"Deus criou as pessoas para amarmos e as coisas para usarmos, porque então amamos as coisas e usamos as pessoas?"



segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Dhlakama cercado pelas FADM com tanques e armas pesadas
  Os militares dizem que receberam ordens para atacar com todos os meios a base de Dhlakama, caso a Renamo volte a protagonizar ataques na região de Gorongosa ou em qualquer outra parte do país
Depois dos ataques da última quinta-feira, as Forças de Defesa e Segurança ocuparam a base de Mucodza, onde estava estacionada uma força da Renamo a cerca de 25 quilómetros de Santungira. Já na sexta-feira, os homens da Renamo retaliaram, na tentativa de recuperar a base perdida para as forças governamentais, mas, diante do aparato militar oficial ali instalado, não tiveram qualquer hipótese. Houve troca de tiros por volta das 23h00, mas sem registo de vítimas mortais e nem feridos.
Na tarde da passada sexta-feira, à entrada da base do líder da Renamo, também houve disparos, supostamente, protagonizados pelos homens de Dhlakama contra uma coluna militar que por ali passava, numa ronda que tem estado a fazer na zona.
Devido aos ataques, as Forças de Defesa e Segurança decidiram, no último sábado, reforçar o controlo na região: instalaram três postos de verificação, onde todas as viaturas e pessoas que queiram entrar ou sair do posto administrativo de Vunduzi devem ser revistas para ter autorização de seguir ao seu destino.
Outra medida foi cercar por completo a base da Renamo onde está instalado Afonso Dhlakama desde Outubro do ano passado. À entrada da base, as forças governamentais estacionaram tanques de guerra e armamento pesado apontado para a base de Dhlakama, além de um número considerável de militares que controlam toda a região. Os homens da Renamo, que dias antes controlavam um perímetro de mais de 30 quilómetros em redor da base, estão agora apenas dentro da base ou escondidos nas matas.

EUA condenam recurso à violência entre Governo e Renamo

21 de Outubro de 2013, 12:27


A embaixada dos EUA em Maputo condenou hoje o uso da violência entre o Governo e a Resistência Nacional de Moçambique (Renamo), principal partido da oposição, na tensão político-militar que afeta o país. A tensão político-militar, provocada pelo boicote da Renamo às eleições autárquicas de 20 de Novembro, piorou nos últimos dias, com novos confrontos entre as duas partes e o cerco montado pelo exército à base onde está instalado o presidente do movimento, Afonso Dhlakama, em Sadjunjira, no centro do país.
Em comunicado distribuído em Maputo, a embaixada dos EUA condenou o recurso "à violência", exortando o Governo e a Renamo a apostarem em soluções pacíficas.
"A Embaixada dos EUA em Maputo manifesta a sua preocupação pelos atos recentes de violência ocorridos na província de Sofala entre forças de segurança do Governo e membros da Renamo. Condenamos o uso da violência e lamentamos a perda de vidas humanas", diz a nota.
Os EUA apelam ao executivo e ao principal partido da oposição para que empreendam acções conducentes ao desanuviamento da tensão, por forma a conter-se a actual escalada.
"Encorajamos o diálogo directo através da participação plena nas instituições e processos democráticos de Moçambique", lê-se no comunicado.
Lusa

sábado, 19 de outubro de 2013

A nova situação política de Moçambique e os seus reflexos sobre a liberdade de imprensa...

http://www.pambazuka.org/pt/category/features/89197

 O Congresso de Pemba e o fim do Político em Moçambique

Quando o Embaixador espanhol, no dia seguinte ao despedimento, por parte do grupo privado SOICO, do chefe da informação, Jeremias Langa, de visita às instalações do mesmo grupo, elogia Moçambique como um país em que domina o pluralismo e a liberdade de informação, ficou claro que a luta pelo retorno duma democracia mais efectiva e menos autoritária tem que ser desempenhado apenas ao nível interno, sem contar com a contribuição dos supostos doadores e da comunidade internacional.

O episódio apenas referido representa o último de uma série que está abalando o mundo político e, de reflexo, a comunicação social em Moçambique. Esta aceleração começou com o Congresso de Pemba por parte da Frelimo, em Setembro, e desaguou numa mudança que já não diz respeito apenas ao partido no poder, mas sim a toda a sociedade moçambicana. Ela pode ser resumida com a seguinte expressão: passou-se duma concepção do poder "diluído" (ou seja, nas mãos das várias alas da Frelimo) a uma de poder "concentrado" (ou seja, nas mãos do actual Presidente da república, Armando Emílio Guebuza, e da restrita elite a ele fiel).
No Congresso de Pemba, Guebuza conseguiu afastar todos os seus supostos opositores internos, empurrando as organizações de massa controladas pela Frelimo do seu lado. Daquela que reune os jovens (OJM) aquela das mulheres (OMM) aos Antgos Combatentes. Personagens relevantes, tais como Luísa Diogo e Manuel Tomé, foram afastados do Comité Político do partido, assim como ministros de peso, a partir do antigo primeiro, Aires Alí, passando por muitos outros e, por último, pelo Ministro dos Transportes, Zucula, cairam estrondosamente e repentinamente, sem uma explicação política clara.

