"Deus criou as pessoas para amarmos e as coisas para usarmos, porque então amamos as coisas e usamos as pessoas?"



terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Papa Bento XVI aceita renúncia de Dom Jaime Gonçalves

Dom Jaime Gonçalves e Dom João Carlos
Vaticano nomeia interinamente Dom João Carlos como substituto.
O Papa Bento XVI aceitou a renúncia do arcebispo da arquidiocese da Beira, Dom Jaime Gonçalves. Simultaneamente, o Vaticano nomeou, internamente, Dom João Carlos, bispo auxiliar de Maputo, para aquele cargo.
Segundo a Sala de Imprensa da Santa Sé, citada pelas Agência Ecclesia e Rádio Vaticano, o prelado renunciou ao cargo por ter completado 75 anos, limite de idade para o exercício daquela função, segundo o Código de Direito Canónico. O anúncio foi tornado público no último sábado, no Vaticano (Roma), em Itália, sede da Igreja Católica.
O Dom Jaime disse, em Outubro do ano passado, que estava preparado para ir à reforma, referindo que estava ciente de que a diocese que dirigiu, durante 35 anos, pelo menos conseguiu recuperar as missões que se encontravam em poder do Estado, arrancadas após a independência do país.
Este pronunciamento foi feito à margem de uma missa de Acção de Graça organizada pela Escola da Nossa Senhora de Fátima, que serviu para homenagear o arcebispo, facto que aconteceu quando completou 75 anos de idade no dia 26 de Novembro, de acordo com as normas da igreja católica romana.
 “As missões constituem meios para a realização condigna das actividades de evangelização da igreja”, considerou, acrescentando que a maior parte das missões está a servir plenamente a igreja católica.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Ter cinquenta alunos por turma pode não passar de uma boa intenção

Foi oficialmente aberto esta segunda-feira o ano lectivo de 2012. Muitas escolas visitadas pela nossa reportagem já tem tudo a postos para que esta terça-feira as aulas tenham inicio.
Mas contrariamente a orientação ministerial muitas escolas da cidade de Maputo não vão conseguir ter apenas 50 alunos por turma. Na escola secundária do Noroeste a nona classe é que tem sido mais pressionada.
Um pouco mais neste caso significa cerca de setenta alunos. Conforme atestam as listas afixadas. Maior surpresa tivemos na escola Secundária Estrela Vermelha onde algumas turmas têm pouco mais de 30 alunos.
Mas ficamos depois a saber que muitos alunos ainda não foram enquadrados nas turmas. E na Escola Secundaria da Polana as listas ainda não haviam sido fixadas ate ao fim da tarde desta segunda-feira para o desespero de quem espera.
A directora pedagógica da Polana diz que tudo estará pronto ate as primeiras horas desta terça-feira e garante que a sua escola está a fazer esforço para não ultrapassar muito o número de alunos fixado pelo Ministério, mas reconhece que a pressão é grande.
Os números apontam para 200 mil alunos em todo país que vão ficar em casa por falta de vagas nas escolas este ano.

