"Deus criou as pessoas para amarmos e as coisas para usarmos, porque então amamos as coisas e usamos as pessoas?"



quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

 

Terroristas sem logística e em debandada – conta sobrevivente

É uma versão contada por uma sobrevivente do terrorismo em Cabo Delgado. Os terroristas estão em debandada, porque a logística já é escassa e os financiadores já não efectuam os pagamentos, tal como faziam. Esta informação é confirmada por uma sobrevivente, que conseguiu fugir de um cativeiro do grupo terrorista, localizado em Manilha, uma das aldeias do distrito de Mocímboa da Praia.

Leia aqui  Terroristas sem logística e em debandada – conta sobrevivente (cartamz.com)

 

Moçambique: Famílias afetadas por desabamento exigem casas prometidas

Hulene_arrendamentoA edilidade de Maputo já não está a pagar as casas arrendadas onde vivem mais de 250 famílias afetadas pelo desabamento da lixeira no bairro de Hulene, que dizem estar a sofrer ameaças de expulsão.

As famílias cujas casas foram destruídas pelo desabamento da lixeira no bairro de Hulene em 19 de fevereiro de 2018, denunciam que foram abandonadas pelo município de Maputo.

Na altura, a edilidade liderada por David Simango transferiu as mais de 250 famílias afetadas e aquelas que viviam nos arredores da lixeira para o bairro do Albazine, a mais de 20km da capital.

"Se me tirarem, só posso levar minha família até ao município, porque foi o município que destruiu a minha casa. Seja como for, vou levar a minha família até lá no município. Eles saberão o que fazer. Não tenho outro sítio, nem tenho irmão que me possa dar espaço", conta à DW.

Dívidas e abandono

Muitas das famílias afetadas dizem que estão a acumular dívidas de arrendamento. As a relações com os senhorios são tensas, diz António Maolela.

"O convívio com o proprietário era fácil. Havia bom entendimento porque pagávamos antecipadamente, não tínhamos problemas. Mas a dado momento, o Concelho Municipal deixou de pagar a tempo e horas e estamos a ter muitas dificuldades mesmo com os proprietários", revela.

O chefe de quarteirão deste grupo, Bernardo Cumbe, diz que foram feitas diligências junto do município, agora liderado por  Eneas Comiche, mas a resposta não chega.

"O município despreza-nos. Já o contatámos várias vezes, mas o município nunca deu resposta satisfatória ao nosso pedido. Portanto, estamos muito preocupados, porque as nossas reclamações não têm sido bem acolhidas", lamenta Bernardo Cumbe.

Moçambique: Famílias afetadas por desabamento exigem casas prometidas

Hulene_arrendamentoA edilidade de Maputo já não está a pagar as casas arrendadas onde vivem mais de 250 famílias afetadas pelo desabamento da lixeira no bairro de Hulene, que dizem estar a sofrer ameaças de expulsão.

As famílias cujas casas foram destruídas pelo desabamento da lixeira no bairro de Hulene em 19 de fevereiro de 2018, denunciam que foram abandonadas pelo município de Maputo.

Na altura, a edilidade liderada por David Simango transferiu as mais de 250 famílias afetadas e aquelas que viviam nos arredores da lixeira para o bairro do Albazine, a mais de 20km da capital.

"Se me tirarem, só posso levar minha família até ao município, porque foi o município que destruiu a minha casa. Seja como for, vou levar a minha família até lá no município. Eles saberão o que fazer. Não tenho outro sítio, nem tenho irmão que me possa dar espaço", conta à DW.

Dívidas e abandono

Muitas das famílias afetadas dizem que estão a acumular dívidas de arrendamento. As a relações com os senhorios são tensas, diz António Maolela.

"O convívio com o proprietário era fácil. Havia bom entendimento porque pagávamos antecipadamente, não tínhamos problemas. Mas a dado momento, o Concelho Municipal deixou de pagar a tempo e horas e estamos a ter muitas dificuldades mesmo com os proprietários", revela.

O chefe de quarteirão deste grupo, Bernardo Cumbe, diz que foram feitas diligências junto do município, agora liderado por  Eneas Comiche, mas a resposta não chega.

"O município despreza-nos. Já o contatámos várias vezes, mas o município nunca deu resposta satisfatória ao nosso pedido. Portanto, estamos muito preocupados, porque as nossas reclamações não têm sido bem acolhidas", lamenta Bernardo Cumbe.

