"Deus criou as pessoas para amarmos e as coisas para usarmos, porque então amamos as coisas e usamos as pessoas?"



quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Fraude: o método da Frelimo para “ganhar” eleições

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Canalmoz - 21.11fraude4 Canalmoz - 21.11fraude1 Canalmoz - 21.11fraude2 Canalmoz - 21.11fraude3 Membros do partido Frelimo foram flagrados em Angoche com milhares de boletins de votos já preenchidos a favor do seu partido e candidato a edil e prestes a serem introduzidos nas urnas. A situação depois degenerou na violência e com o delegado de candidatura da ASSEMONA, partido que desvendou a fraude da Frelimo ser detido e agredido pela Polícia.
Assim (ver a foto) ficou o delegado de candidatura da ASSEMONA, Iacumba Ali, o homem que interceptou boletins de voto já preenchidos pelo partido Frelimo em Angoche.
Depois de conseguir arrancar os boletins ao membro do partido, foi detido pela Polícia, espancado e só às 22 horas foi restituído à liberdade e lhe foi passado guia para tratamento hospitalar (ver em enexo).
Em anexo trazemos as evidências materiais: os boletins da fraude, a imagem do homem agredido, o credencial de Iacumba Ali, que o confirma como delegado de candidatura e o guia passado pela Polícia para o seu tratamento após a agressão. (Borges Nhamirre)
CANALMOZ – 21.11.2013
NOTA: Será que não vai haver inquérito e responsabilização de quem desviou estes boletins de voto?
Fernando Gil
MACUA DE MOÇAMBIQUE

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Machado da Graça Novamente

Olá Judite
Como vai a tua vida? Os estudos? Do meu lado tudo bem, felizmente.
E, desta vez, muito contente.
Sabes que descobri que, para além das suas inúme­ras qualidades, que todos
conhecemos, o nosso Chefe de Estado tem mais uma, até aqui desconhecida?
Pois é verdade. Armando Guebuza é não só clarivi­dente e cheio de amor à Paz
como também ubiquo. Sim, tem a extraordinária qualidade de conseguir estar
em dois sítios ao mesmo tempo. E, tens que concordar, para uma pessoa com a
agenda sobrecarregada, como é o caso dele, trata-se de uma qualidade
importantíssima.
Vais-me perguntar como foi que descobri isso, mas eu conto-te:
Como estarás lembrada, o Presidente da República tinha convidado o líder da
Renamo, Afonso Dhlakama, para um encontro, aqui em Maputo, na passada
sexta-feira.
Ora, nesse próprio dia, o porta-voz da Presidência, Edson Macuácua, convocou
uma conferência de imprensa para informar que, fiel ao seu convite, Armando
Guebuza estava no seu gabinete de trabalho, aguardando a chegada de
Dhlakama. E não serei eu quem vai pôr em causa a verdade desta declaração
porque duvidar da palavra do portavoz do Presidente é heresia pouco menor do
que duvidar da palavra do próprio Chefe de Estado.
Portanto, é ponto assente que o mais alto magistrado da nação estava em
Maputo aguardando pelo mais procurado fugitivo da mesma nação.
Ora acontece que, precisamente ao mesmo tempo, centenas de pessoas
assistiam, em Gaza, à inauguração da campanha agrícola do próximo ano.
Inauguração feita, com pompa e circunstância, por Armando Guebuza.
Com discurso a ser transmitido, em directo, pela Rádio Moçambique, ao que me
dizem, porque eu não ouvi.
Portanto, se Edson Macuácua não mentiu e essas pessoas de Gaza também não,
está mais do que provado que o nosso Presidente goza da raríssima qualidade
da ubiquidade. O que, como podes ver, é óptimo para o país.
Daí a minha satisfação.
Um beijo para ti do
Machado da Graça
NB: Mentira tem pernas curtas, o Macuacua e o presidente andam a mentir ao
povo e aí está a prova. Não são sérios na procura da paz, estão apenas
interessados em encher os bolsos a custa de morte dos moçambicanos.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Extrair gás para os outros ficarem com os ganhos
Gás de Pande e Temane
Estudo do Centro de Integridade Pública revela que, apesar de ser o sexto maior exportador de gás natural em África, Moçambique não recebe receita significativa. O gás de Pande e Temane (na província de Inhambane), que rende muitas centenas de milhões de dólares por ano além fronteira, rende menos de 10 milhões anuais aqui em Moçambique. A organização da sociedade civil acusa o governo de ter assinado um segundo contrato, em 2002, manifestamente prejudicial para a economia em termos de arrecadação de receitas
Primeiro grande projecto de extracção de gás natural frustra as expectativas dos moçambicanos”, é o que sugere a mais recente pesquisa do CIP em relação às receitas provenientes do empreendimento da petroquímica sul-africana Sasol, na província de Inhambane.
Lançado na última quarta-feira, o documento deixa claro que a maior parte dos milhões de dólares resultantes da extracção deste recurso vai para a África do Sul, sendo que em Moçambique quase nada fica.
Onde começa o problema?
O estudo do CIP avança que, sem nenhuma justificação plausível, o governo moçambicano decidiu abdicar, em 2002, da partilha de produção de gás natural produzido nos campos de Pande e Temane. Ou seja, o estado moçambicano aceitou não ter o poder de decisão sobre o que fazer com o gás extraído em Inhambane sem contrapartidas concretas em temos de capacidade de arrecadação de receitas para os cofres do Estado.
O CIP entende que o Governo devia ter exigido um aumento compensatório em “royalties” (que é uma taxa de 5% que o Estado ganha na produção global de gás extraído no projecto da Sasol) e taxas de Imposto sobre o Rendimento de Pessoas Colectivas (IRPC).