O caso mais recente, relativo ao ministro Paulo Zucula, faltando apenas poucos meses ao fim do mandato de Guebuza (as eleições gerais são previstas para 2014), é um dos mais obscuros. A imprensa não tem aborado a questão mediante uma leitura política, mas procurando explicações bastante complicadas e dedutivas, inerentes aos interesses em jogo e às eventuais "traições" do Ministro nalguns negócios em que estaria envolvido o Presidente da República. Na edição do dia 20 de Setembro, o semanário "Savana" assim faz a sua manchete: "Guebuza refresca Zucula". No interior do jornal, realça-se que o despedimento foi, como aconteceu com os outros ministros que tiveram a mesma sorte, repentino e sem nenhuma explicação, mas tenta-se avançar hipóteses. A mais acreditada tem a ver com um contrato milionário, o relativo ao corredor de Mucuze, necessário para implantar uma ferrovia de 525 km. de Mutarara (Tete) até a cidade da Beira, com o objectivo de escoar o carvão que está a ser extraído no oeste de Moçambique. O Conselho dos Ministros teria optado por uma adjucação directa do projecto (que vale cerca de 3,1 mil milhões de USD) a um consórcio indo-moçambicano que inclui a principal sociedade controlada pela Frelimo, a SPI, e a que Zucula teria-se oposto. Por outro lado, o semanário "Expresso" reporta, no dia 17 de Setembro, que houve demasiada "ambição" e ao mesmo tempo "traição" de Zucula relativamente à figura do Presidente Guebuza. Fontes anónimas citadas por este jornal destacam que Zucula não foi dispensado por incompetência, mas sim porque "meteu a colher na panela controlada pelo seu chefe, neste caso, o Presidente da República".

Tais leituras dizem o seguinte: por um lado, as disputas internas ao partido no poder têm uma componente política irrelevante. Por outro, tudo se joga em volta de negócios bilionários, dos quais a nomenclatura pretende ter o monopólio, de acordo com a hierarquia ocupada na Frelimo.

Isso deixa vislumbrar qual foi a verdadeira natureza do Congresso de Pemba: pouco falou-se de política, mas muito de quem devia e podia dominar os processos económicos no país para os próximos anos. E não resta dúvidas de que o vencedor foi o actual Presidente, Guebuza. Acima de tudo por ele ter conseguido o domínio do partido, tendo sido reeleito Presidente para os próximos cinco anos. Mas sobretudo por ter eliminado não apenas os seus adversários internos, mas a própria política, do horizonte da Frelimo. Assim sendo, as vozes discordantes também foram caladas, passando de tal forma dum modelo de "democracia autoritária" a um de "autoritarismo democrático", em que os mecanismos eleitorais, internos à Frelimo assim como gerais, não passam dum mero formalismo. O facto de o actual Presidente da CNE (Comissão Nacional das Eleições) ter sido proposto não por um dos sujeitos indicados pela lei, pertencentes à sociedade civil, mas sim por um indivíduo singular (o antigo Presidente de mesmo órgão e antigo Reitor da Universidade Eduardo Mondlane, Brazão Mazula), demonstra a inconsistência do aparato legislativo moçambicano, nesta fase extremamente crítica e delicada que o país está atravessando. No entretanto, a comunidade internacional finge de não ver, com o único objectivo de proteger os enormes interesses no carvão, no gas e, talvez, no petróleo, que quase todos os grandes investidores têm em Moçambique.

O silenciamento da comunicação social

Uma das grandes marcas na história recente de Moçambique tem sido a vivacidade da comunicação social. Existem hoje uma dezena de jornais independentes, emissoras televisivas e radiofónicas também autónomas, rádios comunitárias espalhadas por todo o país. Entretanto, a situação efectiva da liberdade de imprensa piorou bastante nos últimos dois anos, e nomeadamente a seguir ao Congresso de Pemba da Frelimo.

A estratégia usada tem sido de dupla natureza: por um lado, o controlo directo da comunicação social pública, ou seja, do diário “Notícias”, do semanário “Domingo”, da emissora televisiva mais antiga e difusa do país, a TVM, e da própria Rádio Moçambique. Por outro, o controlo indirecto da comunicação social independente, com vários meios: aquisição, por parte de sociedades anónimas mas controladas pela Frelimo, das quotas de maioria desses jornais (como é o caso do semanário “Público”), infiltrar pseudo-colunistas nesses órgãos (cuja lista foi recentemente publicada pelo “Savana”) para diluir o seu potencial crítico, cortar os anúncios das sociedades públicas, tais como EDM, MCEL e outras, de maneira a reduzir as capacidades financeiras da imprensa privada e obrigá-la a tornar-se mais “obediente” ou a fechar de vez.

Mas o nível máximo de ingerência do poder político nos assuntos relativos à comunicação social privada é o caso Jeremias Langa e, no geral, da SOICO TV. Apesar das pressões e até ameaçs recebidas, a redacção da STV decidiu fazer uma cobertura cabal das duas manifestações violentas que agitaram a capital moçambicana, Maputo, no dia 5 de Fevereiro de 2008 e nos dias 1 e 2 de Setembro de 2010. Em particular, neste último caso, Jeremias Langa, na entrevista do dia 19 de Setembro deste ano, resistiu às pressões, provenientes directamente do partido Frelimo, e foi a frente com o programa, cuja emissão durou cerca de oito horas, e graças ao qual todo o país ficou a par daquilo que estava acontecendo nas ruas de Maputo. A seguir ao episódio, o grupo SOICO deixou de receber a publicidade das sociedades públicas (como vê-se claramente analisando o jornal “O País” dos últimos dois anos) e de ser convidado para participar nas “Presidências abertas”, onde o Chefe de Estado vai visitar e fazer auscultação dos problemas dos seus concidadãos nas várias províncias do país.