Intervenção presidencial

Por falta de resposta do município, o grupo dos antigos moradores das redondezas da lixeira e aqueles que foram diretamente afetados criaram uma comissão de moradores. Esta é liderada por António Massingue, que quer que seja o próprio Presidente da Republica, Filipe Nyusi, que na altura visitou o local, a resolver o problema.

"Queríamos que o chefe de Estado levasse a nossa situação a peito. Da mesma forma como ele apareceu com aquela ênfase e nos mostrou que, de facto, estava preocupado com o seu povo. Queríamos que o chefe de Estado recuasse no tempo, olhasse para nós e dissesse: 'Já passou um tempo suficiente, prometemos organizar as casas em um ano, este é o terceiro ano'. Então, é um tempo suficiente para ver que o sofrimento do povo," disse Massingue.

Dezesseis pessoas morreram na sequência do desabamento da lixeira de Hulene, no início de 2018. O município retirou então do local outras famílias que estavam em risco.

DW – 27.01.2021

Intervenção presidencial

Por falta de resposta do município, o grupo dos antigos moradores das redondezas da lixeira e aqueles que foram diretamente afetados criaram uma comissão de moradores. Esta é liderada por António Massingue, que quer que seja o próprio Presidente da Republica, Filipe Nyusi, que na altura visitou o local, a resolver o problema.

"Queríamos que o chefe de Estado levasse a nossa situação a peito. Da mesma forma como ele apareceu com aquela ênfase e nos mostrou que, de facto, estava preocupado com o seu povo. Queríamos que o chefe de Estado recuasse no tempo, olhasse para nós e dissesse: 'Já passou um tempo suficiente, prometemos organizar as casas em um ano, este é o terceiro ano'. Então, é um tempo suficiente para ver que o sofrimento do povo," disse Massingue.

Dezesseis pessoas morreram na sequência do desabamento da lixeira de Hulene, no início de 2018. O município retirou então do local outras famílias que estavam em risco.

DW – 27.01.2021

quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

 

Insurgência: Resistência de Moçambique a apoio sul-africano é "legítima"

Analistas consideram "legítimo" silêncio de Moçambique perante oferta de ajuda sul-africana no combate a terroristas em Cabo Delgado, tendo em conta soberania nacional e possíveis interesses individuais da África do Sul.

O tempo está a passar e ainda não está definido o apoio da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) no combate à insurgência em Cabo Delgado.

Na semana passada, Maputo delineou áreas concretas em relação ao apoio europeu: formação militar, apoio direto aos deslocados e ajuda ao desenvolvimento. Porém, ainda não haverá essa clareza em relação ao apoio da SADC.

Há uma semana, a ministra sul-africana dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Naledi Pandor, disse que Pretória continua sem saber, apesar de vários contatos, que tipo de apoio o país e a região deverão oferecer a Moçambique:

"A situação em Moçambique e a nossa inabilidade, como SADC, para alcançar um acordo em torno do tipo de apoio a prestar mantém-se um enigma preocupante para nós como autoridades sul-africanas", declarou.

Em entrevista à Bloomberg, o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação de Moçambique, Manuel Gonçalves, assegurou que há contactos com a SADC acerca da insurgência desde maio de 2019, tendo sido comunicado o tipo de ajuda que o país necessita. Manuel Gonçalves prometeu ainda que Moçambique "vai continuar a trabalhar com a região".

Porém, até aqui, o Governo moçambicano tem resistido à ajuda internacional, socorrendo-se apenas a companhias de mercenários sul-africanos.

A reunião da SADC marcada para a semana passada, em que o tema da segurança em Cabo Delgado seria finalmente debatido, foi adiada, sem ter sido marcada nova data.

Silêncio compreensível

Para Muhamad Yassine, académico e membro da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO), é lógico que Moçambique não tenha tomado ainda uma posição quanto ao apoio sul-africano. Antes de tudo, Maputo teria de analisar as intenções do país vizinho.

"Se for a ver, o tipo de apoio que a África do Sul pretende dar é a título singular e não no âmbito da SADC, primeiro, e os Estados são guiados em função dos seus interesses e não exatamente pelas questões de amizade, porque os Estados podem ser amigos hoje e amanhã não ser", pondera.

