"Deus criou as pessoas para amarmos e as coisas para usarmos, porque então amamos as coisas e usamos as pessoas?"



domingo, 7 de fevereiro de 2021

 

WFP/PMA agência de transportes em Cabo Delgado?

O WFP/PMA em Cabo Delgado comporta-se como se fosse um DDT, um Dono Disto Tudo.

O WFP faz contratos Leoninos com os "amigos" e mais ninguém pode prestar serviços, isso chama-se, Abuso de Posição Dominante e é punido em todo o mundo é uma violação das leis da Concorrência.

O WFP não tem mandato para actuar em Moçambique como uma agência de transportes, as verbas que lhe são entregues pelos doadores é para comprar comida e distribuir, não para oferecer transportes a outras agências ou ONG's.

Em Pemba aquilo que a IOM ou outras NGO's têm que transportar para o Ibo ou Quirimbas é o WFP que transporta ou oferece o transporte!!

Trata-se de uma violação grosseira do mandato do WFP, utilizar verbas que deveriam ser usadas para comprar comida desviadas para pagar transporte de outras organizações??

Mais grave, o WFP nega-se a assumir actos de guerra ou terrorismo e se alguma lancha à vela for atacada, quem terá que pagar o prejuízo é o transportador, já estamos a trabalhar numa zona de guerra, como o WFP abusa assim de quem arrisca a vida para que a comida não falte no Ibo ou em Palma.

As gentes de Maputo não estão infiltradas só no Governo, são eles que controlam e dominam o WFP e outras agências, é estranho o património que essa gente de Maputo tem acumulado recebendo salários normais, os carros que conduzem, não são comprados com os salários que auferem.

Quem tenta prestar serviços para o WFP ou se submete à ditadura do refresco ou nada consegue.

Se os materiais de construção são muito mais baratos em Nacala, cimento, chapas, barrotes e podem ser transportados diretamente de Nacala para o Ibo ou Quirimbas em lanchas à vela, porque razão tudo é mandado vir de Maputo ou comprado em Pemba??

Ao utilizar o serviço de cabotagem prestado pelas lanchas à vela, de Nacala para o Norte estamos a reduzir as emissões de Carbono, assim como a meter dinheiro nas comunidades pobres ao longo da Costa.

Chega da ditadura dos Cavalos controlados pelas gentes do Partidão, os pobres também têm direito a ficar com alguns ossos.

(Recebido por email)


EY: Como pensam que a guerra ou conflictos vão acabar com toda esta atitude?

sábado, 6 de fevereiro de 2021

 

Palma: Preços voltam a baixar, mas ainda há falta de alimentos

Abastecimento de produtos de primeira necessidade foi retomado em Palma, Cabo Delgado. Produtos escassearam nas últimas semanas devido às restrições de acesso, provocando subida de preços dos alimentos.

De acordo com relatos locais, um saco de 25 quilogramas de arroz chegou a custar aos residentes de Palma entre 3.000 a 4.000 meticais (cerca de 33 a 44 euros). 25 quilogramas de farinha de milho custavam entre 2.500 a 3.000 meticais (27 a 33 euros). Os preços dos combustíveis também aumentaram: um litro de gasolina chegou a ser vendido a 500 meticais, o equivalente a 5,5 euros.

Entretanto, o abastecimento de produtos de primeira necessidade foi retomado e os preços baixaram. No entanto, continuam a faltar produtos, conta um residente de Palma.

"O arroz já está a baixar de preços, mas o problema agora é apanhar esse arroz. Não tem arroz. A verdade é que aqui está-se mal", diz.

Outro residente conta que é preciso sair cedo de casa para conseguir produtos.

"Para conseguir comprar, você tem que sair da sua casa às 04:00 ou 05:00 horas à procura de comida. Tem que parar e esperar em longas filas para conseguir comprar", descreve.

Insegurança para transporte

O presidente do Conselho Empresarial da província de Cabo Delgado, Gulamo Aboobacar, diz que os atrasos no abastecimento de mercadorias deveram-se a dificuldades de transitabilidade na via que liga Nangade a Palma, devido às incursões dos terroristas.

"A situação vem se agravando desde que as vias de acesso ficaram cortadas, praticamente. Usava-se muito a via Mueda para Palma, via Nangade. Mas com os acontecimentos que ocorreram nos últimos tempos, praticamente não se está a usar a via desde essa altura e os produtos começaram a escassear", explica.