Em Junho deste ano, todavia, o grupo SOICO é readmitido às presidências abertas, mas o jornalista que devia acompanhar esta actividade presidencial tinha sido escolhido pela próprio equipa do Presidente e não pelo director da informação. Além disso, Jeremias Langa teve momentos de fortes contrastes com o PCA do grupo, pois a linha editorial estava a ter um rumo diferente: sugeria-se que a postura crítica adoptada até então (e que tinha credibilizado o jornalismo quer da STV quer do jornal “O País”) tivesse de sofrer significativas alterações, em prol dum relacionamento menos conflituoso com o poder político. Uma tal opção, que negava, de facto, 11 anos de jornalismo comprometido e investigativo, levou a fazer com que Jeremias Langa, depois do seu adjunto, José Belmiro, tivesse que deixar o cargo que ocupava, embora com a garantia de poder continuar com dois programas televisivos de grande audiência e impacto em total autonomia. Um compromisso que apenas atenuou o sentido das medidas tomadas, e que aproxima inevitavelmente o grupo SOICO à nomenclatura moçambicana. Como demonstra o facto de os anúncios das empresas públicas no jorna “O País” estar paulatinamente de volta.

No que diz respeito à imprensa pública, os jogos foram ainda mais fáceis. As estratégias adoptadas também foram diferentes, mas todas visando o mesmo objectivo: parar com as críticas, como claramente manifestou o próprio Presidente Guebuza em várias circunstâncias, inclusive no recente Congresso do OJM (ver “Domingo”, 15 de setembro de 2013).

Primeiros sinais de que a comunicação pública devia estar completamente amordaçada por parte do regime deram-se já no princípio de 2011. O mais destacado jornalista da TVM, Elio Jonasse, que costumava ler o noticiário da noite e conduzia vários programas de opinião, por causa da sua postura frontal e profissional para com representantes do Governo foi obrigado a deixar a profissão jornalística, trabalhando actualmente no Banco de Moçambique. O clima, na TVM, tornou-se gradualmente insuportável. Jornalistas por mim entrevistados no mês de Setembro, e que aceitaram falar sob anonimato, declararam que a TVM não tem passado, nos últimos meses (aproximadamente após o Congresso de Pemba), de mera emissora propagandística do partido no poder, e nomeadamente da figura do Chefe de Estado. Notícias ou reportagens por eles feitas são geralmente censuradas ou totalmente ignoradas pelos dirigentes da emissora, principalmente quando se trata de abordar assuntos inerentes ao maior partido de oposição, a Renamo. Uma entrevista de cerca de duas horas com Dhlakama, o leader da Renamo, foi censurada e nunca chegou de ser transmitida. Este elevado nível de frustração desagua, por vezes, na entrega da notícia aos colegas da comunicação social privada, os quais têm a possibilidade de publicar aquilo que os órgãos controlados pelo Estado não conseguem tornar público. Esta prática foi confirmada mediante entrevistas feitas em Maputo, junto a jornalistas da comunicação social pública assim como independente, tendo os dois como o único objectivo a procura da verdade e a tentativa de pautar pelo profissionalismo, cuja prática tornou-se impossível nos órgãos controlados pelo Estado. Esta forma de resistência a um poder que tende a fechar qualquer espaço de discussão é a última que a classe dos profissionais da comunicação espontaneamente encontrou para conseguir informar os seus concidadãos daquilo que se passa no mundo político e económico local.

O jornal “Notícias” teve a mesma sorte que a TVM. O seu antigo director, Rogério Sitoe, foi dispensado em Junho deste ano, depois de ter assumido as funções em 2003, substituindo Bernardo Mavanga, actual Assessor jurídico do jornal. Este acto foi uma clara consequência da nova linha do “poder concentrado” ao invés que “diluído” pautada pela Presidência. Como tentou explicar Sitoe numa entrevista que nos concedeu no dia 19 de Setembro deste ano em Maputo, a sua aposta sempre foi de fazer um jornalismo com um pouco de propaganda, ao passo que agora está acontecendo exactamente o contrário. Após a sua saída da direcção, este diário eliminou qualquer sentido crítico, tão que durante as primeiras 16 edições do “novo curso” a manchete sempre trazia a foto do Presidente Guebuza. Este hábito continua até hoje, descredibilizando ainda mais um jornal que, com Sitoe, tentou pelo menos manter alguns espaços de liberdade, por exemplo mediante rúbricas tais como a das “conjecturas”, as cartas dos leitores ou os próprios editoriais do director.

Vale a pena recordar, a este propósito, os dois editoriais escritos por Sitoe ao longo do Congresso de Pemba, e que certamente chamaram a antenção do Presidente da República e da restrita elite dos seus conselheiros (acima de tudo do seu actual porta-voz, Edson Macuácua), por ter dado pouco espaço à proeminente figura de Guebuza, avançando críticas implícitas contra a sua maneira de gerir o partido. No editorial do dia 28 de Setembro, Sitoe defende que a Frelimo está subdividida em alas, e que isso não só seria normal, mas faria parte da tradição histórica deste partido. Uma tal situação estaria a testemunhar “uma necessidade dialéctica de movimento e crescimento”. Apesar de Guebuza ter conseguido quase 99% dos votos da assembleia, Sitoe destaca o fato de “membros históricos deste partido a clamar por maior diálogo interno”, dando continuidade a uma “maior liberdade de imprensa”, que estaria sob risco de retrocessos. No editorial do dia 5 de Outubro, recordando a assinatura dos acordos de Roma entre Frelimo e Renamo, ocorrida no dia 4 de Outubro de 1992, Sitoe realça a necessidade e a importância vital do diálogo entre as partes, num momento em que a “ala dura” da Frelimo estava prevalecendo no que diz respeito aos pedidos da Renamo, finalizados a encontrar soluções pacíficas para novas problemáticas que este partido continua, até hoje, a colocar, numa conversa entre surdos. O facto de Sitoe ter feito coberturas “abertas” dos últimos acontecimentos, dando espaço mesmo às razões da Renamo e, sobretudo, da oposição interna à Frelimo (a partir da figura do antigo Presidente, Joaquim Alberto Chissano), valeu-lhe o afastamento do cargo de director e a nomeação como Assessor do CDA do jornal. A mesma sorte que tinha tocado ao seu predecessor, Bernardo Mavanga, actual Assessor jurídico do grupo Notícias s.r.l..