Há fortes interesses sul-africanos em causa, que não podem ser ignorados, entende Egna Sidumo, docente e pesquisadora junto da Universidade Joaquim Chissano, em Maputo.

"Não é possível ignorar o facto de que também existem outras empresas com outros interesses - empresas privadas que trabalham no setor de segurança da África do Sul, que olham para Moçambique não necessariamente como um país que precisa de ajuda, mas como um mercado para os serviços que essas empresas têm. A África do Sul também pode estar a jogar um papel, ainda que consciente ou inconscientemente, para abrir esses mercados", avalia. 

Defesa da soberania nacional

E, em última análise, Moçambique é um Estado soberano. Qualquer ajuda deve respeitar esse princípio, lembra ainda a pesquisadora.

"É legítima a preocupação da SADC, é legítima a preocupação da África do Sul. Mas é também legítima a decisão de Moçambique de continuar a adiar esta decisão. Principalmente, tratando-se de que as opções que estão na mesa - ou pelo menos que são aquelas que são mais discutidas - são aquelas que tocam ou que mexem diretamente com o processo de defesa da soberania do território nacional", considera Egna Sidumo.

A violência na província moçambicana de Cabo Delgado começou em 2017 e já fez mais de dois mil mortos e 560 mil deslocados.

Na terça-feira (26.01), a União Africana anunciou - para os próximos dias - a deslocação a Moçambique de uma missão para avaliar o apoio necessário à luta contra o terrorismo.

DW – 27.01.2021

 

Mondlane não foi o nacionalista como a Frelimo conta

EduardoChivamboMondlanePor Francisco Nota Moisés

Filho do régulo Monjana (Mondlane foi a forma aportuguesada que ele adoptou.) Há Monjanas nas terras dos Changanas e isto de pessoas se chamarem Mondlane é recente. O padre Gwenjere que tinha vivido la no sul de Moçambique aquando dos seus estudos no Seminário Maior de Malhangalhene e que tinha aprendido e falava o changana ou ronga nunca se referia a Mondlane como Mondlane.  Ele sempre dizia Monjana, mesmo falando a Mondlane a quem ele um dia: "Tu és um traidor."

Lamentando-se sobre isto, Mondlane veio mais tarde a dizer na minha presença: "Que eu respeito muito o padre Gwenjere. Ele é um homem muito educado, mas não gosto das suas atitudes." Gwenjere, um grande filósofo envergonhava todos eles, que se estremeciam perante ele. Daí que o odiaram com toda a força da sua vontade.

Quando Mondlane se descreveu como nacionalista, ele fê-lo mentindo, sabendo muito bem que de nacionalista nada tinha.  Ora vejamos para esta mentira que se revela nas suas contradições. Mondlane alega ter estado na University of the Witwatersrand, Johannesburg e disse que os bueros correram com ele por ele ter manifestado o seu nacionalismo contra Portugal. Custa acreditar que os bueros, os amigos dos Portugueses na luta contra o nacionalismo dos pretos na Africa do Sul e em Moçambique, não alertaram aos portugueses sobre o perigo politico que Mondlane representava contra Portugal, se o que ele dizia era verdade. 

E isto não é tudo. Depois de ter alegadamente estado na Africa do Sul como estudante da Universidade de Waterswitsrand, Mondlane parte para ir estudar em Portugal. E nunca disse em que universidade. Pelo menos o amigo dele Chissano disse que estava na Universidade de Lisboa a estudar a medicina onde fez o primeiro ano antes de "fugir" para a França antes de se ir integrar mais tarde na Frelimo no Tanganyika.

E de Lisboa, Mondlane parte para os Estados Unidos com um passaporte português e como cidadão português. Talvez o único das colonias a fazê-lo enquanto todos os outros, principalmente do Centro, e basicamente produtos do Zobué, saíram de Moçambique secretamente para o Malawi com a ajuda do malogrado padre belga Andre de Bels que morreu de demência em Maryland nos Estados Unidos alguns anos atrás, deixando uma viúva e um filho.