Dhlakama “ameaçado” por desmobilizados de guerra em Nampula

 
Acusado de ter recebido dinheiro da Frelimo para adiar manifestações.
Num encontro em que Dhlakama pretendia anunciar o ponto de situação da preparação das manifestações, um desmobilizado acusou-o de estar a entretê-los para não levar a cabo as manifestações .
O líder da Renamo, Afonso Dhlakama, foi severamente ameaçado e injuriado num encontro público, em Nampula, pelos desmobilizados que pertenceram às fileiras da Renamo na guerra dos 16 anos.
 Os desmobilizados de guerra acusam o líder da Renamo de ter recebido dinheiro proveniente do partido Frelimo para adiar as manifestações à escala nacional, através das quais teriam derrubado o governo até dia 25 de Dezembro passado, segundo havia prometido o próprio líder da Renamo.
No encontro havido nas instalações da Comunidade Sant’Egídio, um dos desmobilizados de guerra terá apontado à testa do líder com o dedo indicador enquanto o acusava de os estar a entreter como forma de abandonar a ideia das manifestações.
No total, foram nove desmobilizados que se dirigiram a Dhlakama de forma injuriosa, numa sala onde estavam presentes mais de 900 pessoas entre desmobilizados e outros membros simples da Renamo.  “Senhor presidente, queremos nossas armas para derrubar a Frelimo, nós estamos cansados. o senhor recebeu dinheiro de Guebuza e está aqui a dizer que ainda estamos a organizar as manifestações, organizar o quê? Nós estamos prontos para aqui mesmo começarmos. Se o senhor já não está connosco, vai ficar com Guebuza, mas não esteja aqui a enganar-nos”, disse um dos desmobilizados. “Se o senhor presidente é amigo de Guebuza, se o senhor Dhlakama dorme com Guebuza, isso é consigo, nós queremos manifestações”, disse outro desmobilizado de guerra. Entretanto, tendo em conta o rigor com que trabalha a guarda pessoal de Afonso Dhlakama, foi muito estranho que, desta vez, os mesmos tenham ficado a assistir ao seu líder a ser apontado com o dedo na testa sem não reagirem. 

domingo, 15 de janeiro de 2012

Os números que fazem a crise dos transportes


Quando a anarquia se instala, quem sofre é o povo.
O sector dos transportes está cada vez menos atractivo ao investimento privado e o resultado são as enchentes nas paragens por pessoas que procuram por um autocarro para se deslocar. O Governo tem estado a investir no sector, mas nada próximo da demanda existente .
Os privados estão a abandonar a actividade de transporte de passageiros, deixando a responsabilidade para o sector público. O argumento é que a actual tarifa não permite retorno do investimento feito e é preciso que o Estado ponha a mão.
Dados da Federação Moçambicana dos Transportadores Rodoviários  (Fematro) mostra que, nos últimos anos, saíram da operação, pelo menos, dois mil autocarros de 15 lugares, penalizando ainda mais os cidadãos que procuram por serviços de transporte a nível das cidades de Maputo e Matola. O número de autocarros de 15 lugares em circulação reduziu por dois motivos: o Conselho Municipal da cidade de Maputo parou de licenciar este tipo de autocarros, de modo a promover a entrada em operação de autocarros de maior capacidade; e, há muito que as tarifas de cinco meticais e 7.5 meticais por viagem estão em vigor nas cidades de Maputo e Matola, enquanto os custos de manutenção de autocarros subiram significativamente. 
O vice-presidente da Fematro, Luís Munguambe,  disse ao “O País Económico” que, neste momento, o sector de transporte de passageiros não se apresenta atractivo para o investimento e que os que lá ainda se encontra a trabalhar é por “cumprimento de um dever patriótico”, porque não há condições para se trabalhar, de facto, no sector.
Défice dos TPM
A empresa TPM, sob gestão do município de Maputo, disse, em Dezembro último, estar com um défice nas suas receitas internas para suportar os custos de funcionamento, devido ao incumprimento de número de carreiras diárias por autocarro.
De acordo com a Presidente do Conselho de Administração (PCA) da empresa, Maria Yolanda, as receitas produzidas internamente cobrem apenas 54% dos custos de funcionamento, o que significa haver um défice de exploração extremamente elevado.
O fosso orçamental deve-se à redução das 18 carreiras diárias por autocarro para 13, decorrente da intransitabilidade das principais vias da cidade. A empresa avançou ainda que a demora no abastecimento dos autocarros movidos a gás, devido à insuficiência de estações de serviço para o efeito, tem estado a contribuir negativamente para o desempenho da empresa.
O Governo tem estado a importar autocarros para as empresas TPM sob gestão dos municípios de Maputo e da Matola, tendo, em Agosto de 2011, importado 150 autocarros, com vista a responder à procura cada vez mais crescente pelo transporte.
Contudo, o investimento na aquisição de novos autocarros depara-se com problema da desistência do sector privado, que acontece a um nível mais acelerado que o crescimento da frota dos transportes públicos.
Além disso,  muitos autocarros dos TPM encontram-se parados, devido às dificuldades em manter os mesmos por parte da instituição.
Agora, informações fornecidas pelo vereador da área dos transportes do Município de Maputo, João Matlombe, indicam que oito autocarros articulados adquiridos em 2011, pela gestão anterior dos TPM, estão parados. Trata-se de autocarros recondicionados que só trouxeram mais prejuízos à empresa, na medida em que pararam de operar enquanto decorre o processo de pagamento dos mesmos.  
Segundo dados oficiais, de 2005 a 2010, a empresa TPM operou em moldes financeiros deficitários, tendo acumulado, neste período, uma dívida de 275 milhões de meticais.
A Situação no terreno
“O País Económico” foi às ruas de Maputo e constatou uma situação crítica relativa à disponibilidade de transporte de passageiros. As paragens andam cheias de tal maneira que os utentes chegam a recorrer a carrinhas do tipo caixa-aberta para poder chegar ao destino.