O “autoritarismo democrático” e a imprensa em Moçambique

A constante pressão exercida junto à comunicação social tem desvendado uma realidade que parecia constituir apenas uma lembrança da altura do regime a partido único, quando o responsável ideológico da Frelimo, Jorge Rebelo, ditava a linha editorial dos órgãos de comunicação, bypassando na integra o governo e o ministro competente.

O processo de lenta mas progressiva abertura democrática que tinha começado a afirmar-se em Moçambique a partir do princípio dos anos Noventa parou, e os principais sinais deste cenário podem ser resumidos nos seguintes pontos:

1. A concentração do poder económico e político nas mãos do actual Chefe de Estado e dos seus mais directos colaboradores;
2. O aniquilamento dos adversários internos, incapazes de opor-se abertamente às decisões do Chefe de Estado e Presidente da Frelimo;
3. O total arbítrio e a falta de explicação pública no que diz respeito aos despedimentos e nomeações de todos os cargos relacionaods com a esfera governamental, dando azo a “fofocas” que tornar ainda mais turvo o ambiente político moçambicano;
4. O papel irrelevante do Parlamento, que quase que não discute de assuntos e leis julgados incómodos, tais como (de recente) tem acontecido em relação à lei sobre acesso à informação;
5. A ideia de que o livre exercício da crítica só prejudica a actividade do Governo e,portanto, tem que ser limitada e até banida;
6. Consequentemente, há uma tentativa bastante evidente e aberta de silenciar a comunicação social, a governamental de forma directa, a privada mediante pressões de vária natureza junto aos próprios órgãos, a editores ou a jornalistas singulares;
7. Fazer com que a questão relativa à qualidade da democracia e da participação dos cidadãos junto à tomada de decisões estratégicas para o país passe a ser considerada, a partir da comunidade internacional, como assunto secundário, privilegiando os negócios bilionários e, portanto, a vertente económica do desenvolvimento.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Em Moma o povo é maltratado PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
 

  
  
