"Deus criou as pessoas para amarmos e as coisas para usarmos, porque então amamos as coisas e usamos as pessoas?"



quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Quando chumbar é a regra e passar é a excepção...

Houve uma grande razia nos exames da 10a e 12a classes na cidade de Maputo.
Os resultados da Manyanga, Josina Machel, Noroeste 1 e Estrela vermelha mostram uma realidade assustadora de reprovações, e há vários júris onde chumbaram todos os estudantes examinados.
Os resultados da primeira época de exames da 10ª e 12ª classes, na cidade de Maputo, apresentam um quadro negro no que se refere ao aproveitamento final dos examinados.
Dos cerca de trezentos mil inscritos para os exames, apenas um número reduzido conseguiu resultados positivos, partindo da premissa de que as escolas em causa são as que mais alunos têm inscritos para este ano. Ontem, o jornal “O País” visitou quatro escolas secundárias da cidade de Maputo, nomeadamente, Noroeste 1, Estrela Vermelha, Francisco Manyanga e Josina Machel, e constatou que em todas há um denominador comum: reprovações em massa.
os casos mais preocupantes verificam-se nas escolas secundárias Estrela Vermelha, Noroeste 1 e Manyanga, onde algumas pautas apresentam reprovações em 100%. Os mais dramáticos registaram-se nas escolas secundárias Estrela Vermelha e Francisco Manyanga, onde, em alguns júris com 30 alunos, todos reprovaram, ou seja, um índice de reprovação de 100%, e há outras onde apenas três alunos aprovaram numa secção.
As reprovações estendem-se à 12ª classe, mas em disciplinas específicas. Na Escola Secundária Josina Machel, por exemplo, quase todos os alunos examinados chumbaram à Química e Biologia, um problema que se arrasta desde a 8ªclasse, conforme afirmaram alguns alunos ouvidos pela nossa reportagem, que chegaram a questionar a qualidade dos professores daquelas disciplinas

PRM impede MDM de circular na cidade de Quelimane

Polícias intrometem-se na campanha eleitoral.
A polícia da República de Moçambique (PRM) em Quelimane proibiu a caravana do MDM de passar pela avenida dos Heróis Nacionais, pelo facto de, nessa avenida, localizar-se um comando da PRM e um cadeia. Entretanto, a lei eleitoral em nenhum artigo proíbe tal acto.
Num acto de uma verdadeira intromissão e violação à lei eleitoral, a Polícia da República de Moçambique, PRM, impediu ontem a caravana de táxis-bicicletas e motorizadas do candidato Manuel de Araújo de percorrer pela avenida Heróis de Libertação Nacional.
O acto aconteceu na tarde de ontem, quando uma enorme caravana de apoio ao candidato do MDM seguia pela referida avenida. Quando ia passar defronte das instalações do Comando Provincial e da Cadeia Civil, um aparatoso contingente policial bloqueou e interditou a passagem da caravana sem avançar qualquer esclarecimento.
De acordo com Flora Rosália, do MDM, o acto da PRM constitui um verdadeiro atentado ao Estado de Direito. “Nós vínhamos numa caravana normal e, quando chegámos aqui, de repente, vimos a polícia a interromper a nossa caravana. não achámos justo porque logo depois de chegarmos aqui, vimos a Frelimo a passar sem problemas e isso não é justo”, disse. 
Mais tarde e perante a insistência dos líderes do MDM, nomeadamente, Geraldo Carvalho, Manuel de Araújo e Flora Rosário, e com  a chegada dos órgãos de comunicação social, apareceu Ernesto Serrote, porta-voz do Comando Provincial, informar que a interdição devia-se ao facto de a caravana do MDM “estar a violar a lei” ao passar em “frente de instalações da PRM e da cadeia civil”.
De acordo com Serrote, o acto do MDM afrontava a lei eleitoral que impede a circulação de caravanas perto de edifícios públicos.  “Está clara a lei eleitoral quando diz que em todas as instalações das instituições policiais, forças da defesa e segurança, unidades penitenciária, instalações governativas, referimo-nos a palácios e tudo, está extremamente proibida a passagem das caravanas. Como pode ver, estamos perante a cadeia civil e as pessoas podem muito bem aproveitar-se desta situação para se evadirem”, disse sem, no entanto, enunciar o artigo da lei eleitoral que preconiza tal proibição. Serrote reconheceu que a Frelimo costuma passar por aquela avenida, mas disse que em “poucas viaturas” que não se afiguram “caravana”.
Entretanto, numa leitura atenta da lei eleitoral verifica-se que em nenhum momento esta proíbe a passagem de caravanas defronte de edifícios públicos. O que a lei proíbe é a colagem de cartazes de campanhas nos referidos edifícios bem como escalar esses locais para realizar campanha eleitoral.
Tirando este episódio, a campanha eleitoral continua a decorrer dentro da normalidade com os dois partidos a pautarem pelo civismo e urbanidade.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Brasil vai apoiar LAM na ampliação da sua frota

