STV-Jornal da Noite 02.11.2020(video)
Não editado pela STV-SOICO
Militares tanzanianos, ao que parece actuando na lógica da reacção ao ataque protagonizado por grupos insurgentes na aldeia Kitaya, em Mtwara, lançaram ao longo da semana passada diversos roquetes para o lado moçambicano, tendo causado vários feridos entre a população civil.
Oficialmente ainda não existe qualquer reacção a este assunto. Nem do lado moçambicano, nem tanzaniano.
Entretanto, o mediaFAX conseguiu apurar que os roquetes lançados na quinta e sexta-feira caíram na aldeia Mandimba, distrito de Nangade. Na quinta-feira cinco pessoas foram feridas. “Eu não tirei foto porque não tenho telefone digital. Na verdade, vi pessoalmente os feridos a entrarem no centro de saúde de Nangade” - disse um residente da vila sede de Nangade.
Já na sexta-feira, de acordo com a mesma fonte, os militares daquele país vizinho lançaram, outra vez, roquetes que voltaram a cair na mesma aldeia.
Desta vez, soubemos, quatro pessoas foram feridas. “Segundo informações que temos, por volta das 11 horas desta sexta-feira [sexta-feira passada], lançaram mais roquetes e feriram nossos cidadãos na mesma aldeia. Isso até parece que os militares da Tanzânia estão perto” - acrescentou a fonte, desconfiando da situação e cogitando possível deterioração das relações Moçambique – Tanzânia.
Diante daquela realidade, parte da população foi obrigada a deslocar -se para a vila de Nangade. Mandimba está localizada nas baixas do rio Messalo, a cerca de oito quilómetros da vila de Nangade.
MEDIA FAX – 02.11.2020
Uma insurgência islâmica no norte de Moçambique levanta preocupações sobre os possíveis efeitos sobre os projectos de gás natural liquefeito na região.
Desde Outubro de 2017, a província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, é palco de uma escalada da insurgência, liderada pelo grupo militante islâmico Ahlu Sunnah Wal Jammah (ASWJ), que ceifou a vida a cerca de 1.500 pessoas e deslocou 310.000.
No dia 12 de Agosto, os “jihadistas” capturaram o porto de Mocímboa da Praia, 60km ao sul da península de Afungi, onde grandes instalações de exportação de gás natural liquefeito (GNL) estão a ser desenvolvidas para reservatórios offshore, reavivando as preocupações sobre o efeito do conflito nos projectos de GNL. Tanto o Governo como as empresas de mineração enfatizam rotineiramente a enorme oportunidade económica que os projectos de GNL trarão a Moçambique e o potencial de “gotejamento” que eles têm para as comunidades em termos de “criação de empregos, fornecimento e indústrias de serviços associados”.
Na realidade, entretanto, as operações de mineração têm falhado rotineiramente em beneficiar as comunidades locais. Muitos desses projectos criaram expectativas económicas não atendidas, geraram violações dos direitos humanos, reforçaram as desigualdades étnico-religiosas e expropriaram as comunidades locais das suas terras.
No caso de Cabo Delgado, vários analistas e o próprio Presidente Filipe Nyusi atribuíram o conflito aos elevados níveis de pobreza e desemprego, e notaram que estas condições estão a ser exploradas por militantes estrangeiros e locais que procuram recrutar membros.
Portanto, em vez de perguntar que impacto o conflito terá no sector de GNL, devemos perguntar que impacto o sector de GNL tem tido nas comunidades locais, se quisermos entender melhor como prevenir e combater o extremismo violento. O desemprego e a pobreza por si só não preveem o surgimento de organizações extremistas violentas. Vários estudos mostram que a privação relativa, percepções de marginalização e discriminação, violação dos direitos humanos e uma história de hostilidade entre grupos de identidade são muito mais relevantes para prever onde tais grupos surgirão e como serão recrutados nas populações locais.
Mas quando as empresas de mineração entram em regiões onde esses problemas já estão presentes, eles podem agravá-los muito. O lado negro da mineração de carvão Na província de Tete, rica em carvão em Moçambique, muitas das comunidades locais que foram reassentadas devido às operações de mineração enfrentaram interrupções significativas e sustentadas na obtenção de alimentos, água e trabalho.
Em 2015, a Oxfam e o Centro de Responsabilidade Social na Mineração da Universidade de Queensland publicaram um estudo sobre o reassentamento de 736 famílias (cerca de 3.680 pessoas) para abrir caminho para a mina de carvão de Benga.
