"Deus criou as pessoas para amarmos e as coisas para usarmos, porque então amamos as coisas e usamos as pessoas?"



sexta-feira, 1 de julho de 2016

Descoberta importante jazida de gás hélio na Tanzânia

 

Uma equipa do Reino Unido e da Noruega descobriu 54 biliões de pés cúbicos (cerca de 1,53 biliões de metros cúbicos) de gás hélio, no Rift Valley, na Tanzânia, segundo o jornal Guardian.
 
Arusha - Uma equipa do Reino Unido e da Noruega descobriu 54 biliões de pés cúbicos (cerca de 1,53 biliões de metros cúbicos) de gás hélio, no Rift Valley, na Tanzânia, segundo o jornal Guardian.
O hélio é raro na Terra porque é muito volátil. Ele é o segundo elemento mais leve do quadro periódico, – o que significa que uma vez exposto ao ambiente natural evapora rapidamente para o espaço.
Ele não só faz a voz humana chiar, mas também é crucial em aplicações como os scanners de cérebro e outros usos científicos. Por exemplo, o hélio líquido é importante no arrefecimento de supercondutores magnéticos, porque se forma a temperaturas de 269 graus centígrados negativos, – o mais frio de todos os elementos.
"Não existe substituto para o hélio em aplicações criogénicas,  produção e comportamento de materiais a muito baixas temperaturas.
É tão crucial em máquinas de Imagens de Ressonância Magnética (MRI) que alguns médicos chegaram a propôr a proibição do uso do gás em balões de festas.
"Para todos os outros elementos espalhados no globo talvez nós possamos minerar em depósitos de lixo orgânico e encontrá-los," disse à BBC a perita em química, Andrea Sella, do Colégio Universitário de Londres (UCL), em 2013. "Mas o hélio é único. Uma vez evaporado está perdido para sempre", disse.
"Esta é uma descoberta significativa," disse Jon Gluyas, professor de geo-energia na Durham Uniersity e membro da equipa que fez a descoberta. "Há reservas do gás hélio, mas têm se tornado cada vez mais rapidamente reduzidas. O preço subiu em 500 por cento em 15 anos."
Segundo a agência de notícias AFP,  acredita-se que a actividade vulcânica na secção tanzaniana do Rift Valley criou as altas temperaturas necessárias para libertar o gás de antigas rochas permitindo-o subir e ficar acumulado perto da superfície, e permitindo a sua exploração.
A companhia mineira norueguesa Helium One, que trabalhou com os cientistas numa nova técnica de exploração, que recebeu os créditos pela descoberta e detém três licenças de prospecção na Tanzânia, disse ter descoberto um campo "com jazidas de gás globalmente significantes".

Governo moçambicano quer incrementar cooperação com Etiópia na aviação civil

 

01 de Julho de 2016, 14:54

O ministro dos Transportes e Comunicações de Moçambique, Carlos Mesquita, afirmou hoje em Maputo que o país pretende intensificar a cooperação com a Etiópia na aviação civil, como forma de aproveitar o avanço etíope neste domínio.
"A Etiópia desenvolveu muito a sua aviação civil e está aberta a intensificar a cooperação com os seus parceiros africanos em geral, e Moçambique em particular", afirmou Mesquita, em declarações aos jornalistas, à margem de um encontro entre o primeiro-ministro da Etiópia, Hailemariam Desalegn e funcionários da aviação civil moçambicana, no final de uma visita de três dias que o governante etíope realizou a Moçambique.
Além da aviação civil, prosseguiu o ministro dos Transportes e Comunicações de Moçambique, a Etiópia está muito avançada na segurança do espaço aéreo, havendo, por isso, grande potencial para a cooperação bilateral.
Carlos Mesquita declarou que a Etiópia já formou mais de 60 quadros moçambicanos do setor da aviação civil, incluindo pilotos e técnicos.
No banquete de estado que ofereceu a Hailemariam Desalegn na quarta-feira, o Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, defendeu uma maior intensidade e diversificação da cooperação com a Etiópia, declarando que os dois países devem tirar maior partido das imensas oportunidades de que dispõem.
"Chegou o momento de imprimir maior intensidade e diversidade ao nosso relacionamento económico e comercial, tirando o máximo partido das imensas oportunidades que os nossos dois países oferecem", afirmou Nyusi.
Recordando que os dois países assinaram em 2007 o Acordo Geral de Cooperação, o Presidente moçambicano apontou a agricultura, pecuária, saúde, ciência e tecnologia, turismo, bem como desportos como algumas áreas com potencial para a cooperação bilateral.
 