Terça, 29 Novembro 2011 00:00 Redacção
O apoio a ser dado pelo Brasil à companhia aérea de bandeira moçambicana faz parte da linha de crédito de 300 milhões de dólares americanos, acordada com o governo e que inclui vários projectos, dentre os quais o aeroporto de Nacala e a ampliação da capacidade do porto da Beira.
O apoio à LAM servirá para responder à crescente demanda por voos
O Brasil vai apoiar as Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) na aquisição de mais aeronaves. Este apoio enquadra-se na linha de crédito acordada entre os governos moçambicano e brasileiro num valor total de 300 milhões de dólares norte-americanos e será destinada a vários projectos, com particular destaque para o sector de infra-estruturas de transporte portuário e aeroportuário.
A descoberta de vastas reservas de recursos naturais e a sua exploração aumentaram a procura por voos no país, sobretudo para a província de Tete, onde opera a companhia brasileira na exploração de carvão, Vale.
A linha de crédito de 300 milhões de dólares foi aprovada em 2009 pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social (BNDES) do Brasil. Parte deste valor (80 milhões de dólares norte-americanos) já foi disponibilizada para a construção do aeroporto internacional de Nacala, segundo afirmou ontem o ministro da Indústria e Comércio, Armando Inroga.
“Nós temos uma lista de projectos, especialmente de infra-estruturas, que têm como finalidade assegurar que, pela facilidade de infra-estruturas existentes no país, seja possível o sector privado desenvolver negócios da forma mais barata”, disse o responsável.

sábado, 26 de novembro de 2011

ELEIÇÕES MUNICIPAIS INTERCALARES - MDM fala de ilícitos eleitorais em Quelimane


O CANDIDATO a edil de Quelimane pelo Movimento Democrático de Moçambique (MDM), Manuel de Araújo, queixa-se de supostos entraves que estão a marcar a sua campanha para as eleições intercalares de 7 de Dezembro próximo.
Maputo, Sábado, 26 de Novembro de 2011:: Notícias
 
Referiu-se à alegada utilização indevida de meios do Estado como viaturas por alguns directores provinciais da Zambézia.
Também falou do tratamento que considerou desigual por parte da PRM, por alegadamente se fazer presente tardiamente nos seus encontros de campanha, mesmo depois de uma solicitação antecipada. Os bombeiros, por seu turno, são indiciados de não se fazerem presentes nas actividades do MDM.
O FIPAG e EDM não foram poupados, tendo sido também acusados  por aparentemente terem apenas fornecido água no comício da Frelimo.
Fora disso, sublinhou que a juventude de Quelimane está ávida de mudança, afirmando que a sua mensagem tem estado a ser bem acolhida por diversos extractos sociais na cidade capital da província da Zambézia.
Araújo, que conta já com o reforço da mais alta hierarquia do MDM, liderado pelo respectivo presidente, Daviz Simango, explicou ao “Notícias” que a sua prioridade continuam a ser os contactos porta-a-porta, “atacando” diariamente todos os cinco bairros periféricos de Quelimane, “sendo que a nossa mensagem está a ser bem recebida principalmente no seio da camada juvenil.
Hoje, o presidente do MDM, Daviz Simango, realiza o primeiro “show miss” no campo de futebol Três Fios.
  • Horácio João

A paz depois da guerra marcou-me profundamente”, diz Dom Jaime

(2011-11-26) O arcebispo da Beira, Dom Jaime Pedro Gonçalves, disse ontem na Beira, que um dos acontecimentos que mais o marcaram nos 35 anos em que esteve à frente da Arquidiocese da Beira, foi o estado em que encontrou a mesma nos anos 1975/76, período que coincidiu com a independência nacional.