Quinta, 17 Outubro 2013 17:10
A multinacional Kenmare, que explora as areias pesadas de Moma, no posto administrativo de Topuito, no distrito de Moma, é acusada de destratar a população daquela região da província de Nampula e violar os seus direitos. A firma está para implementar um projecto fora dos limites cedidos pelas famílias e estas exigem novas indemnizações, o que não é aceite pela companhia. O executivo local, em vez de intermediar o impasse entre as partes, ameaça os líderes que defendem os interesses das suas comunidades.
Em 2006, a Kenmare interessou-se pelo espaço que hoje está na origem da contenda nos bairros de Topuito e Namalope, naquele posto administrativo. As pessoas que se encontravam nos lugares onde devia ser implementado o plano de exploração das areias pesadas foram ressarcidas. Além de outras actividades, naquelas terras praticava-se agricultura, da qual inúmeras pessoas dependiam para sobreviver.
Entretanto, o processo de compensações só ficou concluído em 2008, mas a empresa não explorou imediatamente as áreas que acabava de adquirir junto dos nativos. Volvidos cinco anos, ela pretende ocupar as suas terras, todavia, neste momento, as obras em curso abrangem zonas não previstas para o efeito quando houve atribuição das compensações. Ou seja, vão para além dos limites acordados. Algumas machambas estão a ser destruídas sem que haja compensação.
Por isso, a população exige que o processo seja revisto e haja novas compensações, porém, a Kenmare não aceita, facto que gera pandemónio, pois certas famílias queixam-se de terem sido ludibriadas pela companhia. O executivo local quando age sai em defesa da firma e ameaça os líderes comunitários.
Na altura em que a população se exasperou, uniu-se, recorreu à força para tentar coibir que tal acontecesse e dirigiu-se às instalações da Kenmare para exigir explicações e novos ressarcimentos, principalmente porque algumas machambas e casas estavam a ser destruídas durante a ocupação ilícita das suas terras. Foi necessária a intervenção da Polícia e do governo distrital para amainar os ânimos, pese embora tenha havido intimidações.
Na semana passada, o @Verdade esteve no terreno para junto de algumas famílias aferir os marcos que foram extrapolados mas não foi possível aceder ao local por causa das obras em curso. Neste momento em que as máquinas já estão a “roncar” em Topuito, por exemplo, fica claro que dificilmente os lesados irão conseguir impedir a materialização do plano de extracção das areias pesadas nas suas áreas supostamente tomadas à força.
A chefe do Departamento de Relações Comunitárias da Kenmare, Regina Macuácua, não revela a dimensão de terra que a companhia ocupou nem quantas famílias foram compensadas, tão-pouco fala dos valores envolvidos, mas explica que os espaços em alusão em Topuito – hoje na origem do descontentamento – não foram imediatamente explorados pela empresa, apesar de que o processo para o efeito estava concluído porque havia outro plano em curso em Namalope.
Os agitadores da população
Na tentativa de resolver o problema que agasta as comunidades, os secretários dos bairros do posto administrativo de Topuito reuniram-se com os dirigentes da Kenmare e com os membros do governo distrital de Moma, porém, não houve entendimento entre as partes e os representantes da população foram acusados de estarem a promover agitação e serem militantes de um partido da oposição. “Os líderes comunitários têm estado a colaborar com os protagonistas das manifestações”, afirmou Regina Macuácua.
Em 2006, Fernando Silvano, secretário do bairro de Topuito, testemunhou a demarcação da área que a Kenmare devia ocupar e acompanhou todo o processo de indeminizações, incluindo pelas culturas perdidas. Este ano, quando a empresa pretendia iniciar o seu projecto ele foi novamente chamado para confirmar os limites e constatou que houve extrapolação dos mesmos.
“As brigadas do governo incumbidas de fazer as consultas públicas para colher diversas sensibilidades nas comunidades apenas deixam ordens em vez de ouvir a própria população”, disse Fernando Silvino, que também é considerado agitador e indiciado de estar contra o desenvolvimento social e económico em Topuito, onde as comunidades se queixam do custo de vida devido, em parte, à falta de meios de subsistência desde que as suas machambas foram destruídas.
O governo é culpado
Segundo o nosso interlocutor, a Kenmare está a desgraçar a população de Topuito. Os programas de responsabilidade social são apenas para enganar. E quando as pessoas despertarem será tarde demais porque todos os recursos se terão esgotado. “A responsabilidade pelas irregularidades cometidas pela companhia deve ser imputada ao governo de Moma que vendeu as nossas terras”.
O secretário do comité de zona do partido Frelimo, no bairro de Topuito, Dover Boavida Massiele, lamenta o facto de o governo não estar preocupado com a população. Além das ameaças a que os secretários dos bairros são sujeitos, os responsáveis pelo sector das Actividades Económicas em Moma sugeriram, sem dó, à Kenmare para reduzir o preço de indemnização para cada cultura alimentar ou fruteira no acto das compensações.
Comunidades “oportunistas”
Regina Macuácua indica que a população de Topuito está a exigir que seja ressarcida pelas áreas que já foram compensadas, em 2006. Isso é oportunismo. “O que temos assistido é que as pessoas inventam machambas nos locais onde não existiam, apenas para receber indemnizações. A população está com ganância de dinheiro”.
Recursos escasseiam
Em Topuito, os residentes não olham com agrado os feitos da Kenmare e vandalizam algumas infra-estruturas sociais construídas nos diferentes bairros, tais como fontanários e lavandarias públicos. O saneamento do meio é também precário porque a população não observa as regras básicas de higiene colectiva e individual. As campanhas de sensibilização para o feito estão a fracassar e o lixo aumentou consideravelmente de há tempos para cá.
A Kenmare tem o Direito de Uso e Aproveitamento de Terra (DUAT) válido até o ano de 2050. E no âmbito da sua responsabilidade social construiu uma unidade sanitária, algumas salas de aulas e canalizou água potável para os bairros. Anualmente, em média, dez alunos recebem bolsas de estudo para frequentar o ensino secundário geral e técnico-profissional em diferentes escolas da província de Nampula.
Esses projectos não irão garantir um futuro promissor aos beneficiários caso os seus parentes continuem a viver nas condições precárias em que actualmente se encontram naquela região. O grosso dos residentes do posto administrativo de Topuito depende das actividades agrícolas, pesqueiras e de pequenos negócios para sobreviver mas as suas machambas foram destruídas. Alguns solos estão a ficar empobrecidos e as famílias associam o facto à exploração das areias pesadas, sobretudo porque começam a não ter recursos para sobreviver. Aliás, moradores do bairro de Namalope referem que não sabem qual será o futuro dos seus descendentes.
Porém, neste momento, o comércio informal está a florescer e constitui a principal fonte de renda e subsistência. Para além de as áreas de cultivo estarem a ficar inférteis, no mar, as zonas onde os pescadores conseguiam pescado para venda e consumo está lotado de navios e pequenos barcos que transportam os recursos explorados dia e noite. As oportunidades de emprego na Kenmare não passam de uma miragem para a população de Topuito e do distrito de Moma, pois, para além de cidadãos estrangeiros, a maior parte da mão-de-obra é proveniente de outros distritos ou províncias do país.
Administrador não se pronuncia
Na semana em que a nossa Reportagem esteve em Moma tentou, sem sucesso, ouvir a versão do administrador Momade Shale em relação às queixas da população, alegadamente porque ele se encontrava no distrito de Mossuril a participar em cerimónias fúnebres de um familiar. Na altura em que as machambas das pessoas a que nos referimos foram destruídas, há meses, também contactámos Momade Shale mas ele não nos disse nada porque se encontrava na província de Cabo Delgado.
Tentativa de deturpar os factos
No dia 12 de Setembro passado, o @Verdade veiculou, na sua plataforma online, que a Kenmare estava a destruir machambas nas comunidades de Topuito, Naholokho e Namalope sem o consentimento dos proprietários para dar lugar à segunda fase do projecto de extracção das areias pesadas. Nesse contexto, um quadro da direcção daquela empresa telefonou-nos a dizer que o que publicámos era mentira. Entretanto, para além de condenarmos a tentativa de descredibilizar o nosso trabalho, reafirmamos tudo o que dissemos nessa altura.
Terror em Gorongosa!
Tensão política
As Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) e os homens armados da Renamo confrontaram-se ontem, acerca de 20 quilómetros de Santungira, local onde está aquartelado o líder da “Perdiz”, Afonso Dhlakama. O ataque aconteceu por volta das 12h30, exactamente na altura em que centenas de membros da Renamo estavam a celebrar a passagem dos 34 anos da morte do seu fundador, André Matsangaissa, exactamente em Gorongosa.
As FADM dizem que o primeiro tiro foi dado pelos homens da Renamo, quando viram uma coluna composta por seis viaturas do exército levando consigo muitos militares, tendo atacado o que transportava uma arma pesada. As Força Armadas de Defesa e Segurança responderam ao fogo, o que resultou em dois mortos do lado da Renamo, seis detidos, destruição da sub-base da Renamo e respectiva ocupação. Informações colhidas no local indicam que do lado das forças governamentais não houve qualquer baixa, senão seis feridos.
Os militares fizeram questão de exibir à imprensa os cadáveres dos dois homens abatidos e os seis detidos da Renamo. Estranho, no entanto, é que, quando os jornalistas, incluindo a nossa equipa de reportagem, saíam de Santungira em direcção à vila de Gorongosa, foram interceptados por militares que impediram que continuassem a marcha e foram levados para a base das FADM, que dista cerca de cinco quilómetros da base central da Renamo. Mas, minutos depois, chegou ao local uma viatura que, aparentemente, transportava feridos ou cadáveres e só depois disso é que as FADM levaram os jornalistas para o local onde houve ataque. Depois, os militares acompanharam os jornalistas até à vila do distrito de Gorongosa, onde exibiram os detidos e os cadáveres dos dois homens da Renamo.
As Forças de Defesa e Segurança interditaram a circulação de viaturas e pessoas ao longo da estrada que dá acesso à base do líder da “Perdiz” e prometem restringir, nos próximos dias, o acesso a Santungira, bem como a movimentação dos membros da Renamo.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013


