não são só no lado afectado pelos vendedores do mercado “Nwankakana” mas também no viaduto Sul
Esta semana o @Verdade verificou, visitando as obras sem “guia turístico”, que pelo menos oito das onze actividades estruturais da ponte ainda não estão concluídas.
Na ponte principal a construção de estruturas de betão armado e pré reforçado estão concluídas, assim como a montagem de 110 unidades de cabos e pendurais de suporte do tabuleiro. Também terminou a montagem de 57 unidades do tabuleiro suspenso em módulos metálico.
Foto de Adérito Caldeira
No viaduto Sul, que nada tem a ver com os vendedores do mercado “Nwankakana”, ainda não estão pré-fabricados todas as 108 vigas T com 45 metros de comprimento, o assentamento das vigas T de suporte do tabuleiro ainda não foram montados na extensão total de 1.234 metros. A construção do tabuleiro em betão armado está em cerca de 60 por cento dos 1234 metros, assim como a montagem do separador central e das guardas da ponte.
Já no viaduto Norte a pré-fabricação em viga T com 30 centímetros de espessura ainda não cobre os 60 metros da extensão total, o assentamento do tabuleiro sobre vigas T está a cerca de 80 por cento dos 224 metros de extensão, falta ainda construir cerca de 20 por cento dos 853 metros do tabuleiro em caixão, e estão por concluir os 1.097 metros do tabuleiro do viaduto Norte.
Essas constatações são corroboradas por documentos do Ministério das Obras Públicas Habitação e Recursos Hídricos (MOPHRH), datados de Julho, que o @Verdade teve acesso. Sendo certo que David Simango deseja dar nome a ponte que viu nascer e participar da inauguração pode ser que até ao próximo dia 10 de Outubro a ponte “Maputo – Ka Tembe” seja finalmente inaugurada.

Sua Excia Senhor Eng. Davis Mbepo Simango, Presidente do Partido Movimento Democratico de Mocambique (MDM)

quinta-feira, 19 de julho de 2018


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Sua Excia Senhor Eng. Davis Mbepo Simango,
Presidente do Partido Movimento Democratico de Mocambique (MDM)
Excelencia,
Depois de muita ponderação e a luz dos últimos acontecimentos na Assembleia Municipal de Quelimane, aliados aos pronunciamentos de quadros do partido a varios niveis sobre a situacao sombria que afecta ao partido, que no meu pobre entender violam na letra e no espirito os estatutos do partido solenemente aprovados em Congresso e para nao trair as minhas conviccoes e principios, bem como os anseios dos municipes da Cidade de Quelimane, razao fundamental da minha entrada na politica, venho por este meio, colocar o meu lugar de Candidato a Membro da Assembleia Municipal da Cidade de Quelimane pelo Movimento Democratico de Mocambique, e consequentemente a posicao de Cabeca de Lista pelo mesmo movimento.
Aproveito o ensejo para agradece-lo pelo apoio que me concedeu nesta caminhada. Estendo os meus agradecimentos a todos os membros do Movimento Democratico de Mocambique (MDM) na Cidade de Quelimane, na Provincia da Zambezia e no pais inteiro pela confianca e carinho com que sempre me trataram. Aos orgaos do partido ao nivel da cidade, distrito, provincia e ao nivel nacional. Aos membros do Conselho Nacional, do Secretariado, do Conselho de Jurisdicao e da Comissao Politica o meu agradecimento pela confianca depositada.
Desejo a si e sua familia longa vida na esperanca de que atinja os objectivos e ideais em que acredita e para os quais luta.
Atenciosamente,
Manuel de Araujo
CC: Presidente do Conselho Nacional
Secretario-Geral do Partido
Delegado Politico Provincial
Delegado Politico da Cidade de Quelimane
Presidente do Conselho da Cidade
Presidente do Conselho Provincial
Presidente do Conselho Jurisdicional
Chefe do Departamento de Poder Local

Renamo aprova revisão da Lei Eleitoral e insiste que não é moeda de troca para desarmamento


