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| Escrito por Adérito Caldeira em 28 Novembro 2018 |
A proposta de revisão pontual da Lei do Trabalho que não é consensual entre o Governo, patrões e sindicatos traz alguma inovações que poderão beneficiar aos trabalhadores moçambicanos. O @Verdade apurou que poderá ser “proibido ao empregador ou qualquer outra pessoa, proceder à revista física ao trabalhador”, deverá ser introduzida “uma licença por paternidade” e existe uma tentativa de prevenir ainda mais o assédio sexual no sector laboral em Moçambique.
Dez anos depois da entrada em vigor da Lei n.º 23/2007 o Executivo de Filipe Nyusi decidiu avançar para uma revisão pontual que inicialmente deveria estar pronta à tempo de ser aprovada ainda este ano pela Assembleia da República.
Embora a Organização dos Trabalhadores de Moçambique tenha inicialmente considerado que a revisão poderá “precarizar ainda mais os postos de trabalho” e serviria para “acomodar os interesses das multinacionais” o Anteprojecto a que o @Verdade teve acesso mostra inúmeras melhorias na protecção dos trabalhadores moçambicanos.
Com a proposta pretende-se introduzir o Direito ao trabalho onde com destaque “ao dever de trabalhar, sem prejuízo das limitações decorrentes da redução da capacidade para o trabalho em virtude de doença profissional ou comum ou ainda de invalidez.”
Será também salvaguardado os Direitos de personalidade sendo “reconhecida a liberdade de expressão, opinião e de informação.”
No Anteprojecto revisto em meados de Outubro pretende-se alargar o Direito à privacidade passando a ser “proibido ao empregador ou qualquer outra pessoa, proceder à revista física ao trabalhador, quer na entrada como na saída, revistando a sua pasta, bolsa, mala ou qualquer outra espécie de recepiente destinado a guardar objectos pessoais”, salvaguardando “As empresas cuja natureza necessita de medidas adicionais de controlo de entrada e saída de pessoas, bens e produtos, devem criar condições para existência de meios de verificação não intrusivos.”
Será ainda “proibida a realização de testes e exames médicos ao candidato a emprego ou ao trabalhador visando apurar o seu estado sobre o HIV/SIDA.”
Pai passará a ter “direito a uma licença por paternidade
A proposta que ainda está a ser apreciada e harmonizada pelo Governo, patrões e sindicatos vai incorporar algumas das medidas do novo Regulamento da Segurança Social Obrigatória como são os casos do alargamento da licença por maternidade de 60 para 90 dias consecutivos assim como a determinação da idade da reforma obrigatória que é de 65 anos para o homem e 60 anos para a mulher.
No âmbito da revisão pontual o pai passará a ter “direito a uma licença por paternidade de sete dias, de dois em dois anos, cujo gozo deve ser iniciado no dia imediatamente a seguir ao nascimento do filho”. Além disso, a licença de paternidade deverá ser ainda “concedida por sessenta dias nos casos de morte, incapacidade, seja temporária ou definitiva, física ou psíquica da progenitora, devidamente comprovada por entidade competente.”
A futura Lei do Trabalho pretende ainda acompanhar os movimentos de protecção das mulheres e propõe dois pontos para reforçar prevenção do assédio sexual detalhando as suas manifestações: “Considera-se assédio, qualquer comportamento concatenado e inconveniente, designadamente o que tenha por base em factor de discriminação, que seja praticado no momento de acesso ao emprego ou ainda no próprio emprego, trabalho ou formação profissional com a finalidade de abalar, causar perturbação ou constrangimento a determinada pessoa com gestos, palavras ou violência, atingindo a sua dignidade, ou originando ambiente laboral intimidativo, discriminatório, humilhante ou vexatório, hostil, desestabilizador da saúde física e psíquica”.
Ademais “Constitui assédio sexual todo o acto constrangedor de determinada pessoa, feito com gestos, palavras ou com o recurso a violência que visa obter favorecimento ou vantagem sexual.”
O @Verdade sabe que esta proposta de revisão pontual deverá ser submetida ao Conselho de Ministros ainda antes do final deste mês para que possa ser aprovada e posteriormente incluída no rol de matérias que os deputados deverão apreciar e aprovar durante a VIII Sessão Ordinária da Assembleia da República que decorre até 20 de Dezembro próximo.
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Contam-se 40 casas incendiadas, gente carbonizada e famílias ao relento. Depois do ataque, que apanhou desprevenidos os residentes e as unidades do exército que patrulham lugares vulneráveis em Palma, Meluco, Macomia e Nangade. Populares decidiram partir para uma perseguição nas matas, culminando com a captura dos 7 rapazes. Segundo “Carta” apurou, entre os capturados consta um indivíduo que terá morto um seu irmão, um agente económico local e um seu tio, de quem ter-se-á apoderado de bens e uma soma não quantificada em dinheiro.
Uma fonte local assegura que os bens e o dinheiro roubados foram encontrados na posse do homem detido. Este é o terceiro ataque ocorrido no distrito de Nangade, desde que os alegados insurgentes iniciaram suas incursões em Cabo Delgado o ano passado.
