"Deus criou as pessoas para amarmos e as coisas para usarmos, porque então amamos as coisas e usamos as pessoas?"



segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

BIM- UM BANCO DE RACISMO, DESCRIMINACAO E BAIXOS SALARIOS

12/12/2011

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

GUEBUZA CONFERENCIA COM DHLAKAMA EM NAMPULA

08-12-2011 18:09:04

Por Fátima Mimbire, da AIM, em Nampula

Nampula (Moçambique), 8 DEZ (AIM) - O Presidente da República, Armando Guebuza, reuniu-se hoje, na cidade de Nampula, província do mesmo nome, no norte de Moçambique, com o líder da Renamo, o maior partido da oposição no país, Afonso Dhlakama.

O encontro realizou-se a pedido de Dhlakama e e' o primeiro em privado desde que Guebuza tomou posse como Chefe de Estado em 2005.

No fim do encontro, Dhlakama, que fixou residencia em Nampula em 2009, disse a jornalistas que foram discutidos vários assuntos de indole politico, social e económico.

“Acabei de falar com o Presidente da República, que ao mesmo tempo é Presidente da FRELIMO, sobre aspectos que afectam o país ao nível político, económico, social e democrático, reconciliação nacional neste país”, disse.

Dhlakama considera que a conversa 'foi boa porque o Presidente da República ouviu e tomou nota sobre todas as questões tratadas, tendo se chegado ao consenso de criar equipas de trabalho que vão tratar dos assuntos que preocupam a Renamo'.

Afirmou que houve consenso de que vai haver grupos de trabalho constituídos por representantes da Frelimo e da Renamo que irão prosseguir com dialogo para resolver problemas do país.

“Vai haver um grupo de trabalho para continuar o diálogo entre a Frelimo e a Renamo porque há agenda que deve ser esgotada. Temos tido problema de fraudes em Moçambique e é preciso parar com isso porque não podemos continuar a chamar Presidente da Republica a pessoas que ganham na base de enchimento de urnas. Tive coragem de lhe dizer para pararmos e criarmos uma base para a democracia', disse Dhlakama.

'Falei-lhe das Forças Armadas de Defesa de Moçambique, sabe que a Renamo meteu os seus homens após o Acordo Geral de Paz e a Frelimo já retirou os nossos oficiais todos e só ficaram lá os da Frelimo. Os da Renamo que ficaram lá são usados apenas como ajudantes dos comandantes da Frelimo. Isso não pode acontecer e tem que mudar', detalhou.

Dhlakama acrescentou que tambem falou com o Presidente Guebuza sobre a alegada partidarização do Aparelho do Estado.

'Para ser professor do ensino primário é preciso ser membro do parido Frelimo e isto tem que mudar porque o país tem intelectuais que estão a estudar mas estão a abandonar o país porque não querem ser políticos, porque para continuarem a trabalhar devem ser do partido. E tem que haver uma acção de despartidarização nas escolas, hospitais, tribunais e até nas empresas privadas”, referiu.

A questão dos mega-projectos também constou na lista dos assuntos debatidos entre Guebuza e Dhlakama, segundo este, uma vez que a Renamo considera que só beneficiam os membros da Frelimo.

“Os mega-projectos só vão para a Frelimo e seus membros quando vocês, os outros moçambicanos e eu também queremos virar empresários”, disse.

No encontro, Dhlakama disse que também falou-se das eleições, particularmente no que se refere à revisão do pacote eleitoral, a composição dos órgãos de administração eleitoral e das mudanças que, na perspectiva da Renamo, devem ser revistas para conferir mais transparência e credibilidade aos processos.

“Falamos muito de fraude. Há discussão da revisão da lei eleitoral e não há consenso porque a Frelimo quer manter o artigo 85 que oficializa a fraude. O artigo diz claramente que conta-se aquilo que foi encontrado na urna, o que quer dizer que se as pessoas nao foram votar num determinado posto de votação, mas abrindo a urna e forem encontrados um milhão de votos eles são reconhecidos. É preciso se chegar a um acordo neste aspecto e mudar as coisas”, defendeu.

“O Secretariado Técnicio de Administração Eleitoral (STAE) é um órgão importante de apoio da Comissão Nacional de Eleições (CNE), que prepara todo o processo eleitoral, mas é composto só por membros da Frelimo disfarçados em funcionários do Estado. Nós dizemos que não devemos partidarizar os órgão de administração eleitoral e se os funcionários são todos membros da Frelimo temos que despartidarizar o Aparelho do Estado para que estes órgãos desempenhem o seu papel”, argumentou o líder da Renamo.