“Marcou-me a situação de uma igreja, que já não era uma igreja louvada, apreciada, como no tempo colonial. Acabei por receber uma diocese que já tinha o problema das nacionalizações, com as missões ocupadas e transformadas em centros de educação, o que, de facto, marca a vida de um bispo”, disse.

O arcebispo da Beira convocou os jornalistas para informar que, por ocasião dos 35 anos à frente da Arquidiocese da Beira e pela passagem do seu 75º aniversário natalício, a Arquidiocese decidiu realizar uma festa de agradecimento.

Na ocasiões, referiu-se às guias de marcha, documentos na época obrigatórios para os cidadãos se deslocarem de um lugar para outro, no seu caso para fazer visitas às paróquias: “Marcou-me também o próprio ambiente religioso que já não fazia das igrejas ou da religião, de facto, um valor para a pessoa humana, mas a religião, Deus, estes conceitos, a vida eterna, céu, já não eram valores, eram apreciados de outra maneira e isso me marcou na medida em que eu me perguntava: o que vou fazer, afinal de contas?”.

Dom Jaime Gonçalves recordou ainda o facto de a igreja ter participado, depois de Moçambique ter tomado parte na guerra do Zimbabwe e na guerra de libertação da África do Sul do sistema do “apartheid”, na procura de paz na sequência da guerra civil que entretanto eclodiu no país. “Esta parte da violência, também me marcou porque intrometeu-se no meu sistema de vida de bispo. Já não podia visitar também as paróquias ou as missões livremente porque tínhamos que nos acautelar da violência”, sublinhou.

O prelado disse, por outro lado, ter sido marcado por aquilo que designou de questões da sociedade e explicou que “depois do Acordo Geral de Paz, de facto a igreja viveu momentos de liberdade, momentos em que começou a trabalhar para ficar mais livre e tornar-se mais aceitável na sociedade moçambicana”.

Acrescentou que ficou impressionado por ver a grande mudança de homens e mulheres em Moçambique, a aceitarem de facto valores religiosos, espirituais, aceitarem a igreja como uma instituição digna dos moçambicanos, que pode resolver certos problemas religiosos.

“A antropologia cultural sempre revelou que o homem tende a ser religioso”, explicou para dizer em seguida que “este dado reconhecido na nossa sociedade tornou-se um grande acontecimento no interior da igreja e, particularmente, depois na Beira”, disse Dom Jaime.

Em relação à aposentadoria, o prelado explicou que quando o bispo completa 75 anos de idade, pelas normas da igreja, ele deve apresentar a renúncia do cargo ao Santo Padre e este tem a possibilidade de nomear um outro para ocupar o lugar do bispo que vai resignar.

Disse estar nesta situação de esperar que o Santo Padre designe o seu substituto. “No contexto da festa de amanhã há também este significado que eu saúdo a diocese porque vou entregá-la a outro que for nomeado pelo Santo Padre para a Beira “, disse

Financiamento do ocidente ao desenvolvimento de África contribui para a pobreza

Quinta-feira, 3 de Novembro de 2011

Luanda - O historiador e docente universitário Jean Martial Arsène Mbah, disse hoje em Luanda que o facto de 77 porcento dos projectos de desenvolvimento de África serem financiados pelo Ocidente, tem impedido o continente africano sair da pobreza e do subdesenvolvimento em que se encontra.