Até à altura da formação da Frelimo, ninguém conhecia ou tinha ouvido falar de Mondlane, mas quando Julius Nyerere, um homem da origem sena,*  fazia esforço para obter a independência do Tanganyika como território mandatado da Liga das Nações sob a tutela da Grã-Bretanha cujas tropas partidas do Quénia pare expulsarem os  alemães daquele pais durante a Primeira Guerra Mundial, encontrou-se com Mondlane que trabalhava como delegado português no programa de  descolonização da ONU.  Segundo Nyerere, o jovem Mondlane lhe impressionou  muito como um homem inteligente e aberto.

Quando os nacionalistas moçambicanos se congregaram no Tanganyika antes da federação deste território com a Ilha de Zanzibar em 1964 para o novo país se chamar Tanzânia, Nyerere começou a interferir nos seus assuntos dos nacionalistas moçambicanos, dizendo-lhes que ele conhecia um moçambicano educado que podia os dirigir, coisa que não corria bem com Adelino Gwambe e outros que depois se desengajaram da Frelimo para formar o Comité Revolucionário de Moçambique em Lusaka, Zambia, com o apoio de Kenneth Kaunda. 

Quando Mondlane, então lecionando a sociologia na Universidade de Syracuse no Estado do Upprer State New York, recebeu o pedido do Nyerere, ele não estava entusiasmado visto que trabalhava para as suas pensões para o tempo depois da sua reforma. E na verdade ele recusou, mas ele amigou-se com Edward Kennedy, da família Kennedy, que veio a ser um senador mais tarde e que morreu de cancro do celebro umas décadas atrás.

Foi o tal Edward Kennedy que o apresentou àCIA que assegurou a Mondlane o seu apoio financeiro depois de lhe dizer que eles os americanos queriam que ele fosse para a Tanzânia para lá ser "os nossos olhos e ouvidos."  Os americanos, amigos de Portugal na OTAN, sabiam que a organização terrorista que se formava na Tanzânia viria sob a influencia da União Soviética e da China Vermelha e isto os incomodavam.  Foi somente depois disto que Mondlane ficou assegurado.  Daí, Mondlane, em vez de recrutar os estudantes  do centro de Moçambique nos Estados Unidos, foi a Lisboa recrutar Pidecos da sua terra tais como Joaquim Chissano, Pascoal Mocumbi, Mariano Matsinhe para irem se integrar na Frelimo com ele. 

Portanto, ele encontrou a Frelimo formada. E é mentira quando dizem que ele formou a Frelimo.  E é também mentira grosseira quando dizem que ele foi o obreiro da unidade nacional. Mondlane foi um grande desordeiro e desorganizador da unidade nacional. Daí que este autor (Francisco Moisés), embora novinho em folha no ano de 1968, esteve na linha de frente na revolta contra Mondlane que se fazia sentir e era apoiada por militares e militantes da Frelimo na Tanzânia e mesmo por alguns combatentes no interior de Moçambique.

Toda a gente sabia que ele, Janet e Betty King, que eu nunca cheguei de conhecer visto que ela não vinha ao Instituto Moçambicano  em Dar Es Salaam visto que os estudantes eram muito hostis aos  brancos e outros não pretos (Hélder Martins, a sua esposa, Jacinto Veloso,  Óscar Monteiro, Jorge Rebelo e Sérgio Vieira) que eram todos suspeitos de serem agentes dos portugueses.  Na verdade, o padre Gwenjere tinha conseguido convencer  com provas e evidencias o gabinete de Rashid Kawawa, o vice-presidente do Nyerere, que todos aqueles eram agentes da Pide.  Os tanzanianos os escorraçou para a Argélia no ano de 1969.  A Frelimo retrouxe-os mais tarde depois do colapso da nossa revolta.