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

FADM disparam e criam pânico em Gorongosa




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clubofmozambique (2013-11-15) Elementos das Forças Arma­das e de Defesa de Moçam­bique (FADM) disparam, na manhã de ontem, em pleno merca­do municipal de Gorongosa, o que gerou pânico no seio dos populares. Esta é a terceira vez que isto aconte­ce e os munícipes apelam ao Gover­no para que trave esta situação de insegurança.

Os disparos de ontem foram pro­tagonizados por dois militares, que faziam parte de uma coluna de duas viaturas das FADM que seguiam no trajecto Gorongosa - Marínguè.

Dois dos militares, que seguiam na viatura, ao chegarem neste mer­cado, que também é a principal pa­ragem para diversos pontos do país, dispararam dois ou três tiros para o ar e continuaram a marcha natural­mente.

Paulo Estonquene, comerciante em Gorongosa, contou que chegou ao seu posto de venda às 05h55 da manhã. Minutos depois, viu dois carros militares que seguiam em direcção a Marínguè e que no seu interior estavam vários militares. Na última viatura, estavam dois militares aparentemente bêbados. “Mal conseguiam manter-se em pé.
O fim da paz!

O descalabro do processo de diálogo entre o Governo e a Renamo, no Centro de Conferências Joaquim Chissano, afinal de contas, esconde o desejo camuflado de recurso fácil à violência como forma de alcançar objectivos inconfessáveis, estando a nação moçambicana, neste momento, com pouquíssimas chances de continuar a garantir a paz e estabilidade política, o que terá reflexos na paralisação económica e social de um país que, nos últimos 21 anos, conheceu um franco desenvolvimento em vários sectores devido à prevalência da paz.
Desde a quinta-feira da semana passada que o Governo ordenou a concentração de enormes efectivos militares nos arredores de Santhunjira, a base onde se encontrava a residir o líder da Renamo, Afonso Dhlakama, há, precisamente, 12 meses.
De concentração nos arredores da base de Santhunjira, os militares passaram ao ataque directo esta segunda-feira, obrigando Afonso Dhlakama e sua equipa de segurança a refugiar-se nas matas, perigando, em definitivo, a possibilidade de continuação da paz nos moldes em que era usufruída no País.
A acção das forças governamentais configura uma autêntica declaração de guerra contra o líder da Renamo, o que ocorre numa altura em que o Chefe desse Governo proclama intenções de se encontrar com o mesmo líder escorraçado para discutir a paz e a estabilidade política do País.
Custa imenso imaginar como se pode discutir a paz e estabilidade política do País com alguém que está sendo caçado, vivo ou morto, pelo exército governamental, o qual usa, para o efeito, o seu mais sofisticado equipamento bélico, como se estivesse em combate contra exército estrangeiro.
Custa imenso descortinar o real significado do discurso político oficial de paz quando no terreno as acções desenvolvidas são de autêntica guerra. Ou seja, o nosso Governo fala da paz e estabilidade política mas, no terreno, ataca o seu mais directo interlocutor para a paz e estabilidade política, alegando coisas tão irrelevantes, tais como “eles é que foram os primeiros a atacar”.
Ou seja, o exército governamental cria condições objectivas, através de crescente aproximação às imediações do acampamento do líder da Renamo em Santhunjira, para ser atacado pela segurança de Dhlakama e, daí, encontrar um pretexto para pôr em causa os 21 anos de paz e estabilidade política que o País vive.
Estamos profundamente consternados com o evidente retrocesso do clima de paz e estabilidade no País. Pior do que isso, estamos profundamente indignados com a indiferença e o disfarce com que as autoridades governamentais deste País lidam com questões sensíveis de manutenção da paz e estabilidade política, como se possuíssem uma garantia secreta e invisível de que sempre conseguirão fazer o País voltar à normalidade através de uso de armas.
Nós somos, desde sempre, contrários ao uso de armas para matar moçambicanos e, desse modo, fingir-se que se garante a paz e estabilidade política.