Entrevistado pela Angop para se debruçar sobre a situação política, económica e social de África, Jean Martial Mbah sustentou que se o Ocidente estive interessado no desenvolvimento de África, o continente já o seria a muitos anos, mas os ocidentais o tem apenas como fonte das suas matérias primas.
Acrescentou que 77 porcento do dinheiro da União Africana para desenvolver projectos provem da União Europeia (UE), e do estrangeiro “como é que esta organização pode gizar projectos de desenvolvimento para a África”, questionou.
Para Jean Martial Mbah, aqueles que dão dinheiro traçam directrizes, impõem e exigem o “que tem que ser feito, porque não dão financiamentos para ajudar os povos africanos, mas com vista a servir os interesses estrangeiros, por isso, que a União Africana não consegue desenvolver até hoje um projecto sério”.
Indagado a responder porque a UA não consegue auto-financiar-se, tendo países ricos como a Nigéria, África do Sul, Argélia, Líbia, Angola, Guiné-Equatorial, RD Congo, entre outros, o historiador frisou que a questão reside na compreensão da mentalidade e da atitude do próprio africano.
Acrescentando que a mentalidade e a atitude dos dirigentes africanos têm contribuído para esse insucesso, porque os líderes do continente foram divididos ideologicamente, desde a criação da Organização da Unidade Africana (OUA), em 1963, entre o grupo de Casablanca e o de Brazzaville.
Explicou que o grupo de Casablanca era radical e anti-imperialista tendo sido o que mais esforço desenvolveu para a ajuda de países que lutavam contra o colonialismo no continente africano, identificando-se desde o início contra a dominação estrangeira em África.
Contrariamente ao grupo de Congo-Brazzaville, constituído pela maioria de países francófonos, que estava a favor do neocolonialismo em África, e essa situação não mudou até hoje, disse.
“Temos ainda muitos dirigentes que militam a favor do neocolonialismo em África, identificando-se com interesses estrangeiros, como aconteceu recentemente com a incapacidade do continente em condenar a intervenção estrangeira no caso da Côte d'Ivoire e a invasão da Líbia, um país africano que foi bombardeado durante meses pela OTAN”, lamentou.
De acordo com a fonte, a Líbia não estava em guerra com a organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), que é um bloco militar estrangeiro, “mas os africanos não souberam ter uma só voz para denunciar a agressão e se solidarizar com o Estado membro da UA”.
Jean Mbah saudou os pronunciamentos do ministro angolano das Relações Exteriores, Georges Chikoti que denunciava a agressão à Líbia, mas que a sua intervenção não foi seguida pelos seus pares do continente, embora tenha notado já tardiamente as posições da Argélia e da África do Sul.
Jean Martial Mbah é professor de metodologia de investigação histórica do ISCED e da Faculdade de Ciências Sociais, da Universidade Agostinho Neto (Angola), licenciou-se em História pela Universidade Omar Bongo, de Libreville (Gabão), obteve o mestrado em Poitiers, e o doutoramento pela Universidade Paris I (Panthéon-Sobornne), ambas em França. Agência AngolaPress

Mil quinhentos Moçambicanos presos na África do Sul

Mil quinhentos Moçambicanos presos na África do Sul
Aproximadamente 1500 moçambicanos estão presos na África do Sul.
É na esperança de uma vida melhor que há anos centenas de Moçambicanos emigram para a vizinha África do Sul. O desejo de encontrar um emprego digno frustra-se logo à chegada, com o destino a assumir a responsabilidade de empurrá-los para os bairros de lata, ou como, chamam os nativos, “Mukukhu”.
O sonho de em tão curto espaço de tempo conseguir um emprego formal e comprar uma viatura de luxo, transforma-se num pesadelo. Diante de tamanha frustração, uns acabam por se dedicar a venda ambulante, prostituição e outros entram no submundo do crime.
E precisamente por causa do crime, até a semana passada, 1449 moçambicanos estavam detidos nas cadeias da terra do Rand. A falta de um acordo de transferência de reclusos entre Moçambique e África do Sul é apontada pela Ministra da Justiça como uma barreira que urge ultrapassar.
A falta do referido acordo impede que os reclusos que desejam cumprir as suas penas nos países de origem sejam visitados por amigos e familiares. Dai que, este ponto vai dominar a visita que o Presidente da África do Sul, Jacob Zuma, vai efectuar em breve no país.
Acrescentou ainda que apesar da superlotação das cadeias moçambicanas a possível transferência dos aproximadamente 1500 reclusos para os estabelecimentos prisionais de Moçambique, não iria se traduzir num fardo, porque segundo argumentou, a proposta de lei para a introdução de penas alternativas vai resultar no cumprimento das penas fora da cadeia.
Mas há mais desafios que serão actuais nos próximos anos para o nosso sistema de administração da justiça e pretende-se desta forma humanizar os serviços prisionais.
Fonte: TIM
Data: 25/11/2011