Em 1968, Mondlane pressentia a morte que lhe avizinhava.  Falando ao jornal Mzalendo (O Nativo) em Swahili, ele disse que ia morrer com o seu amor pelo Moçambique no seu peito.  E no dia 11 de Março de 1968, enquanto eu e outros jovens estávamos ainda em Dar Es Salaam, um grupo de macondes incluindo uma mulher com um bebé no colo e armados de catanas, paus e cornos, aproveitaram-se da ausência do Gwenjere que tinha indo em serviço pastoral a cidade de Morogoro para o noroeste de Dar Es Salaam e os desencorajava a nao recorrer a violência contra os dirigentes da Frelimo, assaltaram o escritório da Frelimo No Nkrumah Street. Agarraram no Chissano, mas o treinado da KGB, conseguiu sair das mãos dos assaltantes  que tentavam o catanar quando o casaco que usava perdeu os seus botões e ele o retirou do seu corpo antes de correr pelas escadas abaixo para entrar e correr na rua somente de camisola.  Sérgio Vieira meteu-se e fechou-se na latrina e os assaltantes não tiveram o tempo de quebrar a porta para cataná-lo e dar cabo dele antes de se retirarem e se dispersarem para não serem apanhados pela policia tanzaniana.  Infelizmente, Sansão Mutemba, que dizem ter sido o pai da Josinha Mutemba, a namorada de Felipe Magaia, que Samora Machel veio a forçar a ser a sua esposa depois de organizar o assassínio do outro, foi agarrado e catanado na cabeça e veio a morrer no Muhimbili Hospital, hospital central de Dar Es Salaam, das feridas infligidas.  

Quem estaria por detrás da morte de Mondlane?  Não os portugueses para quem Mondlane era um instrumento útil por ter estado ligado a CIA com que a PIDE tinha estreitas ligações. E Mondlane obtinha dinheiro da CIA.

Nenhum dos opositores tinha a sofisticação de obter e armar uma bomba numa encomenda.

Agora a maior suspeita: terão sido os tanzanianos que o fizeram depois de estarem saturados com as traições do Mondlane que eles sabiam ia a Lisboa e mesmo a Lourenço Marques secretamente.  Eles o tinham constituído com uma fama internacional e não podiam expulsá-lo da Tanzânia sem se fazerem de parvos.

O dedo acusador parece na verdade dirigir-se aos tanzanianos que não emitiram nenhuma informação da sua investigação sobre a morte de Mondlane e nem permitiram que houvessem fotografias. E nem permitiram a Interpol divulgar o que obteve das suas investigações.

A policia Tanzaniana deteve na verdade Joaquim Chissano, Marcelino dos Santos, Betty King que foram chamboqueados (Antonio Augusto Marangabassa) aquela tarde enquanto na detenção.  Joaquim Chissano, chefe da segurança da Frelimo é um daqueles que dizíamos ser um agente da PIDE na Frelimo como o próprio Mondlane, contra quem dirigimos a revolta de 1968 com na verdade certa simpatia do escritório de Rashid Kawawa, o vice-presidente do presidente Nyerere da Tanzânia, o homem que decidiu separar os jovens da liderança da Frelimo para nossa segurança e nos colocou no campo de Rutamba com uma instrução aos funcionários da ONU e a nós os exilados que alertássemos ao governo logo que víssemos qualquer dirigente da Frelimo a chegar lá para nos chatear para o governo agir contra eles.  Na verdade, só uma vez chegou o Chissano depois de ser verificado pela ONU e encontrou-se comigo e um outro rapaz e recusamos falar com ele em português depois de lhe dizer que não o conhecíamos e nós não eramos da terra dele, mas sim congoleses, preferindo fazê-lo em francês que já falávamos no seminário de Zobué onde o tínhamos aprendido. Este rapaz e eu só falávamos em francês quando estávamos juntos.  Chissano disse que devíamos pedir perdão aos líderes da Frelimo e nós dissemos-lhe logo " vai-te embora Satanás."

*O antepassado do Julius Nyerere era um régulo na terra dos senas que se desentendeu com os portugueses e fugiu para Nyasalnd antes de se dirigir para o Tanganyika.  A  palavra Nyerere em sena quer dizer formiga.  Este nome não é comum na Africa oriental e é somente ele e a sua família que tem este nome. E há poucos copiadores deste nome desconhecido na Africa oriental.

A RECORDAR:

7 Fevereiro 2006, 11:18

Jornal moçambicano põe em dúvida local da morte de Eduardo Mondlane

por Agência LUSA  

O primeiro presidente da FRELIMO, Eduardo Mondlane, foi morto na casa da secretária norte-americana da sua mulher e não no seu gabinete, noticia hoje o novo diário por fax Canal de Moçambique, na sua primeira edição.

A notícia é a primeira a pôr em dúvida o local "oficial" do assassinato de Eduardo Mondlane, a 03 de Fevereiro de 1969, na capital da Tanzânia, Dar-es-Salam, geralmente atribuído à PIDE, a polícia política da ditadura portuguesa.

