"Deus criou as pessoas para amarmos e as coisas para usarmos, porque então amamos as coisas e usamos as pessoas?"



terça-feira, 10 de agosto de 2021

Regresso da Total pode acontecer dentro de um ano, prevê analista

 


Mohamed_YassineA retomada de Mocímboa da Praia pelas forças moçambicanas e ruandesas abre portas para “um futuro diferente” para o megaprojeto de gás em Cabo Delgado, defende o analista moçambicano Mohamed Yassine.

Em entrevista à DW África, o professor de Relações Internacionais da Universidade Joaquim Chissano, Mohamed Yassine, comentou ainda os atritos entre Maputo e Kigali, após as comunicações do Ruanda sobre as operações no terreno em Cabo Delgado, antes mesmo de um pronunciamento oficial de Moçambique.

Para o analista, a Defesa moçambicana será obrigada a quebrar o "segredo de Estado” se quiser recuperar o protagonismo nos meios de comunicação social e "permitir que mais instituições possam averiguar de perto o que está a acontecer em Cabo Delgado".

DW África: O que significa a retomada de Mocímboa da Praia para o megaprojeto de gás em Cabo Delgado?

Mohamed Yassine (MY): Significa o retorno de uma parcela da soberania moçambicana que estava nas mãos da insurgência há mais de um ano. Por outro lado, significa que o lugar de concentração e que sempre serviu de bastião da insurgência, estando nas mãos do Governo é fácil projetarmos a segurança que precisamos para a região de Afunge e Palma.

DW África: Será o início do regresso da Total para a região?

MY: A estabilidade da região requer um bocadinho mais de cuidados. Para além de Mocímboa da Praia o Governo conseguiu recuperar cerca de onze posições que estavam nas mãos da insurgência, mas, por outro lado, uma vez que os insurgentes já não têm um bastião podemos começar a pensar no retorno da Total para Moçambique provavelmente daqui a um ano. A Total dava um ano e oito meses para que Moçambique se decidisse e penso que com esta intervenção feita em Mocímboa da Praia estão abertas as portas para começarmos a pensar num futuro diferente daquilo que eram os prazos. Já existem mecanismos para dizermos que, com o apoio internacional, iremos conseguir defender a província de Cabo Delgado no seu todo.

DW África: O Presidente Filipe Nyusi lançou esta segunda-feira formalmente, em Pemba, a missão militar da SADC que se vai juntar às forças moçambicanas e ruandesas em Cabo Delgado. No seu entender, como vai ser o trabalho de todas essas tropas no terreno?

MY: As dificuldades que eu vejo pode estar na coordenação porque afinal de contas os países que lá estão cada um tem o seu interesse individual ou coletivo. Acho que se Moçambique tiver feito o seu trabalho de casa por forma a introduzir cada uma das forças à força da SADC no seu todo e à força bilateral do Ruanda cada um com objetivos diferentes, um com o objetivo de combate (como temos visto nos do Ruanda) e a força da SADC como a força de manutenção da paz. Mas se isso estiver a sair do controlo da liderança moçambicana, cada um dos exércitos pode optar pelo seu ego. Além de que é preciso dizer que alguns países de SADC têm ainda algumas "feridas" em relação ao Ruanda e pode resvalar num ajuste de contas no terreno.

DW África: Ainda no lançamento da missão da SADC, o Presidente Filipe Nyusi exigiu mais comunicação e coordenação em Cabo Delgado. Acha que foi um mea-culpa do chefe de Estado?

MY: Esse pronunciamento do Presidente não foi exatamente virado para a SADC mas é preciso recordar que Moçambique vem sendo informado sobre o que está a acontecer em Cabo Delgado através do Ruanda. A conferência de imprensa é dada no Ruanda, o que significa que do ponto de vista do Estado devia ser o contrário. A conferência de imprensa devia ser dada em Moçambique, pelo exército moçambicano anunciando os ganhos alcançados em conjunto com as forças ruandesas. Tem sido continuamente trazido até nos Tweets que o Presidente do Ruanda vai fazendo, o que mostra um bocadinho de falta de humildade para com a missão que está a assumir. Penso que o recado do Presidente (Filipe Nyusi) é no sentido de que a coordenação a ser feita com o objetivo único de apoiar Moçambique e, por outro lado, Moçambique tem de ser a "pessoa" que tem de comunicar para o mundo o que está a acontecer no país.