Lusa/Fim

“Nós entramos na lista negra por causa da LAM, o Instituto (de Aviação Civil) é uma desculpa” Alves Gomes

 
 
 
Tema de Fundo - Tema de Fundo
Escrito por Adérito Caldeira  em 01 Julho 2016
Foto de Adérito CaldeiraAfinal as transportadoras aéreas moçambicanas estão proibidas de operar no espaço aéreo da União Europeia desde 2011 por causa das Linhas Aéreas de Moçambique(LAM). “Nós entramos na lista negra por causa da LAM, o Instituto(de Aviação Civil) é um desculpa” explica ao @Verdade o vice-presidente do pelouro de Transportes na Confederação das Associações Económicas (CTA), Alves Gomes.
Há duas semanas a Comissão Europeia renovou a proibição das transportadoras aéreas certificadas no nosso País de realizar operações no espaço aéreo da Europa. Na altura o presidente do Conselho de Administração(PCA) do Instituto de Aviação Civil de Moçambique(IACM), João de Abreu Martins, explicou que o banimento deve-se à fraqueza da instituição que dirige.
“Nós entramos na lista negra por causa da LAM, o Instituto é um desculpa” esclarece Alves Gomes, piloto, ex-presidente do Aero Clube de Moçambique e vice-presidente da CTA para área da transportes, explicando que o banimento aconteceu na sequência de uma parceria que as LAM iniciaram com a Air Seychelles, em 2010. “A LAM mete-se numa operação para voar para a Europa, porque não tinha meios, com a Air Seychelles, uma subsidiária da Air France. A Air Seychelles veio para cá fazer levantamentos, porque obedece a todos os regulamentos da JAA (acrónimo em inglês da Aliança de Autoridades de Aviação Civil da Europa), uma espécie de ICAO da Europa, e começam a ver os problemas que não eram só na LAM mas também nos aeroportos. Quando eles começam a fazer essas exigências os senhores da LAM, na altura dirigida por José Viegas, quebraram o contrato. A Air Seychelles fez queixa à Air France que apresentou à JAA todos os problemas que a sua subsidiária tinha identificado e entramos na lista negra”.
O nosso entrevistado clarifica que as irregularidades detectadas na altura não se circunscreviam à companhia de bandeira nacional mas incluíam os Aeroportos, outra empresa do Estado, assim como o Regulador da aviação civil no País.
Durante vários anos, “desde a morte do Presidente Samora”, as instituições da Aviação Civil moçambicana receberam recomendações da Organização Internacional de Aviação Civil(acrónimo em inglês ICAO) que eram ignoradas e “se nós não respondemos é porque as aceitamos e a recomendação passa a ser obrigatória, passa a ser compliace como eles dizem, deve ser cumprida”.
“Em 2008 começa a haver um certo aperto por parte da ICAO a nível internacional por causa dos acidentes. A ICAO passou a vir a Moçambique porque os operadores (privados) começaram a refilar, entre eles o Aeroclube e eu Alves Gomes”, acrescenta o nosso entrevistado que não é optimista quanto ao levantamento da proibição por parte da Comissão Europeia.
Na óptica do vice-presidente da CTA para área da transportes “continuamos na lista negra, e nunca mais vamos sair da lista negra” porque o Instituto da Aviação Civil tem muitos trabalhadores mas que “não são qualificados” para a tarefa que têm.
Angola resolveu problema na TAAG, não na aviação civil, e já voa para Europa
Por outro lado persistem problemas de fundo nas LAM, “agora tem um Conselho de Administração sem niguém que perceba de aviação, a nossa aviação civil está entregue à bicharada”.
Foto de Adérito CaldeiraPara corroborar a sua posição Alves Gomes indica o corte de fornecimento de combustível por parte da BP que dura desde Abril. “Eu não voou para Nampula de noite, porque não há combustível em Nampula”, declara acrescentando que os certificados ISO que as Linhas Aéreas de Moçambique tem obtido “não valem nada”.
Enquanto isso o Instituto de Aviação Civil de Moçambique está a investir na formação dos seus quadros e a trabalhar para resolver os mais de 1200 compliances de seguranca que existiam em 2011, quando a proibição iniciou.
“É este o trabalho de fundo, que é um trabalho muito complexo, não é um trabalho de um dia para aqui e que se possa resolver, mas requer muito trabalho. Neste momento posso dizer que o esforço é muito grande, estamos capacitados em termos de recursos humanos e infra-estruturas e todos os técnicos desta instituição estão empenhados na elevação deste percentual para acima de 60%”, declarou João de Abreu em entrevista recente ao @Verdade, onde também deixou claro que não tem previsão para que o nosso País saia da lista negra da Europa.
Por seu turno Alves Gomes insiste que o problema é nas Linhas Aéreas de Moçambique e chama a atenção para a solução encontrada por Angola, que também tinha as suas companhias aéreas banidas de voar para a União Europeia.
Os angolanos contactaram a gigante da aviação civil Emirates que lhes recomendou a contratação de um determinado gestor competente para “organizar a TAAG e só depois a companhia dos Emirados entrou”.
Com esse gestor competente à frente da TAAG, “não da aviação civil, já está” resolvido o problema e a companhia angolana voltou a voar para Europa.

