"Deus criou as pessoas para amarmos e as coisas para usarmos, porque então amamos as coisas e usamos as pessoas?"



terça-feira, 28 de junho de 2016

Chissano: Desarmar e desmilitarizar a Renamo "não é nada do outro mundo”

28 de Junho de 2016, 16:56


O ex-Presidente moçambicano Joaquim Chissano afirmou hoje que desarmar e desmilitarizar a Renamo "não é nada do outro mundo", exigência que deverá presidir, do lado de Maputo, a negociações entre as duas partes, que, admitiu, poderão reunir-se em breve.
Em declarações à agência Lusa, à margem da Conferência Moçambique - Portugal, que decorreu em Cascais, Joaquim Chissano admitiu estarem em curso contactos com vista a preparar, para breve, um encontro entre o presidente Filipe Nyusi, e o líder da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), Afonso Dhlakama.
"Nem é do interesse da Renamo continuar nas matas e a ser vista como um partido não credível, por manter armas de um lado, e paralelamente, membros no Parlamento. Está muitas vezes conotada com terrorismo, etc", sublinhou Chissano.
"Creio que a Renamo não está interessada nisso. E o Governo, por seu lado, não está interessado em continuar com um país cuja economia se vai novamente tornando uma economia de guerra. Não pode ser. O Estado está interessado em avançar e valorizar mais as conquistas feitas no passado", acrescentou.
Chissano, que se escusou a adiantar pormenores sobre os contactos em curso, e que envolvem também o Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, afirmou acreditar que as negociações poderão ter um "desenlace positivo", mas insistiu na desmilitarização da Renamo.
"Não é nada do outro mundo. O ponto principal é desarmar a Renamo, desmilitarizar o partido Renamo. Depois, segue o resto, que é toda essa filosofia de reconciliação de que falamos há muito tempo", defendeu.
Questionado sobre que garantias poderá o Governo dar à Renamo numa eventual pós-desmilitarização, Joaquim Chissano defendeu que a pergunta está "ao contrário".
"Pensava que iria pôr a questão ao contrário: que garantias é que a Renamo vai dar? Porque quem voltou às armas não foi o Governo, foi a Renamo", respondeu defendendo mais tarde, já aos jornalistas, que, por não estar no Governo, não pode saber quais as exigências a apresentar por cada uma das partes.
"Isso é o que vão discutir. Não estou no Governo e não posso dizer o que cada parte exige. Vão exigir e depois haverão negociações e as cedências. Até agora não sabemos o que vão pôr em cima da mesa", frisou.
Sobre os esforços de Marcelo Rebelo de Sousa no processo de paz moçambicano - esteve no Vaticano e com a Comunidade de Santo Egídio, em Roma, e efetuou uma visita oficial a Moçambique -, Joaquim Chissano defendeu que o Presidente português "agiu precisamente como devem agir os amigos".
"Procurar soluções e não complicar os problemas. Não se distanciou dos problemas. Os contactos terão tido algum impacto para o que se está a passar agora, que é a preparação das partes para um novo diálogo. Penso que foi positivo", indicou.
Joaquim Chissano considerou, por outro lado, que a população moçambicana há muito que quer a paz, defendendo não ser possível o retorno à guerra moldes em que decorreu o conflito civil no país (1976/1992).
"A paz em Moçambique está a penetrar no coração dos moçambicanos. Não é possível em Moçambique, jamais, o retorno à guerra como no passado. Há de haver desestabilização, um ataque a um autocarro, etc, são coisas desagradáveis, mas o retorno a uma guerra é impossível porque o povo não quer e o povo está consciente disso", acrescentou.
"Aprendemos com os 16 anos de guerra. Uns (Frente de Libertação de Moçambique - Frelimo) e outros (Renamo)", concluiu.
Lusa

EY: Chissano tornou-se um enganador dos seus sucessores. Durante o tempo que ele foi presidente, nunca falou de desarmar, desmilitarizar a Renamo, e não fez. Hoje porque ele não está na presidência vem com essas ideias. O Nyusi que não sabe analisar as coisas aceita essas manipulações para depois dizerem que os do Norte não incapazes de governar como sempre pensaram e disseram. Deve-se responder que garantias o governo vai dar a Renamo e não ao contrário. A Renamo está a responder os ataques que a Frelimo faz contra civis e atribui a Renamo. A Renamo defende o povo dos terroristas da Frelimo  e não é a Renamo que é terrorista, isso os moçambicanos sabem muito bem. Esse resto é que deve ser primeiro e não o segundo e último. A última coisa deverá ser a desmilitarização ou desarme da Renamo, mas depois da Frelimo desarmar-se. Se a Renamo aceitar esta proposta da Frelimo será o fim da oposição em Moçambique e os massacres a civis aumentará cada vez mais, uma ditadura mais que no tempo de Machel que era normal fuzilar pessoas nas praças públicas e na presença de crianças... espero que os comandos e generais da Renamo não aceitem essa bobagem.

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