O cenário na região é dramático, diz uma fonte integrante de um dos governos dos distritos afetados. Mas há também uma clara orientação, não se sabe de quem, para que os incidentes não sejam amplamente divulgados pela comunicação social. A população vive em pânico, entre um profundo sentimento de falta de proteção e o voluntarismo para a autodefesa e perseguição dos insurretos, se for o caso. Em Pundanhar, a 60 kms de Palma, no início de Outubro deu-se o roubo massivo de mandioca numa machamba. 200 Kg foram surripiados. O “modus operandis” suscitou a suspeita de que os autores do roubo tinham sido alguns representantes dos insurgentes. Populares foram ao encalce e prenderam 3 rapazes, que alegadamente confessaram ser integrantes dos que desafiam com violência o Estado em Moçambique. Eles foram entregues à Policia, tal como os detidos de ontem em Squaia.
Nangade dista 100 kms de Palma, o centro das atividades da indústria extrativa em Cabo Delgado, onde trabalham milhares de estrangeiros nas operações da ENI, Anadarko e Exxon Mobile. Palma ainda não foi alvo de ataques. O centro das operações de patrulha do exército está localizado neste distrito. A partir dali tem havido patrulhas constantes e investidas na mata para a caça ao homem mas sem um efeito dissuasor efetivo. Os insurgentes, explicou uma fonte, melhoraram seus sistemas de informação, que lhes permite detetar a presença do exército numa dada localidade, indo atacar onde menos se espera. Suspeita-se que os insurgentes tenham informadores entre a população. Um oficial do governo distrital de Palma disse-nos que há cada vez mais adolescentes envolvidos nos ataques. Em Setembro, num grupo de insurgentes detidos havia adolescentes com idades entre os 12 e 15 anos, disse a fonte.
O pânico no seio da população decorre também da falta de comunicação. Um ataque pode acontecer no interior de Mecula e não ser reportado. Há dois meses, foi assim. Uma aldeia foi atacada em Mecula e os alunos internos de uma Escola Secundária em Moaguide fugiram. A escola, uma antiga Missão, recebe alunos de toda a província e de Nampula, funcionando em regime de internato. Uma semana depois, alguns alunos regressaram mas outros fizeram uma longa ponte com as presentes férias. No terreno, a vida é um rosário de dramas. Novas rotinas fazem o dia-a-dia. E um ambiente cheio de suspeições. Alguns pequenos comerciantes em Macomia são acusados de fornecerem mantimentos aos insurgentes. E soldados do exército são apontados como estando a extorquir comerciantes honestos, sob alegacão de que são os financiadores dos ataques. No fim, exigem dinheiro. A região, nas suas aldeias do interior, vive na incerteza do futuro. E o gás está ali perto (MM e GS)



A proposta de revisão pontual da Lei do Trabalho que não é consensual entre o Governo, patrões e sindicatos traz alguma inovações que poderão beneficiar aos trabalhadores moçambicanos. O @Verdade apurou que poderá ser “proibido ao empregador ou qualquer outra pessoa, proceder à revista física ao trabalhador”, deverá ser introduzida “uma licença por paternidade” e existe uma tentativa de prevenir ainda mais o assédio sexual no sector laboral em Moçambique.
Com a proposta pretende-se introduzir o Direito ao trabalho onde com destaque “ao dever de trabalhar, sem prejuízo das limitações decorrentes da redução da capacidade para o trabalho em virtude de doença profissional ou comum ou ainda de invalidez.”
A futura Lei do Trabalho pretende ainda acompanhar os movimentos de protecção das mulheres e propõe dois pontos para reforçar prevenção do assédio sexual detalhando as suas manifestações: “Considera-se assédio, qualquer comportamento concatenado e inconveniente, designadamente o que tenha por base em factor de discriminação, que seja praticado no momento de acesso ao emprego ou ainda no próprio emprego, trabalho ou formação profissional com a finalidade de abalar, causar perturbação ou constrangimento a determinada pessoa com gestos, palavras ou violência, atingindo a sua dignidade, ou originando ambiente laboral intimidativo, discriminatório, humilhante ou vexatório, hostil, desestabilizador da saúde física e psíquica”.

Sete jovens foram ontem detidos por populares nas proximidades da aldeia de Squaia, na localidade de Litingina, no distrito de Nangade em Cabo Delgado. Squaia sofreu um violento ataque de alegados “extremistas islâmicos” na passada quinta-feira à noite. Dezenas de jovens armados maioritariamente com facas e catanas irromperam aldeia dentro depois das 22 horas. Os residentes já se tinham recolhido aos aposentos. Os atacantes chegaram ao local e desataram a bater cada porta. Quem ousasse abrir era logo abatido. Esfaqueado. Relatos colhidos por “Carta” apontam para 12 mortes e dezenas de feridos. Mas quem não abrisse a porta via sua barraca incendiada imediatamente.



