
“Há companheiros que podem ser tentados a justificar a nossa ineficiência com falta de meios. Outros recorrem a inverdades para agradar a direcção. Esse não deve ser o nosso caminho”.
O procurador-geral da República, Augusto Paulino, disse, ontem, que é preciso purificar as fileiras da administração da Justiça no combate ao crime de raptos no país e avança inclusive que não é satisfatória a resposta que o Estado tem dado no combate a este crime, na medida em que já foram reportados múltiplos casos só no presente ano.
“Os raptos não cessarão enquanto não houver uma profunda purificação de fileiras dos infiltrados no nosso seio, no seio do judiciário”, afirmou o procurador, para depois acrescentar que alguns raptos “são planificados na B.O e já foram também (planificados) nas celas do Comando da Polícia da República de Moçambique (PRM) da cidade”.
O envolvimento de agentes da polícia nos casos de raptos indignou Paulino, tendo lembrando o caso recentemente julgado, na cidade de Maputo, no qual dos cinco condenados três são agentes da polícia.
“Estes companheiros não dignificaram a farda que usaram. Usaram nas armas do Estado para a prática de raptos contra o nosso povo. São companheiros que se colocaram claramente ao serviço do nosso inimigo - o crime organizado”, acrescentou.
Paulino, que falava na abertura da segunda sessão do Conselho Coordenador da Procuradoria-Geral da República (PGR), que decorre no edifício-sede da instituição, na capital do país, disse que a resposta do Estado ao fenómeno dos raptos que grassa as cidades de Maputo, Matola e Beira tarda para as expectativa dos seus agentes e muito mais para “as expectativas dos cidadãos”.
Recorde-se que, de 2011 (período em que inicia a onda de raptos) a esta parte, já foram reportados mais de quatro de dezenas de casos de raptos.



O voto não tolera farsas. Não importa que seja um esquema novo ou velho, que seja uma delegada ou a força da polícia. A vontade dos eleitores não se pode enganar consecutivamente. E menos, se se trata de uma estratégia que navega à margem da legalidade. A abstenção, às vezes, condena os medíocres e enaltece os bravos. A Frelimo e o seu candidato perderam umas eleições marcadas por inúmeras tentativas de fraude. Cinquenta e quatro porcento dos votos para Mahamuno Amurane castigaram a governação que nos últimos cinco anos ignorou a periferia e transformou a cidade de cimento...
Ao contrário dos outros pontos do país onde a oposição é poder, no contexto autárquico, na capital do norte não foi preciso derramar sangue para vingar a vontade expressa nas urnas. Os poucos residentes da urbe que votaram (menos de 15 porcento) não ficaram ao redor dos postos de votação à espera do resultado. Nessa perspectiva, os polícias dedicaram-se a estorvar o trabalho da imprensa. “Eu sou autoridade”, disse um agente nervoso ao repórter do @Verdade quando procurava dados na EPC de Namutequeliua. “A Frelimo decidiu procurar inverter a tendência de voto pela via que melhor domina. Vai ser pela via da fraude”, disse temoroso um repórter de uma das rádios comunitárias de Nampula.
Na EPC 12 de Outubro, foi detido Agnaldo Paz de Oliveira, vice-presidente de uma assembleia de voto quando tentava introduzir votos na urna para o partido e candidato da Frelimo. Está detido na Segunda Esquadra da PRM de Nampula.