"Mas felizmente [na quinta-feira (04.02)], as nossas Forças de Defesa e Segurança fizeram a escolta de alguns camiões e já fizeram chegar alguns produtos a Palma, o que é um bom começo e vai estabilizar a situação", afirma.

Precariedade das rodovias

Entretanto, a Direção Provincial de Indústria e Comércio justifica as dificuldades de acesso a Palma com a precariedade das rodovias, devido às chuvas intensas que caíram na região em janeiro. Nocifo Magaia é o diretor da Indústria e Comércio em Cabo Delgado:

"O problema é de lentidão, sobretudo por causa dos acessos. Na última semana, parou de chover intensamente naquela zona e os camiões voltaram a passar normalmente e já temos comida no terreno. De outro modo, também foi ativada uma ponte marítima para o distrito de Palma," explica.

"Estão a seguir 120 toneladas [de alimento] por semana para o distrito, por via marítima. Esta dificuldade é sempre cíclica, por causa de acessos por estradas terraplanadas. Mas vai ser contornada através de abastecimentos via marítima", garante.

Controlar os preços

Para controlar aquilo que chamou de oportunismo de alguns comerciantes que se aproveitam da situação para inflacionar os preços, o diretor Provincial de Indústria e Comércio afirmou que uma equipa da Inspeção Nacional de Atividades Económicas (INAE) foi destacada para o distrito de Palma.

"Como sabem, existe uma legislação específica sobre as máximas de lucro nos bens da primeira necessidade, havendo margens de lucro muito acima daquelas que estão estabelecidas por lei. Todos esses agentes económicos incorrem em infrações que são severamente puníveis. A equipa da INAE já está no terreno e todos esses relatos que ouvimos estão a ser verificados", garante Nocifo Magaia.

DW – 06.02.2021

 

NOTÍCIAS de Maputo 06.02.2021

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Mussevenis de lá e de cá

Por Edwin Hounnou

Yoweri Musseveni, 76 anos e já leva 35 anos consecutivos de poder teocrático, é o ditador do Uganda que vai no seu sexto mandato como presidente daquele país dos Grandes Lagos e chama do país sua machamba onde plantou bananeiras e outras gostosas fruteiras cobiçadas por malandros. Ele até se julga como dono do país. Mussevini foi discípulo da FRELIMO (frente de libertação), em Nachingueia e parece ter bebido a filosofia de ser e de estar na politica do seu mestre nos seus aspectos mais obscuros, antipopulares e antidemocráticos tais como repressão contra a oposição e recurso sistemático às fraudes eleitorais. No Uganda, é prática corrente a violência contra opositores políticos, tal como acontece entre nós na nossa terra. A única diferença entre a a Frelimo (partido-Estado) consiste no facto de lá a cara do ditador ser a mesma, enquanto na nossa pátria-amada, a ditadura muda a face dos ditadores.

Não crescemos nem nos desenvolvemos ainda que tenhamos imensos recursos naturais, milhões de hectares de terra arável, dezenas de rios com curso permanente de água, milhões  braços para o trabalho  nem é pela vontade de Deus que nos afundamos na pobreza. Não é difícil concluir que a raiz do nosso problema reside em dois momentos : nas nossas lideranças que só pensam em si, nas suas negociatas e na nossa paciência elástica de aceitarmos conviver com a mediocridade. A nossa pobreza é provocada pelas elites que governam os nossos países. Musseveni foi um grande entusiasta da luta contra o regime do sanguinário Idi Amin Dadá, em 1978, integrando as operações das  forças tanzanianas e moçambicanas. Hoje, é pior que o seu antecessor, prende o seu concorrente, invade-lhe a sua casa e deixa a esposa do seu adversário nua.

Aceitamos, sem protestar nem reagir, ser governados por indivíduos que vencem as eleições através de truques mafiosos ou se mantêm no poder através de processos eleitorais fraudulentos, tais como enchimentos de urnas com votos falsos, favorecidos por uma polícia partidarizada, beneficiados por órgãos eleitorais manietados e tribunais alinhados com regimes autocráticos e  corruptos. Temos que nos queixar de nós mesmos e não de qualquer imperialismo nem de nenhuma conjectura internacional suposta desfavorável às aspirações dos povos africanos. Nós jogamos contra nós próprios, comprometendo o nosso futuro. O obstáculo maior ao desenvolvimento dos nossos povos não são as potências estrangeiras ou outrora colonizadores, a quem os nossos dirigentes pedem esmola. Pior que as potências estrangeiras são os dirigentes corruptos que são um obstáculo atravessado no caminho do desenvolvimento dos nossos países.