CRIANÇA RAPTADA NA MATOLA JÁ NO CONVIVIO FAMILIAR

É um facto, depois de tanto tempo de espera e desespero, o Prince já está com a sua família. Lamentavelmente a nossa Polícia não ajuda em nada para tranquilidade e segurança pública: fragilidade da própria polícia, falta de meios, falta de vontade política, envolvimento da polícia no crime organizado, somente ela pode dizer melhor. Um cidadão simples como eu não pode dar resposta do porque destas coisas.

O menino Prince raptado na terça feira da semana passada na cidade da Matola, foi entregue aos seus pais na noite da segunda feira pelas 23 horas. Não imagina a alegria da comunidade paroquial de são Gabriel onde o menino junto a sua mãe rezam, pois acompanham sempre a família dando conforto e consolação. Eu fui a casa dos pais no sábado com um grupo de crentes e trinta minutos depois da nossa saída os raptores ligaram para o pai falar com o filho, mas não deixaram falar com a mãe. Deus escutou a nossa oração.

A libertação do menino não tem nada a ver com a intervenção da polícia, por isso se alguém vier ou for na televisão falar da soltura do menino como trabalho da polícia saibam que é uma mera mentira. O menino foi solto porque os amigos e familiares dos pais contribuíram para pagarem o resgate do mesmo, pois eles já ameaçavam com prazos e que se passasse os cinco dias que davam livravam-se do menino.

Onde estamos e onde vamos parar com isto? Anteontem era rapto de empresários asiáticos, ontem a famosa e desmentida G20 e hoje é rapto de crianças. O que é que o governo quer nos dizer com tudo isto? Impotência, incapacidade de resolver os problemas que oprime o povo, falta de interesse do povo que pôs no poder, …o quê? Até quando teremos que aguentar com isto? Os discursos famosos de paz não serão falidos ou somente para enganar o povo que gosta e amante/defensor de paz quanto na realidade não? Talvez de direito responda esta inquietação que não é somente minha mas do povo moçambicano. Mais não disse.

sábado, 12 de outubro de 2013


Carta Aberta aos Libertadores da Pátria I
 Quem me pode responder estas inquietações?

Por: Maria Alice Mabota
Sr. Director!

Peço à V. Excia para que aceite o meu pedido de publicação desta carta no jornal que sabiamente dirige.
Não sou jovem, pertenço à geração dos da luta armada. Não fui à luta armada porque nem todos deveríamos lá ir e nem tive condições para o efeito.
Naturalmente, compreendi as razões da luta armada de libertação em 1970 e, a partir daí apoiei e acreditei no que a falecida Ivete Mboa, na altura, me dizia.
Entre muitas coisas, ela vincava que lutar para libertar a terra e os homens do jugo colonial português era uma acção justa, pois o sistema vigente era uma coisa dolorosa e detestável. Ela comparava o colonialismo a alguém que sofria de falta de tudo e que viesse à sua casa pedir para ser acolhido e depois se tornar dono(a) da casa.
Chegou o 25 de Abril de 1974 e, o grupo Massinga, Taurino Migano, Sumbana, Muthemba e outros juntaram alguns jovens, na altura, para chamá-los à consciência sobre a luta de libertação e, que o futuro ainda era incerto, havendo assim a necessidade de se avançar para várias frentes.
A mim, Ana Maria , Guilhermina, Calisto e Milagre Mazuze coube-nos o trabalho de mobilização na zona sul e, infelizmente, a caminho de Chibuto tivemos um grande acidente donde saí sem uma única lesão, mas os meus colegas ficaram feridos. Porém, antes trabalhei na organização das mulheres para a causa da luta pela formação da nova sociedade, por isso, fui da OMM.

Acreditei e li em livros, dizendo que a Frelimo era um movimento de massas, um movimento anti-colonialista, anti-capitalista, anti-racista, anti-regionalista, anti-corrupção de tal sorte que ter amante, na altura, era visto como uma pessoa corrupta. Nunca na época se vislumbrava a dimensão da actual corrupção, daí o facto de ter aderido à revolução encabeçada pela Frelimo com maior vigor por acreditar nos seus ideais.
A avidez por dinheiro era impensável; quanto a mim, o dinheiro, esse sim, era necessário para a satisfação das necessidades básicas, mas tudo o que era ambição exagerada era combatido. Talvez o básico mesmo era suficiente, pois com 5.50 (cinco escudos e cinquenta centavos) dava para um litro de gasolina normal para o meu Volkswagen 1200 que eu tinha e dei boleia a muitos que chegaram da luta de libertação e que, na altura, nem sabiam comer com faca e garfo na mesa.