Os manuais de História leccionados no ensino moçambicano, redigidos na altura em que a FRELIMO governava o país em regime de partido único, referem que Mondlane morreu ao abrir um livro-bomba no seu escritório de trabalho, em Dar-es-Salam, onde o movimento que na altura lutava contra o colonialismo português tinha a sua sede.

A FRELIMO atribuiu desde logo o atentado à PIDE, mas o Canal de Moçambique refere que a polícia tanzaniana chegou a deter por algumas horas Joaquim Chissano, que na altura dos acontecimentos era secretário particular de Eduardo Mondlane, bem como Marcelino dos Santos e a mulher deste, Pamela.

Na ocasião foi também detida a norte-americana Betty King, secretária da mulher de Mondlane, Janet, igualmente norte-americana.

"A história que há 37 anos se ensina oficialmente aos moçambicanos e faz parte dos curricula escolares é falsa. É mentira. A verdade é outra. O primeiro presidente da FRELIMO morreu num edifício da secretária da esposa, em Oyster Bay, na capital tanzaniana", lê-se no Canal de Moçambique.

"Sim, confirmo que foi em casa de Betty King. Fui lá para ver o corpo", refere também o ex-presidente Joaquim Chissano, ouvido pelo jornal no dia 03 de Fevereiro, à saída da cripta dos heróis moçambicanos, onde estão guardados os restos mortais de Mondlane.

A data de 03 de Fevereiro, que evoca o assassinato de Mondlane, foi escolhida para dia dos heróis moçambicanos.

Segundo o jornal, a viúva de Eduardo Mondlane também confirmou que o seu marido morreu na casa da sua secretária Betty King, "onde ele ia passar os seus momentos de lazer".

A casa da secretária situava-se num bar residencial muito movimentado.

Na manhã da segunda-feira em que se deu o atentado, a residencial estava deserta, não se encontrando no seu interior nem Betty King nem a maioria dos empregados, mas apenas um trabalhador que serviu um chá a Mondlane, acrescenta o jornal.

Na sua primeira edição, o Canal de Moçambique assume-se como um jornal que tentará ser "um espaço aberto e novo na maneira de abordar o passado, de encarar o presente e de contribuir para o país".

 

NOTÍCIAS de Maputo 27.01.2021

Noticias - 27.01Leia aqui

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Terrorismo: Missão da União Africana avalia apoio a Moçambique

Uma missão da União Africana vai avaliar, em Moçambique, o apoio necessário à luta contra o terrorismo. "Não somos insensíveis ao que se passa em Moçambique", disse o presidente da Comissão da UA, Moussa Faki Mahamat.

Violência armada na província Cabo Delgado já fez mais de duas mil mortes

"Não somos insensíveis ao que se passa em Moçambique. A União Africana está empenhada na luta contra o terrorismo, seja no Sahel, seja na bacia do Chade, seja no Mali ou em Moçambique", afirmou esta terça-feira (26.01) Moussa Faki Mahamat, questionado pela Lusa, depois de se reunir, na Praia, com o Presidente de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca.

O responsável avançou que uma missão daquela organização a Moçambique vai avaliar nos próximos dias "a modalidade prática de apoio da União Africana à luta contra o terrorismo", referindo-se à insurgência armada na província de Cabo Delgado, no norte do país. 

"Mas agimos com base no princípio da subsidiariedade. Moçambique pertence à zona da SADC [Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral], pelo que é na zona da SADC que o assunto tem sido abordado e temos estado em contacto com a SADC e com Moçambique", recordou o antigo ministro dos Negócios Estrangeiros do Chade, que está em final de mandato e é recandidato, único, ao cargo, nas eleições previstas para fevereiro.

UE reforça cooperação

O ministro dos Negócios Estrangeiros português, Augusto Santos Silva, disse na segunda-feira (25.01), em Bruxelas, esperar que, "nas próximas semanas", seja alcançado um "quadro de cooperação reforçada" entre União Europeia e Moçambique, para enfrentar a "situação gravíssima" em Cabo Delgado.

Terrorismo em Cabo Delgado no topo da agenda bilateral Portugal-Moçambique

Em declarações em Bruxelas, onde participou numa reunião dos chefes de diplomacia da UE, Santos Silva deu conta que explicou aos seus homólogos a "missão política" que realizou na semana passada a Maputo, "para exprimir a solidariedade europeia com a situação gravíssima que Moçambique enfrenta na sua luta contra o terrorismo e a insurgência na província de Cabo Delgado".