Somos nós próprios que nos promovemos mentiras grosseiras como a extrapolação do número da população de um círculo eleição como tentativa de “vencer” uma eleição, como aconteceu com a província de Gaza que foi debitado com um número de habitantes equivalente ao ano de 2041. São os nossos governantes que se aliam às potências estrangeiras para saquearam os nossos recursos como carvão, madeiras, gás,  petróleo, areia pesada e outros. São os regimes que dominam os nossos países que provocam êxodos massivos das populações à procura, fora das nossas fronteiras, de estabilidade socioeconômica que não conseguimos encontrar nas nossas terras devido à corrupção e guerras. O feiticeiro que nos trama longe de nós e até o admiramos.

O feiticeiro não está fora das nossas fronteiras. Nós até o referenciamos. É o que se alia às multinacionais para saquearam as nossas riquezas. diz que fica mais barato o país não produzir para se alimentar de importações de arroz, batata, cebola, alho, banana, feijões, repolho, cenoura, laranja, sapatos de segunda mão e roupas de segunda mão. O feiticeiro prefere destruir a indústria e a agricultura com os olhos virados para as importações por causa de comissões. Quando está doente atravessa a fronteira para se tratar. Os  seus filhos estudam nas melhores escolas da Europa enquanto os do povo estudam debaixo de mangueiras, sem carteiras e com a coluna vertebral encurvada ao chão e assistem camiões carregados de troncos de madeiras a passarem para a China.

Os mussevenis, tanto os de lá quanto os de cá, vencem os pleitos eleitos em que participam com recurso a fraudes. Os órgãos eleitorais são, para os mussevenis, um departamento dos seus partidos que serve para carimbar as falcatruas que protagonizam e não para implementar a soberana vontade popular expressa nas urnas. Os mussevenis não lutam para que as eleições sejam genuínas, transparentes, justas e pacíficas mas para serem legitimados. Tudo fazem para que as eleições sejam uma farsa, para não ficarem mal perante os “parceiros de cooperação” que, em conluio com seus amigos, nos enganam.  Eles pensam que o povo seja uma criança em ponto maior. Tudo têm feito para que as eleições sejam uma farsa e aceitam fazer eleições para não ficarem mal perante os “parceiros de cooperação” que abençoam as jogadas de seus amigos.

Depois da carta branca dos parceiros, os artistas cantam na nossa cara que obtiveram vitórias retumbantes, sufocantes e estonteantes, denigrindo e agredindo a democracia, perturbando a nossa convivência social. É a democracia de conveniência, de fachada para agradar os doadores de dinheiro para o funcionamento dos nossos Estados. Eles, os doadores, não estão interessados para que os nossos países sejam fortes. Assistem os gatunos roubarem o “taco" que nos emprestam. Os doadores só lançam umas bocas para nos taparem a vista. Agora vemo-los aos abraços, num gesto de cumplicidade mas os ladrões continuam em banho-maria até o povo esquecê-los.

Enquanto os nossos países forem governados por mussevenis, jamais sobressairemos da pobreza ainda que tenhamos imensos recursos como gás,  petróleo, carvão, areias  pesadas, minerais diversos, madeiras (que saqueiam com de seus amigos chineses), um invejável complexo ferroportuário para o hinterland,  com cinco portos de águas profundas e milhões de hectares de terra ociosa. O que determina o desenvolvimento de um país não são apenas os recursos de que dispõe mas o tipo de governação, a transparência e ausência de corrupção na gestão da coisa pública. Quando chegamos à independência, era proibido roubar ao povo, mas agora quem não rouba e não promove a corrupção, não é dos “nossos". Ser “nosso" pressupõe que seja corrupto e bandido.

A liberdade e a democracia são condimentos para que os nossos se possam desenvolver que, sem estes factores, se podem confundir com um cadáver. Os mussevenis odeiam a liberdade e ostracizam a democracia, por isso, os vemos a espalhar polícias, quando chegam as eleições, por temerem as mudanças e enchem as cadeias de militantes da oposição. Moçambique  apesar de todos os recursos que possui, o país vai regredindo, em todos os aspectos – sociais, políticos e económicos. Os estudos disponíveis dizem que somos um dos mais corruptos do planeta, o mais atrasado que nem conseguimos produzir para a nossa alimentação.