Anos depois, apesar da sobrevivência com repolho, farinha amarela e peixe sem cabeça que nunca cheguei a saber que peixe era, vivíamos moralmente felizes e, é por isso que aceitávamos ir à machamba do povo, limpar as estradas, ir à colheita do arroz no Chókwè com Jorge Tembe,  na altura, Director do Complexo Agro-Industrial do Limpopo, ex- colonato do Limpopo.
Mas, deixo para os historiadores o relato das várias etapas por que passou este país e vamos agora à minha indignação dirigida às senhoras e aos senhores libertadores da pátria amada:
DEOLINDA GUEZIMANE,
GRAÇA MACHEL,
MARINA PACHINUAPA,
MONICA CHITUPILA,
MARCELINO DOS SANTOS,
JORGE REBELO,
JOAQUIM CHISSANO,
MARIANO MATSINHE,
ALBERTO CHIPANDE,
RAIMUNDO PACHINUAPA,
SERGIO VIEIRA,
JOAO AMÉRICO MPFUMO,
HAMA THAI,
ÓSCAR MONTEIRO,
PASCOAL MOCUMBI,
PADRE FILIPE COUTO


Vocês todos respondam-me, por favor, quem foi verdadeiramente o combatente Armando Emilio Guebuza?
Sabem porque? Samora deixou o país destruído pela guerra, mas tinha moral, ética, identidade e espírito de unidade nacional. Dizia que lutava pela unidade de todos mesmo que tivesse sido em teoria; ele procurava reflectir a moral do seu povo e ninguém imaginava que o actual presidente estava metido em negócios. Sabem, no meu tempo, filha de uma prostituta subia para o altar de véu e grinalda.
JOAQUIM CHISSANO saiu do poder e deixou os cidadãos com alguma moral e esperança. Que me lembre não deixou muita gente tão descontente como estão os cidadãos hoje, sem esperança, sem moral, sem dignidade onde cada um só pensa em roubar para ser rico. Nunca ouvi o povo tão revoltado e sem esperança como está agora.
Ora, vejamos:

A corrupção aumentou sem qualquer plano de acção para o seu combate;
A incompetência dos governantes acentuou-se mais e passamos a ver ministros que nem sequer sabem o que fazem, não conhecem a casa que governam, os problemas dos seus pelouros e não medem palavras quando se dirigem aos cidadãos; a criminalidade aumentou assustadoramente; a sinistralidade está ceifando vidas diariamente nas estradas; os incêndios jamais vistos ocorrem nesta governação; o branqueamento de capitais, o tráfico de órgãos humanos, drogas e armas fazem parte do sistema de uma forma impune.


Os raptos sucedem-se e atingem números que assustam. A comunidade asiática, apesar de ser composta por moçambicanos com igual direito de protecção, nada é feito para a acudir. No mínimo o estado deve esclarecer este fenómeno que, ultimamente, virou crime organizado com impacto social e económico bastante negativo.
As manifestações de vários segmentos sucedem-se, dia após dia, mas a Polícia de Intervenção Rápida é, de facto, veloz para descarregar sobre cidadãos no gozo dos seus direitos. Para não falar de perseguições consequentes desde o emprego até a casa. Vivemos, sim, momentos de terror e incerteza.

A greve do pessoal da saúde, por duas vezes, sem resposta e que continua silenciosa. Basta ir para qualquer posto de saúde ou hospital para ver como é que o povo sofre. A greve silenciosa na saúde tem efeitos mais nefastos do que a da rua.
Os médicos, enfermeiros, todo o pessoal da saúde e suas famílias continuam a sofrer, ameaças, despedimentos, transferências, descontos, processos disciplinares e humilhações. É para isto que lutaram e pensam que nos libertaram? Libertaram a terra, mas os homens continuam debaixo do sofrimento.
Os dois levantamentos populares aconteceram e marcaram os dois mandatos de Armando Guebuza em que as pessoas procuraram demonstrar a sua revolta ante a má governação. E o governo no lugar de transmitir mensagem de esperança, distanciou-se cada vez mais, matando inocentes.

Senhoras e Senhores libertadores acima citados e outros esclareçam-me:
Quem foi, afinal, Armando Guebuza, ontem, na luta de libertação que tantos anos convosco viveu e não o descobriram que é a pessoa com mais espírito de negócios pessoais, ambição e ganância desmedida. Porquê não descobriram que ele é que poderia virar o país para o abismo e não somente o Lázaro Nkavandame e Urias Simango que os textos parciais da Frelimo tanto nos deliciam?

Digam-me minhas senhoras e meus senhores foi para isto que lutaram e tomaram o poder para num minuto tornar a filha dele a mulher mais rica de Moçambique; não lutaram por uma sociedade equilibrada e de justiça social?
Eu acreditei no socialismo propalado pela Frelimo, não nisto que estou a ver e sentir porque é repugnante. Não tolero mais, confesso, publicamente.
Digam-me minhas senhoras e meus senhores porquê e de que medo têm de o enfrentar e lhe dizerem que esta não é a Frelimo que nós construímos em Junho de 1962? O que vos prende a ele ao ponto de engolir tudo isto? O povo está a sofrer e vocês são cúmplices do sofrimento do povo. A história julgará-vos-à por este silêncio do que pelos crimes que cometeram durante a luta armada de libertação. Porque durante a luta de Libertação todos estávamos convencidos que o colono é que era o nosso inimigo e todo aquele que a ele se aliasse ou tivesse suas atitudes era contra nós. E hoje, porquê o cidadão que já foi amado maltrata o seu povo; persegue-o. Traz exploradores piores que os colonos, pois não sabemos o que irão deixar quando saírem deste solo pátrio onde o colono nos deixou com a terra , os recursos naturais e casas onde hoje habitamos e, arrendamos por dólares sem termos construído.