Uma paz com vencidos e vencedores é paz precária, é paz podre porque assenta sobre rancores e frustrações dos derrotados, os quais, à mínima oportunidade que tiverem, subvertem os alicerces débeis de tal paz precária.
A verdadeira paz, quanto a nós, é aquela que assenta no consentimento das partes desavindas, aquela que resulta de compromisso e cedências mútuas no processo negocial, aquela que resulta de entendimento e concórdia entre filhos da mesma terra.
Portanto, engana-se quem pense que derrotando, militarmente, um dos lados teremos paz efectiva no País. Antes pelo contrário, o recurso às armas vai gerando um efeito multiplicador de violência, passando, provavelmente, a haver desestabilização à escala nacional, o que obrigará à mobilização de escassos recursos económicos e financeiros para suportar o esforço de guerra, subtraindo tais recursos da satisfação das crescentes necessidades sociais do povo moçambicano.
A deterioração da situação política no País é a marca indelével da falta de inteligência política das nossas autoridades governamentais, as quais preferem recorrer ao mais fácil para não encontrar as soluções que se impõem para os problemas candentes do povo moçambicano.
Aliás, o que faz com que só agora o Governo ordene o ataque a Santhunjira? Que elemento novo surgiu no cenário político nacional que aconselha o uso de força contra Santhunjira neste momento?
Será que a acção do Governo, que ocorre precisamente a escassos 15 dias de arranque de campanha eleitoral para as autárquicas, pode ser interpretada como um gesto demonstrativo de que o Executivo quer as eleições autárquicas de 20 de Novembro ou, possivelmente, pretende ocupar-nos com os ataques à base central de Dhlakama e, desse modo, concluirmos todos que não há clima para haver eleições autárquicas no dia 20 de Novembro?
É que, de facto, nós não estamos a perceber por que só agora é importante atacar Dhlakama, um Dhlakama que vem demonstrando, ultimamente, uma retórica cada vez mais reconciliatória e de adesão consequente à paz e ao diálogo político.
Seja qual for a justificação que se avançar, a mesma será insuficiente para restabelecer a paz e a confiança política que já se solidificava entre os dois principais parceiros da paz em Moçambique, nomeadamente o Governo e a Renamo.
É que, independentemente da vontade de quem quer que seja, o Governo e a Renamo são os dois parceiros da paz em Moçambique e jamais será possível garantir esse bem precioso humilhando e matando um dos lados. O Governo e a Renamo são os dois pólos obrigatórios para que haja corrente eléctrica da paz em Moçambique, sendo que a falha ou eliminação de um dos pólos acarreta consequências inimagináveis para o bem-estar geral de todos os moçambicanos, beneficiários directos dessa corrente eléctrica da paz.
A estorieta do porta-voz do Ministério da Defesa Nacional de que as FADM sempre agiram em perseguição dos guerrilheiros que lhes atacaram não cola nem colhe relevância nenhuma, uma vez que as unidades das FADM criaram condições objectivas bastantes para que fossem atacadas, a fim de realizar seus intentos de ocupação da base do líder da Renamo.
Não faz nenhum sentido, em termos militares, alguém ir acampar, com todo o seu arsenal bélico, na porta da casa do outro, advertindo-o que em caso de ataque irá reagir usando o poderio militar em exibição. Isso chama-se grosseira provocação, que se faz, apenas, com o intuito de atacar e subjugar o outro, numa altura em que o Comandante-Chefe das mesmas FADM diz precisar desse outro para um encontro ao mais alto nível. Até parece uma brincadeira de crianças!
Há ou não há vontade política para se construir uma paz baseada no diálogo?, eis a questão, que deve ser respondida, não só com retórica em comícios populares mas, sim, com acções concretas visíveis a olho popular.
A presente situação, de crescente provocação e humilhação militar de um dos parceiros fundamentais da paz em Moçambique, vai descambar num ciclo de violência à escala nacional, que os mandantes da provocação não estarão em altura de travar e solucionar, o que vai sobrar para o martirizado povo moçambicano.
A maior desgraça do povo moçambicano é não possuir forças vivas da sociedade capazes de se erguerem e pararem com o desgoverno da sua vida!
O reino de Gueus! (#canalmoz)