DW África: Nos últimos dias, tem circulado a informação de que alguns chefes militares de Moçambique não estão contentes com o Ruanda, que estaria sempre à frente na divulgação dos resultados das operações, inclusive através das redes sociais. É hora do Ministério da Defesa de Moçambique melhorar a sua comunicação?

MY: O Ministério da Defesa vai ser obrigado a quebrar o chamado "segredo de Estado". Durante muitos anos o Ministério da Defesa além de ter impedido que os jornalistas locais pudessem viajar para Mocímboa da Praia e outras zonas para acompanhar de perto o que estava a acontecer, sempre fechou-se também em copas em relação à informação que era necessária em relação a o que estava a acontecer dentro de Cabo Delgado. A conferência de imprensa do Ruanda também passa para os órgãos de informação independente em Moçambique, o que já não é a televisão e a rádio de Moçambique que têm o poder de comunicar e até censurar aquilo que se achar que deve ser censurado. Isso vai quebrar o o procedimento do Ministério da Defesa que precisa permitir que mais instituições possam averiguar de perto o que está a acontecer em Cabo Delgado até chamar à razão em relação a direitos humanos e outras consequências que advêm da guerra.

DW – 09.08.2021

OS REBELDES DO NORTE SÃO MESTRES DE TACTICAS DE GUERRILHA E FUSTIGARÃO O INIMIGO

 


Por Francisco Nota Moisés

Finalmente um Comunicado do MDN de Moçambique

Comunicado Oficial

REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE

MINISTÉRIO DA DEFESA NACIONAL

COMUNICADO DE IMPRENSA

"Convocamos os órgãos de Comunicação Social para a partir destes, informar a sociedade moçambicana e a comunidade internacional, que na sequência das operações conjuntas envolvendo as Forças de Defesa e Segurança de Moçambique e  as  Forças  Ruandesas,  os  terroristas  têm  vindo  a  perder terreno, estando a retirar-se das zonas onde exerciam relativa influência."

Não estou para duvidar se os ruandeses e frelimistas tomaram a vila de Mocímboa de Praia.  Tudo indica que lá chegaram. O que é muito curioso e que nem os propagandistas da Frelimo nem os do Ruanda fornecem fotografias de combatentes rebeldes mortos ou capturados. Como já tinha escrito há algum tempo atrás, os rebeldes não estavam em ocupação da vila de Mocímboa da Praia como tal depois de a ter conquistada dos terroristas da Frelimo. A vila destruída não tinha disposições para albergá-los tais como água e comida, mas as vezes eles entravam na vila para patrulhar e verificar se havia forças inimigas aproximarem-se do lugar. 

Nenhuns guerrilheiros podem se expor num lugar aberto como uma vila onde podem ser martelados por aviões, helicópteros e outras armas pesadas e ligeiras.

Estes invasores não travaram combates para retomar a vila como dizem e nem os destemidos rebeldes queriam se expor a uma força militarmente superior à deles em situações que lhes eram desfavoráveis. O seu recuo não é uma fuga, mas sim uma manobra táctica para salvaguardar as suas vidas para combates futuros em termos e circunstâncias  que lhes serão favoráveis.

O que aconteceu não é nada de novo. E o que aconteceu no Afeganistão quando uma força móvel dos donos de guerra americanos entrava e ocupava cidades e vilas.  Os talibãs retiravam-se sem combates para depois fazer ataques de bate e foge que vieram a minar o moral dos gigantes adamastores ianques norte-americanos.  No Mali perante a tempestade inicial militar francesa no ar e por terra, os guerrilheiros abandonaram as vilas e cidades, embora alguns deles se tivessem mantido dentro dos murros e tivessem travado combates com os agressores franceses.

