| Autárquicas 2013: O galo cantou em Nampula |
O voto não tolera farsas. Não importa que seja um esquema novo ou velho, que seja uma delegada ou a força da polícia. A vontade dos eleitores não se pode enganar consecutivamente. E menos, se se trata de uma estratégia que navega à margem da legalidade. A abstenção, às vezes, condena os medíocres e enaltece os bravos. A Frelimo e o seu candidato perderam umas eleições marcadas por inúmeras tentativas de fraude. Cinquenta e quatro porcento dos votos para Mahamuno Amurane castigaram a governação que nos últimos cinco anos ignorou a periferia e transformou a cidade de cimento...Nampula é desde domingo, dia do combate contra o SIDA, uma cidade nas mãos da oposição. Oitenta porcento dos eleitores não foi votar e dos que optaram por exercer o seu dever de cidadania 60.62 porcento escolheu o candidato do Movimento Democrático de Moçambique. Contudo, os dados da CNE e STAE publicados madrugada adentro indicavam, com 69 mesas contabilizadas, 54,52 porcento para o candidato do MDM e 40,56 para Adolfo Siueia. A contagem paralela do @Verdade consultou 137 mesas e encontrou uma vitória bem mais expressiva para o candidato do MDM: 60.62 porcento. Filomena Mutoropa do PAHUMO 4,92 porcento e Mário Albino da ASSEMONA 1,16. Ao contrário dos outros pontos do país onde a oposição é poder, no contexto autárquico, na capital do norte não foi preciso derramar sangue para vingar a vontade expressa nas urnas. Os poucos residentes da urbe que votaram (menos de 15 porcento) não ficaram ao redor dos postos de votação à espera do resultado. Nessa perspectiva, os polícias dedicaram-se a estorvar o trabalho da imprensa. “Eu sou autoridade”, disse um agente nervoso ao repórter do @Verdade quando procurava dados na EPC de Namutequeliua. “A Frelimo decidiu procurar inverter a tendência de voto pela via que melhor domina. Vai ser pela via da fraude”, disse temoroso um repórter de uma das rádios comunitárias de Nampula.A diferença de motivação resultou decisiva. Por muito que se pense que só é possível ganhar eleições com a fórmula da Beira ou Quelimane, a fiscalização feita pelos delegados e o descaso dos nampulenses foram bem mais importantes. Incidentes O processo ficou marcado por quatro detenções, incluindo dois vice-presidentes de assembleias de voto surpreendidos a tentar introduzir boletins para beneficiar a Frelimo e o seu candidato. Na EPC de Muecha, a vice-presidente da mesa no 03001603, Albertina Julião, introduziu votos e fez campanha nos postos de votação a favor da Frelimo e foi detida na primeira esquadra da cidade de Nampula. Na EPC 12 de Outubro, foi detido Agnaldo Paz de Oliveira, vice-presidente de uma assembleia de voto quando tentava introduzir votos na urna para o partido e candidato da Frelimo. Está detido na Segunda Esquadra da PRM de Nampula.Este caso junta-se a do presidente da mesa 03001802, na EPC de Beleneses, de nome Hermínio da Silva Atumane, que tentou votar com o cartão de eleitor emitido em Angoche. Ainda no capítulo das detenções, a delegada da Rádio Índico - emissora do partido Frelimo - Yolanda Dombi, foi interpelada pela população com boletins pré-votados a favor do partido Frelimo e arrumados na sua viatura. O caso se deu na EPC de Mutaunha, onde decorria a votação. Yolanda Dombi foi conduzida à primeira esquadra da PRM, mas saiu em liberdade. A sua viatura de marca Toyota-Rav4, com a chapa de matrícula MMS-83-82, com que transportava os boletins pré-votados ficou parqueada no comando distrital da PRM, depois que estava quase a ser vandalizada pela população quando descobriu que trazia boletins pré-votados. Contagem Silenciaram-se os incidentes e falou a contagem. Era o momento de pôr as cartas na mesa e descobrir quem tinha sido elegido como edil pelo povo de Nampula. A retórica da força foi insuficiente pela Frelimo quando Muhamudo Amurano começou a ganhar vantagem à medida que os boletins de voto eram contabilizados, tanto na cidade de cimento como na periferia. Não houve espaço para recuperações milagrosas. O MDM e o seu candidato ganharam às eleições de Nampula e completaram um ano de glória no cenário político nacional. Glória e honra para quem desempenhou o papel mais difícil: o de disputar uma partida com o dono do apito. |
O voto não tolera farsas. Não importa que seja um esquema novo ou velho, que seja uma delegada ou a força da polícia. A vontade dos eleitores não se pode enganar consecutivamente. E menos, se se trata de uma estratégia que navega à margem da legalidade. A abstenção, às vezes, condena os medíocres e enaltece os bravos. A Frelimo e o seu candidato perderam umas eleições marcadas por inúmeras tentativas de fraude. Cinquenta e quatro porcento dos votos para Mahamuno Amurane castigaram a governação que nos últimos cinco anos ignorou a periferia e transformou a cidade de cimento...
Ao contrário dos outros pontos do país onde a oposição é poder, no contexto autárquico, na capital do norte não foi preciso derramar sangue para vingar a vontade expressa nas urnas. Os poucos residentes da urbe que votaram (menos de 15 porcento) não ficaram ao redor dos postos de votação à espera do resultado. Nessa perspectiva, os polícias dedicaram-se a estorvar o trabalho da imprensa. “Eu sou autoridade”, disse um agente nervoso ao repórter do @Verdade quando procurava dados na EPC de Namutequeliua. “A Frelimo decidiu procurar inverter a tendência de voto pela via que melhor domina. Vai ser pela via da fraude”, disse temoroso um repórter de uma das rádios comunitárias de Nampula.
Na EPC 12 de Outubro, foi detido Agnaldo Paz de Oliveira, vice-presidente de uma assembleia de voto quando tentava introduzir votos na urna para o partido e candidato da Frelimo. Está detido na Segunda Esquadra da PRM de Nampula.
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