Sabem, senhoras e senhores libertadores, esta indignação não é só minha é de muitos outros cidadãos e, se não saiem à rua têm medo da FIR que implantaram para maltratarem o povo que vocês lhe tiraram do colonialismo para pessoalmente maltratarem. Nas casas, nas ruas, nas festas e nos “chapas” toda, mas toda a gente só fala da má governação de Guebuza; escutem o jovem que canta a má governação dele, mesmo os que se encontram no poder dizem que o povo tem razão mas que fazer, temos filhos por sustentar e educar; dizem basta ver como ele exonera os seus quadros é humilhante nem parece que merecem dignidade. Eles bajulam, dizendo falem vocês, nós o que queremos é garantir o pão.

O Senhor Joaquim Alberto Chissano na última campanha nas instalações da EMOSE afirmou categoricamente que confia no Guebuza porque o que ele promete cumpre. Recorda-se? Então posso assumir que toda a trama que ele faz é do seu conhecimento e consentimento é assim que combinaram que quando libertarem a terra quem não foi à luta e as outras gerações vão passar mal. Vão nos fazer comer o pão que o diabo amassou e vocês outros senhoras e senhores? Recorda-se que eu, peremptoriamente, lhe afiancei que não iria votar em vós.

Significa isto que nós também deveremos ir à luta para nos libertarmos de vocês?
Porquê quando o saudoso Samora vos aconselhava a não lhe entregarem o poder o chamaram de louco ou alucinado? Desvendam-nos o porquê ele dizia isso .
Senhora Graça Machel:

Como consegues viver, conviver e fazer negócios com esta pessoa que o seu marido dizia abertamente o que representava para o povo? Que consciência pesa sobre si esposa que preserva o nome de uma pessoa que aos olhos do povo era são a conviver e fazer negócios com quem o seu marido não aceitaria fazer. Para Samora vale mais o povo do que o dinheiro e para si vale mais dinheiro do que o Povo. Me responda.

Sabem senhoras e senhores libertadores a escritora e poetiza Noémia de Sousa já dizia que a Africa é mítica.
Sabem porquê? Por causa dos seus mistérios em todas as suas dimensões . Kadafi domou o seu povo, era o mais rico que tinha até uma pistola de ouro os seus cidadãos até tinham casas, comida, enfim o básico, mas como morreu? Porque o povo não tinha liberdades que nasceram com eles os direitos fundamentais, pois a liberdade de pensamento, de manifestação e de reunião é extremamente fundamental para que o individuo viva em paz sem falar por dentro que um dia explode e a explosão, regra geral, mata.

O povo na sua maioria tem saudades de Mondlane que não o conheceu só vocês o conheceram e conheceram os seus feitos; o povo na sua maioria tem saudades de Samora e o povo na sua quase totalidade tem saudades de Joaquim Chissano e perguntam de que medo tem de levar o poder ao Guebuza para pararmos de sofrer. Quem mais terá saudades de Guebuza? A esperança dos cidadãos até crianças é que depressa chegue Novembro de 2014 para se ver livre de Guebuza e sua família.
Os críticos vão me crucificar por esta carta mas eu não vivo para os críticos com interesses, vivo com e para o povo que sofre. Só me vai sacrificar quem com Guebuza desfruta o sabor da libertação. Que o digam os madjermanes; os desmobilizados de Guerra; os antigos combatetes escorraçados das suas habitações; os sofridos médicos e enfermeiros; os expoliados das suas terras a favor da Vale, Pro-Savana, Petroleiros, Gaseiros, Chineses e Brasileiros exploradores, sem dó nem piedade.

Os militares entregues a guerras sem necessidades de novos confrontos, sim essa é herança do Chissano mas ele sabia gerir, não havia rixas. Quem sabem, ele tivesse, neste momento, resolvido tal como soube parar com a guerra dos 16 anos. Sim, ele era diplomata e com calma resolvia os problemas dos cidadãos em momento certo.
Hoje, o espírito do deixa andar virou “xipoko” de roubar os impostos dos cidadãos, “xipoko” do tráfico de drogas e armas , “xipoko” da alta criminalidade, “xipoko” da falsidade dos funcionários públicos. Diariamente só se vê nos jornais funcionários a roubarem dinheiro do povo para não falar dos barões que sacam os cofres do estado para se tornarem ricos de Moçambique a partir do nada.

Acredito que o povo pobre e os cidadãos ricos e honestos vão apoiar esta minha inquietação.
QUEM FOI, QUEM É, O QUE PRETENDE E ONDE QUER CHEGAR O CIDADÃO ARMANDO EMILIO GUEBUZA? Respondam-me senhores libertadores da terra e, vamos friamente analisar a sua governação. Caso seja possível ele interiorizar e corrigir a sua forma de actuação, gostaria de lhe ver a sair do poder pela porta da frente e deixar saudades neste um ano que lhe falta.
Desde a Constituiçao de 1990 até a de 2004 que gozo da liberdade de expressão e de pensamento e, é por isso que escrevo e continuarei a escrever como uma cidadã deste país e não em representação de nenhum grupo ou agenda.

Esperando continuar com vida após esta indignação, despeço-me com a promessa de voltar.