Ele fornece uma visão de como esses processos podem ser mal planeiados e caóticos quando há um aumento repentino de interesse e competição estrangeira que cria um contexto de rápido crescimento económico, capacidade regulatória limitada e intensa pressão sobre a disponibilidade de terras.
Em 2011, a Rio Tinto comprou a mina por mais de 3 biliões de dólares da Riversdale Mining. Três anos depois, após reconhecer um prejuízo de 2,86 biliões, vendeu a mina para um conglomerado indiano por 50 milhões - menos de 1,35% do preço original. Durante este período, um processo de reassentamento mal planeiado e caótico foi imposto às comunidades locais, com consequências desastrosas.
O estudo descobriu: “Além da insegurança alimentar e hídrica e da perda de renda suplementar, o stresse e o trauma associados ao deslocamento forçado fracturaram as redes sociais e minaram a confiança entre membros da comunidade, líderes locais e representantes de empresas e governos. “A incerteza sobre o futuro, o acesso limitado às informações e as deficiências nos processos de remediação diminuem ainda mais a probabilidade de recuperação num ambiente de baixa capacidade.”
Sem surpresa, houve vários protestos importantes por parte das comunidades afectadas, muitos deles violentos.
Em Abril de 2009, rubis foram descobertos perto da cidade de Montepuez, em Cabo Delgado. No final de 2010, milhares de mineiros artesanais, ou garimpeiros, estavam minerando os depósitos. Em Junho de 2011, a Mwiriti Limitada, uma empresa moçambicana pertencente ao general Raimundo Pachinuapa, um membro sénior do partido no poder, a Frelimo, e a Gemfields, com sede em Londres, assinaram um acordo de joint venture de 25% -75% para formar a Montepuez Ruby Mining (MRM).
A MRM posteriormente ganhou direitos de mineração para uma concessão de 34.000 hectares.
Nos três anos seguintes, várias ocorrências vieram à luz de garimpeiros supostamente espancados, fuzilados e enterrados vivos pela Polícia moçambicana. Também houve casos de comunidades locais que foram retiradas à força das suas terras e de aldeias que foram arrasadas para dar lugar às actividades de mineração da MRM.
Em 2018, ao negar responsabilidade, a Gemfields reconheceu publicamente que “ocorreram casos de violência na área de licença MRM, antes e depois da chegada de Gemfields em Montepuez”.
A empresa então concordou em pagar 5,8 milhões de dólares para resolver um caso, levado ao Supremo Tribunal de Londres, no qual 273 denunciantes alegaram abusos de direitos humanos. De volta a Moçambique, houve pouca acção judicial. A Procurador-geral da República anunciou uma investigação, mas nunca foi concluída. Nenhuma medida séria foi tomada para buscar justiça para as vítimas ou para implementar políticas para lidar com o uso da força contra as comunidades afectadas pela indústria extractiva.
Bacia do Rovuma
Em 2010, foram encontrados depósitos significativos de gás natural de alta qualidade na costa de Cabo Delgado. Hoje, a província abriga os três maiores projectos de GNL da África: o Projecto de GNL de 20 biliões de dólares, liderado pela Total; o Projetco Coral FLNG de 4,7 biliões liderado pela ENI e ExxonMobil; e o Projecto Rovuma LNG de 30 biliões liderado pela ExxonMobil, ENI e CNPC.
Centenas de famílias foram forçadas a sair das suas terras ancestrais e áreas de pesca para dar lugar a instalações de apoio em terra para os projectos.
Um relatório de Março de 2020 da ONG Justiça Ambiental argumenta que o processo de reassentamento foi profundamente falho: as comunidades não foram consultadas adequadamente, não tinham conhecimento sobre seus direitos e estavam muito intimidadas para expressar descontentamento por medo de retaliação.
O investimento especulativo em terras em antecipação ao boom do gás - muitas vezes pelas elites da Frelimo - também alimentou o ressentimento entre os aldeões, que continuam a perder acesso à terra e meios de subsistência sustentáveis.
Particularmente nas áreas rurais, a terra está profundamente ligada não apenas aos meios de subsistência, mas também à identidade, cultura e história. Algumas das pesquisas mais fortes sobre o extremismo violento, feitas por estudiosos como o psicólogo John Horgan, sugerem que a radicalização é um processo profundamente conectado com a identidade.
Nesse contexto, a expropriação da terra pode ser particularmente prejudicial para os recursos psicológicos, sociais e culturais que sustentam uma sensação de bem-estar e aumentam a resiliência à radicalização.