Depois de dispersos nas matas semidesérticas, começaram as operações de bate e foge contra os invasores gauleses ate que conseguiram libertar 2/3 do Mali, forçando os invasores a reconhecer a sua derrota como os americanos e os seus aliados da OTAN saíram a correr do Afeganistão  e do Vietname muito antes disto.

Nenhum dos vídeos de propaganda ruandesa no YouTube mostrou um único rebelde capturado, se quer.  Os rebeldes estão vivos e sãos e martelarão estes invasores mesquinhos.  Estes invasores se armadilham e verão que será muito difícil defender lugares quando se estabelecerem em posições defensivas e e insanidade da parte deles pensar que eles ganharam a guerra.  Esta auto-aldrabice só pode existir nas mentes dos terroristas ruandeses e frelimistas.

As matas nortenhas e o tempo estão ao lado dos rebeldes e com o tempo um outro tanto que aconteceu aos agressores americanos e franceses e outros no Afeganistão e no Mali revisitara essas forças de regimes tirânicos que ajudam a tirania da Frelimo a se manter no poder

Ruanda foi o primeiro a anunciar a reconquista de Mocímboa da Praia -Fomos nós!

 


Um dia antes da entrada oficial da SADC,

- Nada ainda se sabe sobre o tipo de confrontação que pode ter havido,  nem sobre reféns que continuavam ou continuam na vila

Mais do que lançar dúvidas sobre a coordenação de questões de comunicação, a forma como são geridas e partilhadas informações importantes e actualizadas sobre a ofensiva contra o terrorismo em Cabo Delgado parecem sugerir mesmo uma espécie de competição entre o Ruanda e a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral.

Depois de, numa única leva, Paul Kagame ter despachado um efectivo de mil homens, antecipando, por cerca de uma semana, a chegada do contingente da SADC, e a forma como tem comunicado as incidências no campo operacional em Cabo Delgado, o Ruanda procura lançar uma imagem de que o principal está a fazer, devendo, ao contingente da SADC sobrar o periférico [mas complexo], das quais a tarefa de manter posições fixas que garantam segurança nas aldeias para o possível retorno das populações.

Ontem, mais uma vez, o Ruanda foi o primeiro a anunciar a reocupação da importante vila de Mocímboa da Praia, depois da expulsão dos terroristas daquele espaço que foi seu bastião por cerca de 12 meses. Foi uma simples e pontual nota, mas bastante no objectivo de evidenciar a “bravura e determinação” da tropa ruandesa.

Apesar de fazer referência ao facto de a retoma da vila de Mocímboa da Praia resultar de uma operação conjunta, Forças de Defesa e Segurança de Moçambique e do Ruanda, a nota faz questão de recordar que Mocímboa da Praia foi, por dois anos, um importante reduto dos terroristas.

“A cidade portuária de MdP, um importante reduto da insurgência por mais de dois anos, foi capturada pelas forças de segurança de Ruanda e Moçambique” – assim refere o twitter das Forças de Defesa e Segurança do Ruanda. A retoma do essencial da vila de Mocímboa da Praia e o respectivo anúncio triunfal acontece exactamente horas antes do lançamento oficial da chamada Força em Estado de Alerta da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral, cuja cerimónia tem lugar, hoje, em Pemba.

Ministério da Defesa de Moçambique

Depois de a informação ter começado a circular cerca das 14 horas de Maputo, todos citando o twit das Forças de Defesa e Segurança do Ruanda, só pouco depois das 16 horas, o Ministério da Defesa Nacional de Moçambique falou com conferência de imprensa, com espaço para apenas duas questões. No essencial, nada de novo foi dito. O coronel Omar Saranga, porta-voz do Ministério da Defesa, limitou-se a confirmar o que os ruandeses tinham já informado à sua nação e ao mundo.

