| Destaques - Nacional |
| Escrito por Adérito Caldeira em 28 Março 2020 |
"Em Moçambique, ao nível do Instituto Nacional de Saúde, até hoje, 27 de Março de 2020, foram testados 141 casos suspeitos, dos quais 43 nas últimas 24 horas. Dos novos casos testados, todos revelaram-se negativos para o coronavírus. Portanto, actualmente, o nosso país tem o registo de sete casos positivos dos quais seis importados e um de transmissão local. Actualmente, temos um total cumulativo de 96 contactos em acompanhamento", disse em conferência de imprensa a Dra. Rosa Marlene.
O @Verdade apurou que entre os casos suspeitos, na maioria do sexo feminino, 29 são cidadãos moçambicanos.
De acordo com a Directora Nacional de Saúde Pública os casos positivos continuam com sintomatologia ligeira e por isso não precisam de tratamento hospitalar, estão em isolamento nas suas residência na Cidade de Maputo.
A Dra. Rosa Marlene precisou ainda que todos os cidadãos que tiveram algum tipo de contacto com os sete infectados estão a ser acompanhados pelas autoridades de Saúde na capital moçambicana.
O @Verdade descortinou que estavam em quarentena nesta sexta-feira (27) apenas 1.367 viajantes reconfirmando que os quase dez mil moçambicanos que regressaram da África do Sul nos últimos dias não estão a obedecer o protocolo de 14 dias de quarentena domiciliária por serem provenientes de um país onde a covid-19 foi diagnostica em mais de mil pessoas e tinha causado dois óbitos.
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"Deus criou as pessoas para amarmos e as coisas para usarmos, porque então amamos as coisas e usamos as pessoas?"
segunda-feira, 30 de março de 2020
Cidade de Maputo é o epicento da covid-19 em Moçambique
Estado de Emergência pelo "elevado risco da rápida propagação comunitária" da covid-19 em Moçambique
| Destaques - Nacional |
| Escrito por Adérito Caldeira em 28 Março 2020 |
"Devido ao elevado risco da rápida propagação comunitária" da pandemia covid-19 que entrou na fase intra-epidémica em Moçambique o Conselho de Estado, empossado nesta sexta-feira (27), reuniu e aconselhou ao Presidente da República "a "enveredar pela declaração do Estado de Emergência". Aguarda-se o posicionamento do Chefe de Estado que, se decidir declarar o Estado de Emergência, deverá ainda submeter a sua decisão à ratificação da Assembleia da República.
Composto por Esperança Bias, Lúcia Ribeiro, Verónica Macamo, Alcinda de Abreu, Felizarda da boaventura Paulino; Maria Massamba, Jamisse Taimo, Aminuddin Mohamad, Juliano Picardo, Abdul Ibraimo, Alberto Chipande, Eduardo Nihia, Daviz Simango e Ossufo Momade a 1º reunião do 2º mandato o Presidente Filipe Nyusi teve como ponto único de agenda a situação do novo coronavírus que já infectou sete cidadãos no nosso país.
"Devido ao elevado risco da rápida propagação comunitária da covid-19, o Conselho de Estado aconselhou ao Chefe do Estado a enveredar pela declaração do Estado de Emergência, nos termos da alínea b) do artigo 165, da Constituição da República de Moçambique, conjugado com a alínea b) do artigo 2, da Lei nº 5/2005 de 1 de Dezembro, que regula a organização do Conselho de Estado e define o estatuto de seus membros", indica um comunicado da Presidência da República.
O comunicado refere ainda que este órgão de consulta do Presidente Filipe Nyusi saudou "aos profissionais da saúde que não têm poupado esforços no cumprimento da sua missão", saudou "ao Governo pela criação da Comissão Técnica Científica de Resposta a covid-19 e encorajar que continue a desenvolver, com zelo e profissionalismo o seu trabalho", agradecer "ao povo moçambicano que, consciente do contexto actual, tem acatado as recomendações emanadas pelo Governo, apelando que se continue a massificar a educação cívico-sanitária", e ainda reconhecer "o trabalho das congregações religiosas, apelando-as a reforçarem as medidas preventivas, junto dos seus fieis e cidadãos, em geral".
Constitucionalmente o Presidente Nyusi pode declarar o Estado de Emergência por um período de 30 dias que são prorrogáveis por iguais períodos até três.