Lembrando que realizou esta missão "como representante do alto-representante para a Política Externa e de Segurança da UE", Josep Borrell, o ministro português reiterou que "os objetivos desta missão política foram todos cumpridos [...] e pude recolher as prioridades muito claras das autoridades moçambicanas, que querem maior cooperação da Europa na área da ação humanitária, na área do apoio ao desenvolvimento e na área da segurança", disse.

Nesta última área, Moçambique pretende sobretudo "apoio à formação e ao treino de forças militares especiais, assim como através da provisão de equipamento e de capacidade logística", precisou Santos Silva.

"Ao mesmo, as equipas técnicas dos dois lados começaram a trabalhar e, portanto, a minha expectativa é que nós, durante as próximas semanas, possamos chegar a um quadro de cooperação reforçada com Moçambique", afirmou.

A violência armada na província Cabo Delgado, norte de Moçambique, onde se desenvolve o maior investimento multinacional privado de África, para a exploração de gás natural, está a provocar uma crise humanitária com mais de duas mil mortes e 560 mil pessoas deslocadas, sem habitação, nem alimentos, o que levou as autoridades moçambicanas a pedir auxílio à UE.

DW – 27.01.2021

 

Total olha Mayotte como possível base de retaguarda para GNL moçambicano

MAYOTTEA Total espera criar uma base logística em Mayotte para as suas operações offshore de Moçambique. A ilha francesa, por sua vez, está olhando para o panorama geral e sonha em se tornar a base permanente de retaguarda, no Oceano Índico.

O grupo francês Total, alarmado com a deterioração da situação de segurança na província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, onde está a desenvolver dois comboios de liquefacção no valor de $ 20 mil milhões, pretende realocar algumas das suas actividades.

Segundo nossas informações o Big Boss da Total Patrick Pouyanné vem negociando com as autoridades de Mayotte para auxiliar nas operações offshore. Mayotte serviria inicialmente como uma plataforma logística, em particular para armazenar alguns dos equipamentos necessários para o trabalho offshore. As autoridades da ilha fizeram de tudo para onde 84% das pessoas vivem abaixo da linha da pobreza.

Mayotte destacou seus muitos pontos fortes em sua tentativa de cortejar Total. Situa-se a cerca de 500 km da cidade moçambicana de Pemba, capital da província de Cabo Delgado. No lado logístico, possui um porto de águas profundas e uma pequena base naval em Dzaoudzi. Um destacamento da Legião Estrangeira Francesa comandado pelo Coronel Hugues Latournerie está permanentemente implantado na ilha.

Também possui um complexo hospitalar totalmente funcional, uma raridade na região, e espera que a Total ali hospede as famílias de seus trabalhadores expatriados. Esse projeto em particular não é provável que aconteça em um futuro próximo. A pandemia Covid-19 forçou a empresa a enviar seus trabalhadores sem suas famílias, e essa política permanecerá em vigor pelo menos até junho.

Outras restrições logísticas podem prejudicar as grandes esperanças da ilha. A pista de 1.930 m em Dzaoudzi-Pamandzi, o aeroporto principal, não é grande o suficiente para acomodar aeronaves muito grandes. O presidente francês Emmanuel Macron tem pouco mais de um ano para cumprir sua promessa de campanha eleitoral de uma extensão da pista para 2.600 m antes que seu mandato termine em 2022.

Outro problema é que a Total trabalha com uma série de subcontratados em Moçambique que relutam em se mudar para Mayotte. A Total, porém, pediu a essas empresas que avaliassem os custos de transferência de algumas operações para lá. Esta solução de fallback pode ajudá-lo a evitar futuras paralisações de suas atividades. As suas operações no norte de Moçambique estão actualmente paradas depois que a violência jihadista em Cabo Delgado obrigou o grupo a repatriar a maior parte da sua força de trabalho para a capital Maputo no final do ano passado.

Africa Intelligence – 26.01.2021

NOTA: Mayotte fica a cerca de 530 Km de Palma. Será esta mais uma "vitória" do governo Nyusi?

Fernando Gil

MACUA DE MOÇAMBIQUE