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A Assembleia da República cumpriu, ontem, o primeiro dos dois dias da Sessão extraordinária convocada para discutir e aprovar a legislação eleitoral para conformá-la com o novo texto constitucional, no âmbito das alterações introduzidas na sequência dos entendimentos entre o Governo e a Renamo, no capítulo da descentralização.
A sessão que estava marcada para tratar estritamente da descentralização teve intervalos para a discussão das questões militares, com a Frelimo sugerir que, com a revisão da legislação eleitoral realizada, a Renamo devia entregar as armas ao Estado.
A Renamo, por seu turno, disse que a revisão da legislação eleitoral não deve ser usada como moeda de troca para o desarmamento da Renamo. Saimone Macuiana, deputado da Renamo, disse, na ocasião, que o desarmamento é um assunto que está a ser tratado em sede própria e não tem a ver com a descentralização. “Os assuntos militares são tratados no seu próprio fórum.
Não podemos confundir os dois assuntos”, disse Saimone Macuiana. A bancada parlamentar da Frelimo, há dias, condicionou a realização da Sessão Extraordinária à desmilitarização da Renamo.
O dia de ontem foi marcado pela aprovação de duas leis, nomeadamente a Lei relativa à eleição dos titulares dos órgãos das autarquias locais e a Lei que estabelece o quadro jurídico para a implantação das autarquias locais. As duas leis foram aprovadas por consenso, na generalidade. Hoje serão aprovadas na especialidade. As Comissões especializadas da Assembleia República fizeram alterações à proposta do Conselho de Ministro. A Comissão dos Assuntos Constitucionais, Direitos Humanos e de Legalidade tomou posição contra a proposta do Governo, que estabelecia que o candidato a presidente do Conselho Autárquico podia ser alguém que resida fora da autarquia.
A Comissão dos Assuntos Constitucionais considera que a proposta do Governo viola o princípio do poder local e considera que o cabeça-de-lista e os demais membros da lista devem residir na autarquia pela qual concorrem. Segundo o parecer da mesma Comissão, os membros das listas não têm de ser necessariamente membros dos partidos políticos pelos quais concorrem. A Comissão da Administração Pública e Poder Local propôs a proibição do uso de máquinas fotográficas e de telefones celulares nas cabines de voto. É o que vai acontecer a partir das eleições deste ano.

A Frelimo obriga os funcionários públicos a fotografarem os boletins de voto para servirem de prova de que o funcionário público votou na Frelimo e no seu candidato. O Governo havia proposto que os eleitores podiam acompanhar a votação e a contagem de votos na sala, mas a Comissão dos Assuntos Constitucionais rejeitou a proposta e estabeleceu que o cidadão eleitor pode acompanhar de uma distância de 300 metros da Assembleia deVoto o processo de contagem e apuramento de resultados de votação.
Há uma terceira lei que devia ser revista na sessão que termina hoje.
É a lei 7/97, que diz respeito à tutela dos órgãos. O presidente da Comissão da Administração Pública e Poder Local, Lucas Chomera, explicou ao CANALMOZ que esta lei será debatida na sessão que tem início em Outubro, para definir a tutela dos novos órgãos. (André Mulungo)
CANALMOZ – 19.07.2018