“As Forças Conjuntas – Moçambique e Ruanda, controlam a Vila de Mocímboa da Praia desde as 11 horas de hoje, 08 de Agosto de 2021, controlam as infra-estruturas públicas e privadas com enfoque para edifícios do governo local, porto, aeroporto, hospital, mercados, estabelecimentos de restauração, entre outros objectos económicos” – apontou Omar Saranga, depois de no minuto anterior ter descrito o percurso e as acções de consolidação que incluíram várias zonas. “A este respeito, destacamos que depois das operações que culminaram com o controlo da localidade de Awasse, a consolidação do troço Awasse – Diaca, no distrito de Mocímboa da Praia, bem como o reforço do controlo situacional da Vila de Palma e arredores, a ofensiva em curso desactivou as seguintes posições:

  • à Norte da Vila de Mocímboa da Praia, nomeadamente, posições de Quelimane, Njama, Tete, Maputo, Primeiro de Maio e Unidade; e
  • à Oeste – posições de Ntotwe, Manilha, Magoma, Mumu e Mbuje” – detalhou.

Em relação à questão de coordenação, o porta-voz limitou-se a dizer que “estamos coordenados”, “apesar de poder haver nuances diferentes” na forma como o Ruanda e Moçambique apresentam a informação. Reiterou que, no terreno, as Forças de Defesa e Segurança de Moçambique é que estão a coordenar as operações.

Omar Saranga em nenhum momento da sua comunicação abordou questões relacionadas com os reféns que, se acredita que estavam ou estão em Mocímboa da Praia. Não deu qualquer detalhe sobre a operação que culminou com a retoma da vila, não se sabendo se terá efectivamente havido confrontação intensa ou não. É que, há a percepção de que os grupos terroristas há muito ter-se-ão apercebido da impossibilidade de resistirem na defesa do seu principal reduto, dada a envergadura da operação e da conjugação de esforços internacionais para desalojá-los da vila de Mocímboa da Praia. 

Nisto, o mais provável é terem, há muito, encontrado formas, apesar do cerco, de abandonar a vila para as densas matas existentes, tanto no distrito de Mocímboa da Praia, as[1]sim como em outros distritos vizinhos.

MEDIA FAX – 09.08.2021

sábado, 26 de junho de 2021

Semanário Savana nº 1433 de 09.04.2021

 


SAVANA 1433 25.06.2021Leia aqui

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Ruanda planeia envio de tropas para Cabo Delgado, diz agência de notícias

 


Agência de notícias Bloomberg publica que o Ruanda planeia enviar tropas para ajudar Moçambique a combater uma insurreição em Cabo Delgado. Reportagem, no entanto, não cita confirmação do Governo moçambicano.

A agência especializada em notícias económicas Bloomberg publicou esta quinta-feira (25.06) que o Governo do Ruanda planeia o envio de tropas para ajudar Moçambique a combater o grupo armado em atividade em Cabo Delgado.

"Há planos para destacar [tropas para a região], mas os planos ainda não estão finalizados", disse o porta-voz das Forças de Defesa do Ruanda, Ronald Rwivanga, por telefone, à reportagem da Bloomberg, assinada por Saul Butera, Matthew Hill e Borges Nhamirre.

Desde os finais de maio, a DW África adianta a possibilidade de o Ruanda estar perto de apoiar Moçambique a combater o terrorismo em Cabo Delgado e discute as implicações e os interesses por trás de tal apoio.

Verônica Macamo, ministra dos Negócios Estrangeiros de Moçambique, e o porta-voz das Forças Armadas, Omar Saranga, não responderam às solicitações de entrevistas da equipa do órgão de imprensa.

"Estamos a entrar em guerra"

A Comunidade de Desenvolvimento da África Austral, que não conta com o Ruanda entre os seus 16 estados membros, também planeia o emprego da força na província de Cabo Delgado.

A reportagem lembra que o Presidente moçambicano Filipe Nyusi visitou o seu homólogo ruandês Paul Kagame em abril. Os dois líderes discutiram questões incluindo a luta contra o terrorismo, informou na altura a emissora estatal ruandesa.