EDITORIAL: Caminhamos alegremente para um abismo

FMI

Como ficamos Mr. Presidente?

01/07/2016

ESTAMOS DE "TANGAS"



Colapso.

Desde o dia 23 de Novembro de 2015, que tenho estado a reflectir, em jeito de contribuição para o debate de ideias,  sobre a crise económica que afecta actualmente  Moçambique. O meu primeiro post dessa época era intitulado:  "Moçambique pode entrar em colapso a qualquer momento".

À época dessa primeira reflexão,  o dólar norte-americano custava   40 e poucos. E pouca gentes, mas  pouca  mesmo, estava  ciente do que estava para acontecer, ou o que levava o dólar a custar 40 meticais.  Posso até garantir que muitos não consideraram a realidade  da situação ao extremo.

Hoje  já é diferente. Custou mas as pessoas despertaram. Percebem que o caos está eminente.

O dólar hoje, no banco,  está cotado a quase  70 meticais,  e a qualquer momento poderá chegar a 80, 90 ou  100 meticais e para que isso aconteça, não falta muito.

Reflectindo

A 15 de Janeiro de 2015, quatro dias antes da tomada de posse do nosso Presidente da República e meu conterrâneo Filipe Nyusi, o dólar estava 32,5 meticais. Hoje custa o dobro desse va
Os produtos da primeira necessidade estão a subir gradualmente. Assim é porque ainda se trata do stock antigo que os comerciantes têm nos seus armazéns. Daqui a nada, a subida não será gradual, mas, sim, galopante. Se não aumentaram os preços de forma arrepiante é porque também tinham medo de sofrer represálias de quem regula este sector.

Estou convencido que dentro de algumas semanas iremos observar uma subida de preços jamais vista em Moçambique.
Não devemos esquecer que 90% dos produtos em Moçambique são importados. 99% da matéria prima usada para vários fins é importado, o combustível é também  importado. Automaticamente,  tudo vai subir, desde os transportes até à alimentação.

A economia moçambicana é dolarizada, o que se chama em linguagem técnica de dolarização, daí que alguns serviços são pagos em dólares, ou seja, o seu cálculo é feito nesta moeda. Temos escolas onde paga-se em dólares, bem como alguns exemplos que ora me ocorrem que são a DSTV  e a Tv Cabo. Com certeza que estes serviços irão aumentar os seus pr

Dívidas
Não vou falar das  dívidas da Ematum e outras, porque este assunto até já virou chacota. Qualquer criança de três anos em  Moçambique, goza com isso.  A verdade é que estas dívidas, de cerca de dois  biliões  de dólares, vão ser pagas. Pode não ser a breve trecho, mas um dia terá de ser e será com juros.