Prospecção de Hidrocarbonetos: Eliseu Machava nega distracção do governo

15 de Janeiro de 2012, 09:35

O governador de Cabo Delgado, Eliseu Machava, negou que o governo esteja distraído em relação ao futuro que espera os moçambicanos, em face do evoluir das prospecções de hidrocarbonetos, na bacia do Rovuma, onde há sinais evidentes da descoberta de pelo menos gás natural, em quantidades consideradas maiores à escala planetária.
Machava respondia a uma pergunta do nosso Jornal sobre o papel dos moçambicanos em todo o processo, incluindo o impacto local resultante do facto de, no seu território, estar a serem encontradas grandes quantidades de hidrocarbonetos, e se os nacionais estavam em altura de participarem, com competência, nas fases seguintes, nomeadamente, de exploração dos recursos naturais existentes, não só na bacia do Rovuma, como noutros pontos de Cabo Delgado.
“O governo provincial já tem uma comissão de seus membros que está a seguir os passos que se estão a dar no processo de prospecção e pesquisa de hidrocarbonetos e outros projectos de grande impacto socioeconómico”, disse o governante. Eliseu Machava disse ainda que o seu executivo estava atento aos projectos de âmbito social e à mais-valia que dai pode resultar, que se acha necessária para que as empresas envolvidas não sejam totalmente estranhas às comunidades locais.
“Mas atenção, a nossa prioridade é a produção de comida, não nos devemos, ai sim, distrair com os hidrocarbonetos”, anotou o governador.
Para aquele dirigente, a referida comissão, constituída pelos pelouros ligados ao Turismo, Recursos Minerais, Agricultura, Meio Ambiente e outros sectores de algum modo ligados às actividades em curso, tem a missão de, em cada etapa, não só perceber o que se está a passar no terreno, como ir negociando com as empresas envolvidas a servirem-se de produtos produzidos localmente, visando estimular os operadores locais daquelas áreas.
“Por outro lado, há que dizer que só a Anadarko e as suas associadas, emprega 400 moçambicanos, sem falarmos da Rovuma Resources e também da Jacaranda, empresa que produz banana, em grande escala, em Chiúre”, disse Eliseu Machava.
Na mesma semana, um semanário local levantou um debate à volta da (des) preparação dos moçambicanos, particularmente em Cabo Delgado, para abraçar o “boom” que advêm da descoberta de hidrocarbonetos no seu território. Os entrevistados pelo semanário criticavam aquilo que consideram apatia do governo, assim como a inflexibilidade das instituições académicas que não se estão a antecipar, criando cursos ligados à exploração daqueles recursos minerais.

sábado, 14 de janeiro de 2012

Ensino Secundário Geral: Seleccionados livros de uso obrigatório


O MINISTÉRIO da Educação seleccionou um conjunto de livros de uso obrigatório a partir do ano lectivo 2012 no Ensino Secundário Geral. Excepcionalmente, este ano ainda será permitido o uso de livros que não façam parte do lote adoptado, prerrogativa que o MINED adverte que já não será aplicável em 2013.
Maputo, Sábado, 14 de Janeiro de 2012:: Notícias
 