O deslocamento e marginalização das comunidades costeiras em Cabo Delgado é especialmente preocupante, dadas as linhas de falha étnico-religiosas pré-existentes. A zona costeira de Cabo Delgado tem sido tradicionalmente ocupada pelo povo muçulmano de língua Kimwani, que depende predominantemente do comércio, pesca e navegação marítima. Muitos muçulmanos na província apoiaram a luta pela independência da Frelimo contra os portugueses.
No entanto, desde as primeiras eleições multipartidárias em 1994, os kimwani tendem a votar na Renamo, e os resultados em Mocímboa da Praia têm sido disso exemplo.
Como escreve o jornalista Joseph Hanlon: “Os líderes muçulmanos locais sempre se aborreceram com o facto de o seu papel na luta pela independência não ter sido reconhecido e vêem os makonde em grande parte cristãos dos distritos de Mueda e Muidumbe a dominar a Frelimo e a mudar-se para as áreas costeiras.
” Hoje, os makonde formam a elite local em Cabo Delgado, enquanto os falantes de kimwani estão entre os mais pobres da província e os mais afectados negativamente pelos projectos de GNL.
É improvável que o número substancial de empregos criados pelos projectos de GNL vá para as comunidades costeiras locais, dados os baixos níveis de educação formal e o investimento em treinamento e apoio necessário para equipar os membros da comunidade com as habilidades necessárias.
Qualquer redução da pobreza decorrente dos empregos que vão para essas comunidades provavelmente já foi compensada pelos milhares de cidadãos locais que perderam o acesso às áreas de pesca e à produção agrícola em pequena escala.
Para as comunidades que vivem na região, a situação de segurança piorou significativamente nos últimos dois anos. Não apenas foram vítimas de dezenas de ataques do ASWJ, mas a região tornou-se altamente securitizada. As comunidades locais relatam “viver com medo constante de maus-tratos pelos militares e por agentes de segurança privada em vez de se sentirem protegidas dos ataques”.
No final de Agosto, a subsidiária da Total na região anunciou que havia assinado um memorando de entendimento com o Governo. O Governo implantará uma força-tarefa conjunta das Forças de Defesa e Segurança (FDS) para garantir a segurança.
Em contrapartida, o projecto Mozambique LNG irá fornecer apoio logístico às FDS, incluindo equipamento e subsídios para tropas.
Conforme observa o Centro para o Desenvolvimento Democrático de Moçambique: “Ao permitir o envio de tropas FDS para proteger interesses privados em troca de pagamentos monetários, o Governo está a privatizar osserviços das FDS e, consequentemente, a violar a Política de Defesa e Segurança.”
As FDS já não podem proteger eficazmente as comunidades em Cabo Delgado. Embora a defesa de interesses estratégicos seja uma das funções fundamentais do Ministério da Defesa, é fácil ver como essa relação entre os militares e o sector de GNL seria vista de forma diferente por uma população local exposta à violência nas mãos de grupos armados, empresas militares privadas e forças de segurança do Governo.
O plano de acção do secretário-geral da ONU para prevenir o extremismo violento enfatiza a necessidade de uma resposta de “toda a sociedade”, incluindo desenvolvimento sustentável, acção humanitária e defesa dos direitos humanos e do Estado de Direito.
Em Moçambique, em particular, o sector de mineração tem uma responsabilidade enorme de prevenir e combater o extremismo violento. As mineradoras terão que trabalhar com o Governo para lidar com as queixas já geradas pelo sector - particularmente em torno dos processos de reassentamento em disputa e violações dos direitos humanos - e trabalhar para resolver as causas subjacentes do extremismo.
As receitas do gás natural só começarão a aumentar em 2024, pelo que ainda há tempo para Moçambique priorizar o desenvolvimento sustentável, o crescimento inclusivo e melhores políticas para gerir os grandes investimentos da indústria extractiva. Um cenário angolano, onde uma elite política captura todas as oportunidades de conteúdo local, só servirá para aumentar as queixas e engrossar as fileiras da insurgência.
DN – 02.11.2020
"..., temos informações de que muitos militares das Forças Armadas de Moçambique, renderam-se e recuaram, tendo deixado a tarefa para os antigos Combatentes... Temos também informações fidedignas de que vários militares se ausentaram da arena combativa, doando seus armamentos aos antigos Combatentes e se ausentando com roupa civil" (Pinnacle News).