O país está muito mais atrasado do que quando ascendeu à independência, em 1975. A nossa indústria era uma das mais fortes de África, mas foi arrasada. A agricultura perdeu a força e a concorrência que tinha. De exímios produtores de bens essenciais que éramos, passamos a excelentes importadores até de produtos alimentar básicos.

A África será livre se os seus povos se descartarem dos mussevenis e tomar de acordar o seu destino. Os mussevenis são a porta de entrada do neocolonialismo e do mal.

CANAL DE MOÇAMBIQUE – 04.02.2021

 

Dívidas ocultas: Até quando o silêncio de Nyusi, o "empregado do povo"?

Há um "silêncio ensurdecedor" por parte do Presidente Filipe Nyusi sobre o seu suposto envolvimento no maior escândalo de corrupção de Moçambique.

No caso das dívidas ocultas, Filipe Nyusi não se tem comportado como "empregado do povo", como ele próprio se autointitulou no início do primeiro mandato como Presidente de Moçambique.

Recentemente, a Privinvest e o seu proprietário Iskandar Safa alegaram ter pago a Filipe Nyusi um milhão de dólares e comprado um carro para a sua campanha eleitoral de 2014. As alegações foram feitas no contexto da ação da Procuradoria-Geral da República (PGR) moçambicana no Tribunal Comercial do Tribunal Superior de Londres. Mas foi com silêncio que o estadista respondeu ao seu "patrão".

"O Presidente devia esclarecer isso imediatamente", comenta João Mosca.

Segundo o economista, isso implicaria, "levando as coisas às últimas consequências, a sua demissão imediata para efeitos de facilitarem e criarem condições para que todos os processos judiciais decorressem normalmente e sem a sua defesa e imunidade enquanto Presidente da República".

Não é a primeira vez que Nyusi opta pela mudez, num gesto de desconsideração para com o seu eleitorado. Em 2019, quando o negociador da Privinvest, Jean Boustani, revelou no julgamento ligado às dívidas ocultas, nos EUA, que o estadista tinha recebido dinheiro para a sua campanha, Nyusi também não deu satisfações, o que era esperado de si por uma questão de moral e ética.

Silêncio em nome da salvaguarda?

Há quem considere que o seu silêncio visa não se comprometer. O sociólogo Moisés Mabunda diz que, sendo esta uma matéria que está nos tribunais, esse poderá ser "um ato de prudência para evitar qualquer outra interpretação, mais do que aquela que está a correr nos tribunais."

O sociólogo sublinha que "ainda não tivemos a sentença do tribunal que diga o que aconteceu. O caso ainda não foi julgado. Penso que é uma questão de salvaguarda de si próprio ou da posição [que ocupa], porque não basta dizer se está ou não envolvido, teria de fornecer mais dados."

Povo espera respostas

A Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO, no poder) garantiu esta semana a inocência de Nyusi, mas há alegações contra o mais alto representante do Estado moçambicano a que ele não poderá fazer ouvidos de mercador.

No entender de João Mosca, logo que começaram a haver evidências de corrupção sólidas sobre as dívidas ocultas, todo o Governo na altura devia ter sido demitido. Mas o analista lembra que é impossível tal acontecer pela natureza do poder em Moçambique.

"Esse é um principio ético e de comportamento político que jamais existirá num partido [FRELIMO] conhecido pelas mais diferentes formas de repressão violenta. E queremos que haja um pronunciamento do Presidente da República sobre isso", pede.

DW – 05.02.2021

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

 

Insurgentes atacam aldeias Nkonga e Lijungo

Distrito de Nangade, norte de Cabo Delgado

Grupos insurgentes protagonizaram, nos últimos dias, mais ataques em algumas aldeias do distrito de Nangade.

Os ataques aconteceram nas aldeias Nkonga e Lijungo, localizadas cerca de 50 quilómetros da sede distrital.

Fontes da vila de Nangade contaram que foi por volta das 9 horas do dia 30 de Janeiro que o bando armado escalou a aldeia Nkonga com tiroteios. Entretanto, soubemos, poucas pessoas estavam na aldeia tendo em conta que depois dos ataques de Dezembro de 2020, maior parte dos residentes locais abandonou a aldeia à busca de locais relativamente mais seguros, particularmente a sede distrital.