Apesar deste encontro, em que a Renamo foi apresentar as suas preocupações ao Chefe de Estado, Dhlakama insiste que as manifestações ainda podem acontecer no país neste mês de Dezembro.

“Pode haver manifestações sim. Neste encontro não se acordou o fim das manifestações. Se até lá as coisas desenvolverem bem... Estes encontros são para chegar a um acordo e as manifestações são uma forma de fazer pressão para a Frelimo aceitar o que nós queremos”, declarou.

Dhlakama manifestou-se satisfeito com a abertura do Presidente da Republica e disse acreditar que este encontro vai produzir bons resultados.

'Está é a primeira vez que conversamos e tiramos fotografias', disse.

De referir que o Chefe do Estado mocambicano, Armando Guebuza, já convidou o líder da Renamo para alguns encontros aos quais Dhlakama preferiu não comparecer.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Há má interpretação do regulamento de avaliação

Samaria Tovela
Samaria Tovela, nega que os problemas da fraca qualidade do ensino estejam ligados ao currículo em vigor.
A actual reitora do Instituto Superior de Tecnologia e Gestão (ISTEG), Samaria Tovela, e uma das pessoas que estiveram envolvidas na concepção do currículo do ensino básico, em vigor, nega que os problemas da fraca qualidade do ensino estejam ligados ao currículo em vigor. No seu entender, há má interpretação do currículo em relação ao capítulo de progressão por ciclo de aprendizagem.  Para Samaria, o regulamento de avaliação não diz que o estudante deve passar mesmo não sabendo, mas que, até determinado nível, a criança deve adquirir algumas competências. Por exemplo, está previsto que até 6ª classe uma criança deve estar capaz de fazer leitura, operações básicas de matemática e habilidades linguísticas. Se as crianças passam sem saber, a culpa é do professor que as deixa progredir sem que tenham competências exigidas.
“Temos alunos da 6ª classe sem competências básicas. Não sabem ler, escrever, nem identificar letras. Isso significa que essas crianças passam pelo primeiro ciclo de ensino sem capacidade exigida para o efeito”, afirmou.
Samaria Tovela aponta dois aspectos que julga estarem directamente ligados à fraca qualidade da educação. O primeiro tem que ver com a fraca formação do professor e o outro com a gestão pedagógica. Quando o professor não está devidamente formado, explica, o resultado vai reflectir-se no aluno.  Por outro lado, quando não há uma boa gestão pedagógica, igualmente, os resultados reflectem-se na qualidade do estudante. Para a reitora do ISTEG, muitos dirigentes das escolas, muitas vezes, não fazem uma devida gestão pedagógica. “É normal chegar a uma escola e não encontrar o director pedagógico e nem o seu adjunto (...)”.

Fraca qualidade do ensino resulta da má formação do professor e da gestão pedagógica