INFORMAÇÕES que a Pinnacle News tem estado a veicular sugerem, ou mostram que os rebeldes do Norte estão em alta prontidão combativa contra a soldadesca desmoralizada do regime terrorista de Maputo que só mostram combatividade contra mulheres nuas que batem com paus e abatem a sangue frio e contra civis que torturam e cujas orelhas cortam enquanto os torturados estão ainda vivos. Os rebeldes tem intensificado a pressão militar contra os terroristas da Frelimo que incluem os antigos terroristas que alegadamente combaterem os portugueses, que são agora idosos com 65 a 85 ou 90 anos.
Soldadescos jovens da tropa terrorista de Maputo rendem-se ou metem-se em fuga enquanto apavorados, deixando aos idosos que lutam com AK-47s numa mão enquanto se apoiam com benguelas na outra mão.
Que fantasia estes terroristas da Frelimo inventam! É uma piada que me faz fartar de rir.
Os novos recrutas nas fileiras terroristas da Frelimo não querem lutar e morrer para o benefício do Felipe Nyusi e da sua camarilha de corruptos e de super gatunos. Teriam gostado de estar com as suas famílias, noivas ou namoradas lá no Sul donde novos recrutas colonialistas para a colonização do Norte saem ou lá no Centro donde recrutas subordinados chingondos vem.
O regime terrorista cujo líderes se repimpam lá em Maputo não fazem a mínima ideia da impopularidade entre as fileiras dos seus homens armados da guerra que surgiu como resultado da sua desgovernação em Cabo Delgado e do país ao seu todo. Ao ouvirem tiros das armas dos rebeldes e de estrondos da suas armas pesadas, os militares da Frelimo levantam os braços em rendição aos destemidos combatentes do Norte que parecem não maltratar ou matar os tais prisioneiros de guerra. Tal comportamento, se e como se comportam realmente, militou ao seu favor e explica o crescimento da sua rebeldia ao ponto de agora estarem a dominar o teatro operacional da guerra do Norte contra as forças do regime terrorista de Maputo.
AGORA COMO A ÉPOCA DE COMUNICAÇÃO ELECTRONICA, ESTOU CERTO QUE OS HERÓICOS REBELDES DO NORTE E OS GLORIOSOS COMBATENTES DA JUNTA MILITAR DA RENAMO NO CENTRO LEM O MOÇAMBIQUE PARA TODOS.
EM NOME DE ALLAH, O MISERICORDIOSO E COMPAIXIONADO, OU DE DEUS TODO PODEROSO E DE TODOS OS ESPÍRITOS DOS NOSSOS ANTEPASSADOS, APELO AOS REBELDES DO NORTE E AO GENERAL MARIANO NHONGO E À SUA JUNTA MILITAR NO CENTRO PARA MOSTRAREM MAGNANIMIDADE AOS HOMENS DA FRELIMO QUE SÃO CAPTURADOS OU QUE SE RENDEM ÀS SUAS FORÇAS COMO A RENAMO FAZIA DURANTE A GUERRA CIVIL DOS 16 ANOS, O QUE EXPLICAVA QUE OS CAPTURADOS DA TROPA DA FRELIMO COMO OSSUFO MOMADE FOSSEM INTEGRADOS NAS FILEIRAS DA RENAMO ATÉ A PONTO DO TAL MOMADE SER UM COMANDANTE E GENERAL-CHEFE DO ESTADO MAIOR DA RENAMO A UMA DADA ALTURA.
O que os chefes da polícia e da guerra da Frelimo têm dito sobre avanços das suas tropas sobre os rebeldes do Norte não passa de grunhidos que não fazem nenhum sentido. E eles sabem disto.
Nestas aldeias, os combates prevaleceram por 24h00 e o Pinnacle News ainda não tem informações fidedignas sobre as reais perdas e ganhos no terreno. Apesar deste facto, temos informações de que muitos militares das Forças Armadas de Moçambique, renderam-se e recuaram, tendo deixado a tarefa para os antigos Combatentes. Há relatos de que inúmeros helicópteros e aviões encontram-se a lançar fumaça e engenhos em todas estas aldeias, facto que quer insurgentes, quer antigos combatentes, estão a consumir produtos químicos.
Neste segundo dia de combates, aviões ao serviço das Forças Armadas de Defesa de Moçambique estão ainda operacionais e já deram vários giros e exercícios. Mesmo com estas presenças aéreas, o número de aldeias atacadas se aumenta e já se ouvem tiros também nas aldeias Namacule, Namande e Nampanha, perfazendo assim praticamente todo o Distrito de Muidumbe. Ora, as aldeias de Matambalale, Miteda, Lutete, Mandava, Mandela e Namatata, aparentam estar em prontidão combativa do nível 5.