Além do saque de diversos produtos, particularmente alimentares, o grupo atacante ainda capturou e fez refém uma rapariga local, que posteriormente foi obrigada a indicar os esconderijos de outros populares.

Efectivamente, soubemos de fontes locais, um grupo de seis meninas foi localizada escondida nas machambas locais. Das seis, duas terão sido obrigadas a seguir com o bando.

Por outro lado, já a 1 de Fevereiro corrente, os insurgentes escalaram a comunidade de Lijungo, a 49 quilómetros a sul de Nangade. Não se conhecem os danos exactos desta incursão, mas o factual é que muitas pessoas daquela comunidade já estavam refugiadas na zona de Nambedo.

MEDIA FAX – 05.02.2021

 

"Todo mundo sabe que somos corruptos, ladrões, graças aos dirigentes que temos"

EUREKA por Laurindos Macuácua

Cartas ao Presidente da República (47)

Presidente: podia eu estar, nesta carta, a falar-lhe de Covid-19 e das novas medidas para o combate desta pandemia que o senhor introduziu ontem. Mas não posso. Há algo que me engasga. Não desce nas minhas goelas. É a corrupção! Já não dá para esconder.

Todo mundo sabe que somos corruptos, ladrões, graças aos dirigentes que temos. O recente ranking anual da Transparência Internacional (TI) dá uma percepção da corrupção e da evolução da imagem do País.

Moçambique caiu três posições, passando do lugar 146 para 149. No relatório, realça-se o risco de Moçambique se encaminhar para uma espiral descendente, sem esforços concertados para apoiar a transparência e a responsabilização. E diz-se mais: há falta de empenho dos donos do poder no País para estancar a corrupção.

A elite política e governamental continua a usar a corrupção para acumular negócios e oportunidades para se enriquecer. Tudo isto, Presidente, é a descrição de um Estado capturado por uma teia de interesses e negócios.

E tudo isto foi antes de os milhões do gás natural começarem a jorrar. E no dia que os teremos o que há-de acontecer? Por outro lado, essência desta minha carta, há notícias não abonatórias para o partido Frelimo. A recente missão a Maputo do ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Augusto Santos Silva, está a ser objecto de comentários desaprovadores em meios diplomáticos europeus.

Não gostaram do que ele assumiu no encontro que teve com o Presidente. Ele, o governante português, acolheu favoravelmente a ideia de as ajudas humanitárias destinadas aos refugiados internos causados pelo conflito em Cabo Delgado sejam canalizadas pela Agência de Desenvolvimento Integrado do Norte (ADIN).

E os europeus toparam logo que essa agência de Celso Correia vai desviar tudo. Esses produtos nunca chegarão ao seu destino. Perder-se-ão em qualquer esquina antes de chegarem a quem mais necessita. Encontrá-los-emos nos dumbanengues deste País a serem vendidos.

Serão desviados, como tudo é desviado neste País. Seria absurdo se a União Europeia acolhesse a ideia de canalizar a ajuda por via da ADIN de Celso Correia.

Quer dizer, o Celso Correia-apagado que anda- quer reaparecer por via dessa ajuda? O europeu sabe que uma das razões da insurgência em curso em Cabo Delgado é em virtude desse roubo desenfreado das elites.

Seria patético que ao invés de eles ajudarem a combater esse roubo, dessem mais meios e oportunidade para a Frelimo roubar. A ajuda pode chegar, mas duvido que será por via ADIN ou outra agência que o Governo da Frelimo possa criar.

É uma ajuda que vai ser escrutinada. Se for necessário-quando a ajuda chegar-, até vigiaremos a casa de Celso Correia e de todos os membros do partidão para nos certificarmos que nenhum saco de arroz entrará pela calada da noite.

Desta vez não basta o europeu oferecer a ajuda necessária. É preciso ter uma equipa de jovens que poderão dormir à porta de qualquer membro deste Governo, e dos seus mais directos colaboradores, para se ter certeza que o produto doado não entra em nenhuma dessas casas.  Voluntários há tantos neste País. Eu sou o primeiro. E tenho mais quatro ou cinco amigos que oferecer-se-ão para esta nobre missão de vigilantes!

DN – 05.02.2021