Maputo (Canalmoz) –
Quando entreguei a primeira versão do texto, o revisor chamou-me a informar que havia um erro na titulagem, e que, em bom português, diz-se ou se escreve “Reino de Deus” e não “Reino de Gueus”. E o revisor tinha a sua razão. Mas depois de uma explicação, compreendeu o atento revisor que estávamos a tratar de um outro reino, não muito celestial quanto ao de Deus, o verdadeiramente Todo o Poderoso.
Gueus é a palavra-valise ou amálgama de “Guebuza” e “Deus” numa única entidade. Assim temos: “Gue” de Guebuza e “eus” de Deus.
Gueus é uma entidade que foi desenvolvida nos últimos nove anos e foi sendo aperfeiçoada nos últimos três. E nos últimos meses, Gueus tem estado a ser pregado e adorado em clima de Pentecoste. Pelo andar da carruagem da propaganda a Gueus, eu, pessoalmente, fico com receios de que num futuro muito próximo produzam uma espécie de uniforme para vestir os moçambicanos, com a fotografia de Gueus estampada nas costas e no peito. Imagine, então, caro leitor, que cada moçambicano tenha de colocar o uniforme “Gueus” antes de sair de casa. Imagine-se dentro do referido uniforme a fazer as suas actividades diárias, e com pautas indicativas de que quem não tiver uniforme “Gueus” e andar nas ruas será detido por desobediência “espiritual e civil”.
Pelo nível de intensidade da propaganda avoluma-se o meu receio que se possa chegar a tão drástica medida de exaltação.
Falo de propaganda em clima de Pentecoste porque as porções da unção têm sido derramadas aos cântaros que os crentes entram em delírio colectivo com palavras de ordem que se resumem em “adora a Gueus, ou te assassinamos o carácter”. Aí não tens como. É normal que, pelo simples facto de não concordares com a forma como Gueus governa o seu reino, seres chamado de antipatriota e saudosista. No reino de Gueus os patriotas são os que adoram a mediocridade, o roubo, a corrupção, a incompetência e a falta de sentido de Estado.
Gueus não é Deus. Nem quase Deus. Gueus falha quase que sempre mas acredita e manda dizer que não falha. Está Gueus, por isso, religiosamente, sempre “correcto”. Gueus não aceita crítica nem confrontação. Gueus é uma réplica falhada de Deus. Se Deus ama e, por isso, mesmo também é amado pelo seu reino, Gueus não ama e quer ser amado a todo o custo pelo seu reino. Gueus é falado em todo o lado, pelas piores razões.
Gueus é um narcisista por natureza. Por isso mesmo, nessa avidez de querer ser amado sem merecer, Gueus acaba perdendo a cabeça e insulta aos que em nome da racionalidade não o cultuam.
Gueus é a semelhança de Deus, uma entidade suprema, mas ao seu nível. Por ser também supremo é adorado, exaltado em cultos de louvores, só que, contrariamente a Deus verdadeiro, os cultos a Gueus são replicados até na Imprensa e com alguma dose de delinquência. Gueus não governa. Prioriza grupos de choque que pululam nas TVs rádios e jornais e redes sociais a falarem enormidades que materializam o insulto à mais mediana racionalidade. E esta irracionalidade em jeito de análises feitas pelo espiritual exército de Gueus é servida por uns jornais, rádios, televisões e agências do Estado que personificam a vergonha em qualquer País civilizado.
Gueus tem um extraordinário domínio do vocábulo do vilipêndio e arruaça. Quem ousa em não adorar a Gueus é imediatamente abençoado com um título vilipendioso: “apóstolo da desgraça”, “tagarela”, “órfão de patrão estrangeiro”, ou mesmo “louco”. Mas entende-se: Gueus tem problemas elementares de educação que, com a idade, já não vamos a tempo de corrigir.
Gueus é verbalmente pela paz, mas materialmente pela destruição. Gueus tem um fascínio pelo belicismo. Quando há troca de tiros onde morrem inocentes, Gueus não se comove. Diz que é um teste à nossa moçambicanidade, como que se houvesse uma outra moçambicanidade à prova de balas. Gueus é, por isso, um ser estranho e provavelmente maníaco, pela forma como banaliza a morte. Sobre este último, não temos certeza.
Gueus anuncia diálogos na Imprensa, e ordena ataques militares no exercício a seguir. Gueus também tem tiques de mafioso. Marca um dia para se encontrar com o líder da Renamo e no tal dia viaja para um outro lugar e manda anunciar que o líder da Renamo faltou, quando, na verdade, Gueus é quem mandou o convite às 16 horas do dia anterior.
Por ser contrário a Deus, Gueus cultiva o cinismo e o ódio. Fala e manda falar coisas que ele próprio não acredita. Gueus encontrou um país em paz e certamente vai deixá-lo em chamas.
Gueus estranhamente não sabe o que está mal, e dá entrevistas a desafiar as pessoas a apontarem o que está mal. Mas quando as pessoas apontam o que está mal, como, por exemplo, os excessivos e promíscuos negócios do próprio Gueus que estão a levar o Estado à falência, o apadrinhamento da corrupção e do roubo do dinheiro público, Gueus zanga-se. Gueus é também um analista político por tendência. Mas em regime de estágio. Gueus faz mais “análises” que governa. Analisou a pobreza quem ele próprio tem produzido e chegou à conclusão que ela está na cabeça dos moçambicanos. Um reino governado nesses moldes é materialmente falhado. É duma casta com vocação para o paternalismo destrutivo que nasce o reino de Gueus. E o povo moçambicano, certamente, merecia sorte melhor. (Matias Guente)