Em Janeiro último, o Banco de Moçambique criou medidas duras sobre  cartões de crédito e débito, muitos até criticaram  Ernesto Gove,  o governador do banco emissor, e  Adriano Maleiane,  o ministro das Finanças. Ao tomarem estas medidas, quase que cirúrgicas,  eles foram  claros: " Não temos divisas, Moçambique não exporta nada ".
A mensagem de que Moçambique estava à beira do caos veio camuflada com a nova norma de que  cada moçambicano só poderia levantar até  um limite de 700 mil meticais.  Algumas pessoas perceberam a  partir desta decisão do Banco de Moçambique que a economia moçambicana estava a agonizar.

Western Union
Todos os moçambicanos que têm algum familiar  no estrangeiro  faziam as suas transferências via Western Union ou Moneygram. Acontece, porém, que  estes já nem querem saber do metical, apenas dólar. Os  que têm necessidade de enviar algum valor para fora, são obrigados a  levar um enorme volume de meticais, trocar em USD no mercado negro, depois fazem as suas transacções normais nestas instituições. E aqui também as transferências são limitadas.

Agências de viagens
odas as  agencias de viagem em Moçambique podem entrar em  ruptura, isto porque quase todas trabalham com a IATA
A IATA deve pagar às companhias aéreas em dólares. Logicamente, a própria IATA, por estas alturas,  tem os mesmos problemas  em adquirir a moeda americana nos bancos, por não haver divisas. E isto pode forçar a  IATA , a qualquer momento, a  suspender os acordos que tem  com as agências de via
Os moçambicanos terão que viajar para África do Sul para adquirir passagens aéreas para outras partes do mundo e as viagens custarão muito mais caras porque a cada dia o metical perde o seu valor.

Mercado negro
Ontem dia 27 de Junho, o BCI vendia o dólar, com comissão,  a 69,300 meticais. No mercado negro, o dólar era vendido a 67,300 meticais. Quer dizer, dois  meticais mais abaixo que o banco. Isto significa que há  escassez da nossa própria moeda, o metical,  nos circuitos normais de circulação. Normalmente deveria ser o contrário, no mercado negro deveria estar a 71 meticais e o banco vender mais baixo.


Financiamento bancário
Os bancos comerciais em Moçambique estão à beira do colapso, não asssumem publicamente apenas porque não têm como devolver o dinheiro dos clientes, estão a ganhar tempo

O banco emprestava dinheiro com uma taxa de juro de  24% ao ano, e só num ano houve desvalorização da moeda em  100% o que. O  banco ganhou neste um ano?

Aliás, as taxas directoras do Banco de Moçambique tem estado a ser actualizadas, isto é, quem tem empréstimos vai pagar mais pelo valor que obteve...

Imobiliária
Os preços de imóveis em seis  meses caíram cerca de 50%. Um apartamento que era vendido por 200 mil dólares, que na altura eram seis milhões de meticais, hoje custa cerca de 95 mil dólares ,  sendo que se trata de um valor proibitivo, ou seja ninguém compra.

Renda
As rendas baixaram acima de 70 % e mesmo assim ninguém quer.
Uma loja que há  15 meses alugava- se por dois mil dólares,  hoje a mesma loja está a 50 mil meticais, valor que não chega 800 dólares e mesmo com este preço a procura diminuiu.

Importação
Como disse anteriormente, as importações já caíram quase  90%, primeiro não há divisas nos bancos para importação, segundo, os comerciantes não têm capital suficiente para importar um contentor que está duas vezes mais caro que o que pagava anteriormente.

Se o comerciante, porventura importar,  corre  o risco de não vender porque o produto custa 130% mais caro do que no passado recente, e ainda porque o vizinho que tem o stock antigo vende 100% mais barato do que  quem importa agora.

Conclusão
Moçambique não está em colapso, Moçambique está de tangas, sinto muito por usar esta expressão " TANGAS".
Sou moçambicano de gema.  Sinto quando vejo compatriotas meus a  sobreviver. Ademais, alguns há que ainda não caíram na realidade e quando isso acontecer, provavelmente vai ser tarde demais. Ou seja, estamos a caminho de termos duas classes: a pobre.

PS: Recebi este texto por email através do meu amigo Kekobad Patel. Não sei quem é o autor. Publico-o porque é simplesmente uma narrativa sincera sobre a crise. Quem lê nossos jornais não encontra este tipo de abordagem sobre a economia real. Até parece que não estamos em crise.