Académicos apontam os problemas que estão na origem da fraca qualidade do ensino
“Temos alunos da 6ª classe sem competências básicas. Não sabem ler, escrever, nem identificar letras. Isso significa que essas crianças passam pelo primeiro ciclo de ensino sem capacidade exigida para o efeito”.
Num debate bastante concorrido, realizado ontem, em Maputo, quatro académicos nacionais apontaram as principais causas da fraca qualidade do ensino no país. Das várias causas, constam a má formação de professores, as suas condições sociais, a insuficiência das condições infraestruturais básicas, além da ineficiente gestão pedagógica pelas direcções das escolas.
O outro aspecto que tem sido apontado relaciona-se com a falta de consistência dos programas de formação de professores. Por exemplo, um estudo levado a cabo pelo professor Adriano Niquice concluiu que os sistemas de educação em Moçambique foram mudados cerca de 20 vezes, em 36 anos da independência. Isto significa que o sistema de ensino nacional muda em cada um ano em meio. Hoje, a formação do professor obedece ao modelo 10ª+1 e 12ª+1.
As quatro dimensões
Na sua apresentação, o Professor José Castiano disse que, da investigação que efectuou ao sistema do ensino nacional, sobretudo na questão dos problemas que estão na origem da sua fraca qualidade, concluiu que, para se ter um melhor sistema de ensino, é necessário desenvolver a formação do professor em quatro dimensões societais, nomeadamente: cognitiva (dimensão do saber); do saber fazer; axiológica (relativa aos valores e à dignidade); e ontológica (que diz respeito ao saber ser).
Castiano afirmou que, em relação à primeira dimensão, é preciso fazer leituras das sociedades antes de se ler a escola em relação à qualidade da educação. Conforme referiu, nas suas leituras baseadas no estudo que tem vindo a fazer, conclui que, nas zonas urbanas, a sociedade reclama que as crianças não sabem ler nem escrever (portanto, não têm conhecimento, o saber) e, logo, a qualidade do ensino é fraca. No entanto, nas zonas rurais, a sociedade diz que a qualidade do ensino é boa.
Relativamente à segunda dimensão, o problema que levanta tem que ver com a componente prática, pois quer no campo como na cidade, a percepção é a mesma: os formados não sabem fazer. “Se quisermos ter qualidade no futuro, devemos olhar para que áreas devemos investir”, disse Castiano.
Para este académico, é preciso que a sociedade não abdique dos seus valores sociais. Esse aspecto deve também nortear a formação do professor. É que essa dimensão axiologia expressa os valores que as crianças têm ou adquirem na escola. “Os pais dizem que os alunos não têm respeito, não respeitam as pessoas adultas, as cerimónias fúnebres, etc. Essas queixas são muito frequentes nas zonas rurais”, sublinhou Castiano, adiantando ser preciso um questionamento sobre como formar um cidadão que seja activo e participativo e que saiba respeitar a dignidade do outro. 

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Corrupção continua alta no país

Os dados do levantamento para 2011 feito pela organização anti-corrupção Transparência Internacional (TI), divulgados ontem, em todo o mundo, mostram que com uma pontuação global de 2.7 pontos, e posicionando-se no 120º lugar, numa classificação em que o mais corrupto se situa no 182º lugar, Moçambique manteve em 2011 a mesma pontuação de 2010 no IPC, um ranking onde o mais corrupto recebe 0 ponto e o mais limpo 10. Um comunicado do Centro de Integridade Pública refere que o lugar de Moçambique em 2011 sugere que o país contínua, em termos de classificação, a registar um comportamento sobe-desce, na mesma zona vergonhosa, mais por via da entrada ou saída de países neste índice composto de medição da corrupção no mundo inteiro, do que propriamente por a situação da corrupção estar a melhorar.

Movitel começa a operar no país a 8 de Janeiro


Nos seus primeiros três anos de actividade, a Movitel pretende cobrir cerca de 80% da população, sendo que até ao quinto ano espera ter um número de clientes que ascende à fasquia dos 10 milhões, com base no investimento de pelo menos 400 milhões de dólares norte-americanos.
Até 8 de Janeiro já será possível falar na terceira operadora móvel no país. A Movitel já garantiu a data do início das suas operações em Moçambique e, logo à partida, propõe-se, com o prefixo “86”, a alargar o acesso aos serviços de telefonia móvel às populações de baixa renda, sobretudo nas zonas rurais.
Com capitais mistos moçambicanos (através da SPI numa margem de 30%) e vietnamitas (através da Viettel em 70%), esta terceira operadora de telefonia móvel a entrar no país pretende ainda transformar em bens básicos todos os serviços passíveis de serem fornecidos sob a plataforma de telefonia móvel, tendo como ponto de partida o acesso à internet.
Nos seus primeiros três anos de actividade, a Movitel pretende cobrir cerca de 80% da população, sendo que até ao quinto ano espera ter um número de clientes que ascende à fasquia dos 10 milhões, com maior enfoque para as zonas rurais.
Com efeito, a Movitel vai investir pelo menos 400 milhões de dólares norte-americanos no país. Este investimento terá como objectivo revolucionar a indústria de telefonia móvel, prestação de serviços de qualidade e uma maior cobertura nacional.
A competitividade no preço é uma outra aposta desta companhia, facto que vai contribuir para a materialização do objectivo de maior cobertura e acessibilidade a todos os extractos sociais, independentemente da sua distribuição geográfica. É neste sentido que esta companhia de telefonia móvel pretende liderar o processo de desenvolvimento sustentável das telecomunicações, usando este meio para influenciar a qualidade de vida das pessoas e usar destes serviços como um instrumento de promoção do desenvolvimento das comunidades.