segunda-feira, 11 de novembro de 2013


CARTA ABERTA

Senhor Presidente, você está fora de controlo. Depois de ter gasto um mandato inteiro a inventar insultos para quem quer que seja que tenha ideias sobre os problemas nacionais, em vez de criar oportunidades para beneficiar da experiência e conhecimentos dessas pessoas, agora você acusou os media de serem culpados da crise política... nacional e mandou atacar as sedes políticas da RENAMO.
A crise político-militar que se está a instalar a grande velocidade faz lembrar as antecâmaras do fascismo. Em situações semelhantes, Hitler e Mussolini, Salazar e Franco, Pinochet e outros ditadores militares latino-americanos, Mobutu e outros ditadores africanos, foram instalados no poder, defendidos pelo grande capital enquanto serviam os interesses desse grande capital, e no fim caíram.
Será que você, senhor Presidente, se prepara para a fascização completa do País? Destruir a RENAMO, militarmente, é um pretexto. Fazer renascer a guerra é um pretexto. Parte do problema dos raptos - não todo - e do crime e caos urbano é um pretexto. Permitir a penetração da Al Quaeda em Moçambique é um pretexto. Pretexto para quê? Para suspender a constituição e aniquilar todas as formas de oposição, atirando depois as culpas para os raptores e outros criminosos e terroristas, ou para aniquilá-los em nome da luta pela estabilidade.