Manuel de Araújo confirmado candidato da Renamo para o Município de Quelimane

19/07/2018



quarta-feira, 18 de julho de 2018

Fazer avançar Samora Jr. sem machucar Comiche

quarta-feira, 18 de julho de 2018


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Fazer avançar Samora Jr. sem machucar Comiche
Agora que a Renamo carimbou sua aposta no Eng. Venâncio Mondlane, a liderança da Frelimo deve se desfazer de suas picardias domésticas e aprovar a candidatura de Samora Machel Jr. para a cidade de Maputo. Eneias Comiche era uma proposta compreensível no meio daquele emaranhado de candidaturas internas sem expressão na sociedade. Mas entre Samora e Comiche, quem tem condições para combater contra Venâncio é o primeiro. Comiche é uma reserva moral na gestão da cidade e devia seguir como tal.
Tem boa reputação no seio de boas franjas da sociedade urbana de Maputo. Foi o melhor presidente de camara da cidade desde a independência mas, com quase 80 anos, é improvável que ele consiga mobilizar o grosso do eleitorado jovem. Sua cruzada contra a corrupção foi de tal modo audaz que, ao invés de criar bolhas de integridade, atraiu a raiva dos pequenos caciques da Frelimo nos bairros, cuja acumulação estava atrelada na especulação da terra urbana. Há dois episódios marcantes do seu combate. A reprovação do certificado de habitabilidade do Maputo Shopping Center, da família MBS (desafiando uma família poderosa que financia a Frelimo), e o chumbo da construção do templo da IURD na Avenida Julius Nyerere, em 2004.
Comiche estava destinado a um segundo mandato. Mas foi encostado por Armando Guebuza. Sua escolha recente pela Comissão Politica, ignorando a directiva sobre as eleições internas, foi uma intromissão no processo normal na Frelimo. Um sinal de desnorte. Comiche não tem o apoio da bases e aceitou dar cara a essa intromissão. Samora Machel tem o suporte de cinco distritos urbanos, da OJM, da OMM e dos Combatentes. Mas há um problema: ele não tem a chancela da liderança do partido. Porque?
Porque, em 2014, quando o anterior SG da Frelimo Filipe Paunde declarou que havia três nomes (Nyusi, Pacheco e Vaquina) para suceder Guebuza como candidato presidencial do partido, Graça Machel fez parte de um movimento da Frelimo “lite” que escreveu um abaixo-assinado exigindo a abertura das eleições a mais candidatos. Luísa Diogo e Ayres Ali entraram no despique. Luísa Diogo passou para uma segunda volta contra Nyusi. E Graça deixou claro seu apoio a Luísa.
Este episódio está determinando uma certa relutância no apoio a Samora por parte da liderança, que é projecto para as eleições presidenciais de 2025. Sua passagem pela municipalidade de Maputo seria um trampolim para esse desiderato.
Mas o processo tem sido intricado. Samora atraiu algumas feras internas. Recentemente, uma mensagem superior lançada para as bases alertava para estas terem o cuidado e evitarem eleger candidatos com processos judiciais anticorrupção. Dias depois lá estava ele a ser chamado para o GCCC para ser ouvido sem razão aparente. Ele é socio minoritário duma empresa em conflito com o INSS mas, por regra, quem responde pelos actos de gestão são os gestores e não os accionistas. Foi bizarro ver o GCCC entrar nesse expediente. Samora saiu de cabeça erguida.
Agora que ele está na shortlist com Comiche, começou o escrutínio necessário à sua personalidade. Há quem poderá tentar ligá-lo aos trabalhos menos bons da GemFields, a rubi mining de Montepuez, em Cabo Delgado, mas Samora é apenas um Administrador não executivo. Ao longo dos anos sua postura tem sido discreta, preservando uma imagem imaculada, distante de negociatas e longe da demagogia. A 2 de Maio de 2012 ele deu uma entrevista ao SAVANA onde mostra seu pensamento político e sua visão de Moçambique, levando o sociólogo
Carlos Serra a apelidá-lo de herdeiro político de Machel. Quem convive com ele diz que Samora tem a meiguice de Josina (sua mãe) e a impulsão do pai. Ele não é um fracote. É um conciliador. Sereno mas bate no martelo quando se defronta com uma injustiça. Nas últimas semanas, ele tem estado a perceber com as diversas vereações qual é o estado clínico da cidade. Se ele chegar à edilidade, Maputo ganharia um presidente de camara com experiencia de gestão no sector privado, essencial para melhorar sua performance.
Na próxima semana, a Frelimo vai decidir. Se a imposição de Comiche vingar, a Frelimo terá menores chances de manter a edilidade. O despique esperado para as eleições de Maputo é entre dois jovens: Samora Machel Jr versus Venâncio Mondlane. Há uma percepção popular segundo a qual sangue novo é necessário. Comiche teria menos hipóteses que Samora.
Mas então como descalçar a bota desta imposição? É simples: a liderança da Frelimo e a Comissão Política tem de baixar seu super-ego. Para Comiche não sair machucado neste processo, ele devia endossar Samora Machel Jr. e apresentar-se como seu tutor. Uma espécie de casamento entre os dois nomes. Comiche apelando a seus eleitores e Samora buscando o voto maioritário da juventude. A pior humilhação para a liderança da Frelimo seria insistir em Comiche e entregar a cidade de Maputo de mãos beijadas à Renamo.