Moçambique ainda não informou à SADC sobre qualquer reforço planeado pelo Ruanda, segundo informou Stergomena Tax, secretária-executivo do bloco da África Austral. O Tax recusou-se a comentar quando a SADC enviaria tropas, dizendo apenas que isso aconteceria em breve e "com a maior urgência possível", e que incluiria soldados dos países membros.

"Estamos a entrar em guerra", disse ela por telefone à equipa da Bloomberg.

DW – 25.06.2021

Filipe Nyusi promete ataque reforçado contra o terrorismo com apoio externo

 


Presidente moçambicano diz que haverá ataque reforçado ao terrorismo em Cabo Delgado com apoio externo. Filipe Nyusi ressalta, no entanto, que soberania não será comprometida e estará sempre na "linha da frente".

"As valentes Forças de Defesa e Segurança (FDS) de Moçambique vão intensificar as ações operativas de caça a esses criminosos, com o apoio necessário da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) e outros países amigos e irmãos, sem penhorar a nossa soberania", disse Filipe Nyusi.

"Tudo faremos para que os próximos tempos sejam de desespero e agonia para os terroristas que atuam em Moçambique", acrescentou o chefe de Estado, que discursava em Maputo numa cerimónia de celebração dos 46 anos de independência do país, que hoje se assinalam.

Filipe Nyusi recordou que a SADC assumiu na quarta-feira (23.06) "apoio total a Moçambique" no combate em Cabo Delgado, "naturalmente com a linha da frente feita pelos moçambicanos", disse.

"Nunca recusou apoio"

O país "nunca recusou nenhum apoio", reafirmou o Presidente, a citar como exemplo os treinos de forças moçambicanas que decorrem com apoio dos EUA, países europeus e africanos.

O Presidente também saudou os jovens que compõem as FDS em combate em Cabo Delgado, realçando que hoje, no dia feriado em que se celebra a independência, eles estão em combate.

"Os bons jovens deste país estão em combate, neste momento. Celebram o aniversário da independência batendo duro o inimigo no terreno", referiu.

Combatem um inimigo cuja origem e mandantes continuam por esclarecer: "apesar de não se apresentarem publicamente" e de não explicarem "por que matam e decapitam cidadãos inocentes". Para Nyusi está claro que "querem gerar medo", para depois se apoderarem das "riquezas" de Moçambique.

Grupos armados aterrorizam a província desde 2017, sendo alguns ataques reclamados pelo grupo 'jihadista' Estado Islámico, numa onda de violência que já provocou mais de 2.800 mortes, segundo o projeto de registo de conflitos ACLED, e 732 mil deslocados, de acordo com a ONU.

"Tira-nos o sono"

"Tira-nos o sono" o terrorismo em Cabo Delgado, referiu Nyusi, a par da dissidência de alguns ex-guerrilheiros da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO), no centro do país - que o levou a fazer hoje um novo apelo ao seu comandante, Mariano Nhongo, para que adira ao processo de Desarmamento, Desmobilização e Reintegração (DDR) em curso no país.

Filipe Nyusi apelou ainda ao cumprimento das medidas de prevenção da Covid-19, um dia depois de ter anunciado o agravamento de algumas das restrições no âmbito do estado de calamidade no país.

Em causa está a iminência de uma terceira vaga da pandemia. Moçambique tem um total acumulado de 863 mortes e 73.652 casos, dos quais 95% recuperados e 103 internados.

Maio foi o mês com o número mais baixo de casos e de mortes por Covid-19 desde o pico de 274 óbitos e mais de 20 mil infeções em fevereiro. No entanto, o cenário mudou nas últimas semanas.

O Ministério da Saúde anunciou na quinta-feira (24.06) mais seis mortes, subindo para 29 o número de óbitos registados este mês, "superior ao total de óbitos (22) do mês de maio".