Os livros adoptados são adstritos a cinco editoras nacionais, nomeadamente a Plural Editores, a Texto Editores e a Longman Moçambique, que fornecem livros da 8ª à 12ª classe, e a Distribuidora Nacional de Material Escolar (DINAME) e Alcance Editores, que respondem pelos manuais da oitava e nova classes, esta última apenas nas disciplinas de Geografia e História.
O porta-voz do Ministério da Educação, Eurico Banze, explica que a decisão de seleccionar livros de uso obrigatório nas escolas do Ensino Secundário Geral seguiu-se a uma avaliação feita por uma equipa técnica da instituição ao conjunto de títulos pertencentes a diversas editoras, que eram usados naquele nível. A ideia, segundo a fonte, é assegurar uniformidade nos conteúdos ministrados a alunos da mesma classe em diferentes escolas.
Considerando que algumas editoras seleccionadas estão autorizadas a fornecer títulos da mesma disciplina e classe, o Ministério da Educação orientou as escolas, através dos Conselhos de Escola, a procederem à escolha, sob proposta do grupo de disciplina, dos livros a serem usados em cada disciplina.
“ Sabemos que há pais e encarregados de educação que já adquiriram livros para os seus educandos, alguns dos quais não constam da lista agora adoptada pelo Ministério. A esses queremos tranquilizar dizendo que este ano, esses livros ainda podem, em paralelo mas, a partir de 2013, a instrução é o uso exclusivo do conjunto de livros adoptados pelo Governo”, explica a nossa fonte.
Enquanto isso, o Ministro da Educação, Zeferino Martins, inaugura próxima segunda-feira, a Escola Secundária de Kuphe, no distrito de Chiúre, província de Cabo Delgado, em cerimónia integrada na abertura oficial do ano lectivo de 2012. A construção da referida escola é parte de um projecto financiado pelo Banco Islâmico de Desenvolvimento (BID), que compreende ainda as obras de reabilitação das Escolas Secundárias 29 de Setembro da Maxixe, de Nacala e de Dondo, bem como a construção de raiz da Escola Secundária de Namarrupi, em Murrupula, província de Nampula.
A construção destas infra-estruturas insere-se no objectivo geral de alargar a rede escolar e aumentar o acesso àquele nível de ensino, bem como contribuir para o melhoramento da qualidade do ensino ao proporcionar melhores condições de trabalho aos alunos e professores.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Vendavais matam seis pessoas e destroem 837 casas em Nampula  

 

Balanço do INGC dos últimos três meses.
Os distritos de Murrupula e Meconta são apontados como os que mais danos sofreram, com destaque para a destruição de casas e salas de aulas resultante de vendavais .
Seis óbitos, 4 185 afectadas, 837 casas e 105 salas de aulas destruídas é o balanço dos estragos causados por vendavais, incêndios e inundações, nos últimos três meses, na província de Nampula.
Ainda na sequência das chuvas que têm estado a cair, a via que liga os distritos de Nacala-a-Velha e Memba encontra-se, nesta altura, interrompida. Esta informação foi apresentada, ontem, pelo delegado do Instituto Nacional de Gestão de Calamidades na província de Nampula, Amâncio Nhantumbo, durante a primeira sessão ordinária do governo provincial referente ao presente ano.
Os distritos de Murrupula e Meconta são apontados como os que mais danos sofreram, com destaque para a destruição de casas e salas de aulas, resultante de vendavais. No mês de Outubro, por exemplo, no distrito de Murrupula, desabaram 273 casas e 20 salas de aulas, enquanto no distrito de Meconta foram 266 casas e 17 salas de aulas.  Já em relação às consequência de chuvas intensas e incêndios que se têm registado desde Dezembro, em alguns distritos de Nampula, dados apresentados indicam três óbitos e um ferido no distrito de Mossuril, no mês passado; um óbito, nos distritos de Memba, Muecate e Nacala-Porto, totalizando seis óbitos em apenas um mês.
Ainda em Nacala-Porto, neste mês de Janeiro, 98 casas e duas salas de aulas desabaram e cinco pessoas ficaram feridas.