Senhor Presidente, você pode estar a querer fascizar o País, mas não se esqueça que a sua imagem e a do seu partido estão muito descredibilizadas - por causa de si e do seu exército de lambe botas. E essa credibilidade não se recupera com palavras e com mortos. Só se pode recuperar com a paz e a justiça social. O que prefere, tornar-se num fascista desprezível e, a longo prazo, vencido? Ou um cidadão consciente e responsável que defendeu e manteve a paz e segurança dos cidadãos, evitando a guerra e combatendo o crime?

Senhor Presidente, você tem que ser parte da solução porque você é uma grande causa do problema. Ao longo de dois mandatos, quem se rodeou de lambe botas que lhe mentem todos os dias, inventam relatórios falsos e o assessoram com premissas falsas? Quem deu botas a lamber e se satisfez com isso, com as lambidelas? Quem se isolou dos que realmente o queriam ajudar por quererem ajudar Moçambique e os moçambicanos, sem pretenderem usufruir de benefícios pessoais? Quem preferiu criar uma equipa de assessores estrangeiros ligados ao grande capital multinacional em vez de ouvir as vozes nacionais ligadas aos que trabalham honestamente? Quem insultou, e continua a insultar, os cidadãos que apontam problemas e soluções porque querem uma vida melhor para todos (mesmo podendo estar errados, honestamente lutam por uma vida melhor para todos)?

Quem acusa os pobres de serem preguiçosos e de não quererem deixar de ser pobres? Quem no princípio e fim dos discursos fala do maravilhoso povo, mas enche o meio com insultos e desprezo por esse mesmo povo?

Quem escolheu o caminho da guerra e a está a alimentar, mesmo contra a vontade do povo maravilhoso? Quem diz que a guerra, e o desastre humanitário a ela associado, é um teste à verdadeira vontade de paz do povo maravilhoso? Por outras palavras, quem faz testes políticos com a vida do povo maravilhoso? Quem deixa andar o crime, a violência e a pobreza, quem deixa andar a corrupção, o compadrio e as associações criminosas? Quem nomeia, ou aceita a nomeação, de um criminoso condenado a prisão maior para comandante de uma das principais forças policiais no centro do país?

Quem se apropria de toda a riqueza e ao povo maravilhoso oferece discursos e desse maravilhoso povo quer retirar (ou gerir, como o senhor diz) qualquer expectativa? Quem só se preocupa com os recursos que estão em baixo do solo, mandando passear as pessoas, os problemas e as opções de vida construídas em cima desse solo? Quem privatiza os benefícios económicos e financeiros dos grandes projectos, e depois mente dizendo que ainda não existem?

Quem se defende nos media internacionais dizendo que passou todos os seus negócios para os familiares enquanto é presidente - e quem é suficientemente idiota para aceitar isto como argumento e como defesa?

Quem divide moçambicanos em termos raciais e étnicos, regionais e tribais, religiosos e políticos - já agora, o que são moçambicanos de gema? Serão os autómatos despersonalizados e ambiciosos que nascem das gemas dos seus patos? O que são moçambicanos de origem asiática, europeia ou africana - são moçambicanos ou não são?

Quem ficou tão descontrolado que hoje acusa os media de serem criadores do clima que se vive no país - foram os media que se apropriaram das terras, iniciaram uma guerra, deixam andar o crime urbano e foram pedir conselhos ao Zé Du? Que tipo de media você quer? Um jornal notícias que não tem uma referência destacada a três grandes manifestações populares pela paz e segurança e justiça social que aconteceram ontem no nosso país, embora tenha uma notícia sobre manifestações contra violações no Quénia? Porque é que as manifestações dos outros são verdade e as nossas mentiras?