DW – 25.06.2021

UM DESLOCADO EM PEMBA DIZ QUE TODAS AS ANTIGAS BASES E ZONAS DA FRELIMO ESTÃO OCUPADAS PELOS BANDIDOS

 


Por Francisco Nota Moisés

STV-Noite Informativa 25.06.2021 (video) (2)

Este drama das celebrações do 46 aniversário da independência foi mais cómico do que interessante.  Cómico visto que faz rir e não interessante por ter sido dominado por indivíduos que só sabem mentir.  Se estes macambúzios da Frelimo compreendessem que dizer a verdade por mais dura e amarga que seja é uma virtude do que nos ensurdecer com mentiras, boatos e invenções, teriam estado à altura de fazerem coisas diferentemente.   

E como de costume louvaram Samora Machel e nada disseram sobre a sua natureza tirânica e nada mesmo sobre a sua instabilidade mental como evidenciada pela BBC nos anos de 1970 e de 1980. Dois repórteres da BBC não o lisonjearam. O primeiro correspondente descreu Samora Machel em 1976 como sendo o Idi Amin de Moçambique visto que a dada altura ele estava tao obsessado por sua segurança que, segundo fontes, a polícia e  a sua tropa obrigavam populares a entrarem para se fecharem nas suas residências que era para não vê-lo a passar nas ruas.  Se alguém fosse visto a espreitar, a pessoa era detida e carregada para um destino desconhecido.  O outro repórter da BBC descreveu-o em 1983 como um TEATRO AMBULANTE ou seja A MOVING THEATRE para usar as suas palavras em inglês. E vieram depois a gozá-lo mais tarde quando se proclamou Marechal da Republica, tendo a transmissão noticiosa dito que num continente onde lideres manifestamente instáveis como Idi Amin e Jean Bedel Bokassa se tinham promovido a marechal, Samora Machel devia ter evitado se promover a marechal.

Durante as cerimónias na chamada Praça dos Heróis moçambicanos em Maputo que contem nomes de  militantes da Frelimo como Felipe Samuel Magaia, Francisco Manhanga, Josina Machel e tantos outros que Samora ordenou que  fossem mortos, Felipe Nyusi, um outro triste teatro ambulante, mentiu quando disse que os seus soldados tem lutado com galhardia sem ceder em Cabo Delgado, realçando que mesmo aquele mesmo que se celebrava o aniversário da independência, os seus militares lhe disseram que eles também estavam a celebrar batendo e infligindo duros golpes ao inimigo. 

Tanto em Maputo como na Beira, onde o secretário geral da MDM foi o único não frelimista que recebeu alguma atenção da STV, ele contrariou tudo aquilo que os frelimistas tinham dito para glorificar o seu movimento e enfatizou a falta gritante da liberdade e do progresso no pais desde a independência. 

Os bobos da Renamo-Ossufo Momade não receberam nenhuma atenção da STV e parece que não foram convidados para a Praça dos Heróis moçambicanos.  Nem o Dhlakama deles, nem Ossufo Momade, André Majibire e José Manteigas foram mencionados como heróis moçambicanos.  Nos últimos dias, Ossufo Momade, o caudilho da Renamo, não anda contente com o irmão e amigo dele Felipe Nyusi e uns dias atrás ele lamentou-se da falta da liberdade em Moçambique, esquecendo-se que ele sempre descreveu o estado da Frelimo como um Estado de direito democrático.  

Parece que Ossufo Momade gosta da pinga embora seja um muçulmano e jihadista convicto. 

Da Beira a STV foi a Pemba onde a sua reportagem falou com alguns fugitivos chegados de Palma. E um deslocado demoliu a mentira sobre a situação em Cabo Delgado que Nyusi pintara em Maputo como testemunham as palavras que abaixo seguem em letras maiúsculas:

“NAO TEMOS COMO VISITAR AS CAMPAS DOS NOSSOS AVÓS. NÃO TEMOS COMO VISITAR AS ANTIGAS BASES (da Frelimo)  QUE ALBEGARAM OS NOSSOS PAIS OU OS NOSSOS AVÓS QUE ENTRARAM NESTE PAÍS PORQUE ESTAS BASES, ESSAS ZONAS TODAS, FORAM OCUPADAS PELOS BANDIDOS.”