Enquanto isso acontece, toda a população encontra-se nas matas densas.
Temos também informações fidedignas de que vários militares se ausentaram da arena combativa, doando seus armamentos aos antigos Combatentes e se ausentando com roupa civil. Até então, o denominador comum é de destruição de inúmeras infraestruturas públicas e privadas bem como bens e residências de nativos.
Importa realçar que o Distrito de Muidumbe faz fronteiras com os Distritos de Macomia, Mueda, Mocímboa da Praia e Meluco.
Reforço
Por questões de sigilo do Estado, evitaremos dar detalhes sobre como estão posicionados antigos Combatentes e caçadores furtivos de Distritos vizinhos mas, prometemos um texto detalhado sobre as emboscadas por eles feitas.
“Não havia trégua, e não há trégua, e dentro deste ano pode não haver trégua, e nem no próximo ano pode não haver trégua. A Renamo tem sua agenda, e sua agenda é governar o país” com uma democracia independente, disse à VOA Mariano Nhongo ao anunciar o colapso do diálogo com o governo.
O Governo moçambicano suspendeu qualquer investida contra membros da autoproclamada Junta Militar da Renamo a partir de domingo, 25, por um período de uma semana, que terminou a 31, como forma de abrir caminho para um diálogo com o grupo dissidente do principal partido da oposição.
O general da Renamo assegurou que teve “demoradas conversações” esta semana com o enviado especial do Secretário-geral das Nações Unidas, Mirko Manzoni, e denunciou a violação da trégua unilateral ao registar novos casos de raptos e assassinatos durante os sete dias do cessar-fogo.
“Por isso ontem (sexta-feira, 30) eu falei ao embaixador, Mirko Manzoni, eu expliquei ‘amigo já não tem mais serviço aqui você, só está a passear’, não está a fazer nada”, precisou Mariano Nhongo em declarações por telefone algures da Gorongosa.
Para Mariano Nhongo a trégua foi “uma batota” do governo para perseguir os dirigentes da autoproclamada Junta Militar da Renamo, sem retaliação dos dissidentes, e insistiu que não houve honestidade no cessar-fogo.
“Não há, não há, qual trégua em que estávamos. A (autoproclamada) Junta Militar renega enganar o mundo, e não pensem que a Junta Militar está a procura de dinheiro não, nós não estamos a procurar dinheiro não” disse Mariano Nhongo, sem fazer menção se foi feita uma proposta neste sentido.
O dirigente da autoproclamada Junta Militar da Renamo, reiterou que para qualquer negociação, o governo deve divulgar a petição enviada pelo grupo em setembro de 2019, onde constam as suas verdadeiras reivindicações.
“Esse nosso irmão, Filipe Nyusi, é batoteiro. Ele sabe que quando ler (divulgar) este documento as queixas que fazemos contra ele” serão conhecidas, supostamente por ter “rasgado” o que tinha já acordado com Afonso Dhlakama, antes de morrer, e ter implementado um acordo “viciado” que assinou com Ossufo Momade.
“Quando faleceu (Afonso) Dhlakama já tínhamos um campo (pista), no lugar onde foi realizado o Congresso da Renamo. Aquele campo não era para o Congresso, realizou-se o Congresso quando Dhlakama perdeu a vida. Aquele campo era de helicópteros para transportar os homens da Renamo para irem ser enquadrados em todos os ramos das Forças de Defesa e Segurança”, explicou Mariano Nhongo.
“Eu já estive naquele campo, como general, e isso (que foi acordado na altura) está aonde? E hoje estão a procura de paz, há de vir de onde?” questionou.
Contudo, o antigo estratega militar de Afonso Dhlakama, disse que ainda espera um bom senso do governo para avançar com as negociações do novo acordo com o grupo, que passa, primeiro, pela divulgação da petição.
“Por isso solução vamos ter a frente, do momento não temos solução” continuou Mariano Nhongo.
O governo ainda não se pronunciou sobre a nova falha no esforço para pôr fim a meses de ataques em estradas e aldeias nas províncias de Manica e Sofala, no centro de Moçambique.
O Presidente moçambicano anunciou esta semana que já tinham iniciado os contactos para a abertura ao diálogo.
VOA – 01.11.2020