E, já agora, senhor Presidente, pode esclarecer-nos quem matou Samora?

Senhor Presidente, você não merece representar a pérola do Indico nem liderar o seu povo maravilhoso. E desmerece-o mais cada dia. Você foi um combatente da luta de libertação nacional e um poeta do combate libertador, mas hoje não posso ter a certeza que liberdade e justiça tenham sido seus objectivos nessa luta heróica.

O povo maravilhoso, ontem, prestou homenagem a Moçambique, a Mondlane e Samora, aos valores mais profundos da moçambicanidade cidadã e da cidadania moçambicana. Foi bonito ver as pessoas a manifestarem-se por causas justas comuns, a partilharem a água e as bolachas, a abraçarem-se e distribuírem sorrisos, a apanharem o lixo que uma tão grande multidão não poderia deixar de criar. Foi bonito ver quão bonitos e cívicos Moçambique e os moçambicanos, na sua variedade, são. Foi bonito ver os cidadãos aplaudirem a polícia honesta e abraçarem os seus carros, e os polícias absterem-se de atacar os cidadão. Foi bonito ver que conseguimos juntar uma multidão consciente, cívica e honesta, que o seu porta voz partidário, Damião José, foi incapaz de desmobilizar. Foi bonito ver a bandeira e o hino nacionais a cobrirem todos os moçambicanos, moçambicanos que são só moçambicanos e nada mais.

E no seu civismo e afirmação da cidadania moçambicana, esta multidão para si só tinha três palavras: "fora, fora, fora". Tenha dignidade e, pelo menos uma vez na vida, respeite os desejos do povo. Reúna os seus patos e saia, saia enquanto ainda há portas abertas para sair e tempo para caminhar. Não tente lutar até ao fim. Isso só vai trazer tragédia, mortes e sofrimento para todos e, no fim, inevitavelmente, você e todos os outros belicistas, criminosos e aspirantes a fascistas, sejam de que partido forem, serão atirados para o caixote do lixo da história. Saia enquanto é tempo, e faça-o com dignidade. Ninguém se esquecerá do que você fez - de bem e de mal - mas perdoá-lo-emos pelo mal por, pelo menos no fim, ter evitado uma tragédia social e saído com dignidade.

Que, pelo menos, o seu último acto seja digno e merecedor deste povo maravilhoso. E, enquanto se prepara para sair, por favor devolva ao país e ao Estado a riqueza de que você, a sua família e o seu grupo de vassalos e parceiros multinacionais se apropriaram. Leve os seus patos mas deixe o resto. E, por favor, use as presidências abertas, pela última vez, mas para se despedir, pedir desculpas e devolver a riqueza roubada.

Saia, senhor Presidente, enquanto ainda é suficientemente Presidente para sair pelas suas próprias pernas.
Você sabe, de certeza, o que quer dizer "A Luta Continua!" Então, saia.
E não perca tempo a abater ou mandar abater ou encorajar a abater ou deixar abater alvos seleccionados, sejam eles quem forem. O sangue de cada um desses alvos só vai engrossar ainda mais o rio em cheia que o atirará a si, e seus discípulos, como carga impura, para as margens do rio poderoso fertilizadas pela luta popular. O povo não morre, e é o povo, não um alvo seleccionado, seja quem for, quem faz a revolução. Não se esqueça que a fúria do rio em cheia é proporcional à água que nele flui e à pressão que sobre ele exercem as margens opressoras.

Senhor Presidente, não tente fascizar Moçambique. Se o fizer, pode levar tempo, podem muitas vidas ser encurtadas pelas suas forças repressivas de elite, mas se seguir este caminho, você sairá derrotado. A história não perdoa.
Adeus, senhor Presidente, vá descansar na sua quinta com a sua família e dê à paz e à justiça social uma oportunidade nesta pérola do Índico e em benefício do seu maravilhoso povo. Por favor.
Não lhe queremos mal. Mas, acima de tudo, queremos a paz e que os benefícios do trabalho fluam para todos.

Carta Aberta - Por Carlos Nuno Castel-Branco