Após a declaração do Estado de Emergência o Chefe de Estado deve submeter o documento à Assembleia da República para ratificação num prazo máximo de 48 horas.
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A Polícia da República de Moçambique apresentou hoje(17.03.2020), no distrito de Mocímboa da Praia, um grupo de malfeitores que aterrorizam a região norte e centro de Cabo Delgado desde 2017(Recordando)
NOTA: Estes foram depois libertados no ataque de segunda-feira passada. Uma vergonha o que ali e em Quissanga se passou. Esta cena até parece teatro montado.
Grupo armado recebeu apoio de meios e de pessoal - Investigador
29/03/2020
Grupo armado recebeu apoio de meios e de pessoal - Investigador
O investigador auxiliar no Instituto de Ciências Sociais Paulo Granjo considerou hoje à Lusa que os ataques no norte de Moçambique entraram numa nova fase, com um reforço de meios e de pessoal deste grupo armado.
"Com o ataque a Mocímboa da Praia, na segunda-feira, entrámos numa nova fase, porque tudo indica que, neste momento, para além de terem em todos os ataques acumulado grandes quantidades de armamento, houve algum tipo de reforço de efetivos e de meios a partir do exterior", disse Paulo Granjo.
Em entrevista à Lusa a propósito dos ataques desta semana em Mocímboa da Praia e em Quissanga, este antropólogo social que estuda Moçambique há décadas considerou que "há uma mudança completa relativamente ao que se estava a passar" desde 2017.
Até à semana passada, estes homens armados "estavam a garantir a subsistência e alimentação, com ataques a populações isoladas e indefesas, mas esta terceira fase indica fortemente que obtiveram reforços de meios e de pessoal, agora já não de Moçambique, mas a partir do exterior, e que estarão já com as condições para demonstrar poderio bélico para confrontar as forças policiais e armadas e reivindicar algum controlo sobre o território", apontou o investigador.
Depois de nos dois primeiros momentos os confrontos terem sido primeiro contra as forças policiais, e depois contra pequenos aglomerados populacionais, nesta terceira fase do conflito nota-se que o objetivo já não é só garantir condições de subsistência do grupo.
"Em Quissanga, que já é um distrito a mais de 100 quilómetros de Mocímboa da Praia, já não houve, pelos relatos existentes, ataques diretos à população, embora tenha havido a morte de alguns populares", diz Paulo Granjo.
Os homens armados, que partilharam fotos com a bandeira do Estado Islâmico, mandaram as pessoas ou para as mesquitas ou para a praia "e houve um ataque direto aos quartéis de polícia, tentaram rebentar com os cofres das agências dos bancos e cortaram a ligação de fibra ótica com o resto do país".
Para o investigadot, isto "mostra que entraram numa fase diferente em que há ataques a forças do Estado e não represálias e roubos à população, e aparentemente houve uma afirmação da capacidade de ocupar vilas e de tornar inoperacionais as forças do Estado, embora com comportamentos de guerrilha, e com um novo patamar de confronto".
Questionado sobre se a falta de controlo das forças policiais mostra um 'Estado falhado', o investigador considerou que não, argumentando que o comportamento de guerrilha é eficaz e é precisamente por isso que tem sido usado ao longo dos séculos.
"Com o ataque a Mocímboa da Praia, na segunda-feira, entrámos numa nova fase, porque tudo indica que, neste momento, para além de terem em todos os ataques acumulado grandes quantidades de armamento, houve algum tipo de reforço de efetivos e de meios a partir do exterior", disse Paulo Granjo.
Em entrevista à Lusa a propósito dos ataques desta semana em Mocímboa da Praia e em Quissanga, este antropólogo social que estuda Moçambique há décadas considerou que "há uma mudança completa relativamente ao que se estava a passar" desde 2017.
Até à semana passada, estes homens armados "estavam a garantir a subsistência e alimentação, com ataques a populações isoladas e indefesas, mas esta terceira fase indica fortemente que obtiveram reforços de meios e de pessoal, agora já não de Moçambique, mas a partir do exterior, e que estarão já com as condições para demonstrar poderio bélico para confrontar as forças policiais e armadas e reivindicar algum controlo sobre o território", apontou o investigador.
Depois de nos dois primeiros momentos os confrontos terem sido primeiro contra as forças policiais, e depois contra pequenos aglomerados populacionais, nesta terceira fase do conflito nota-se que o objetivo já não é só garantir condições de subsistência do grupo.
"Em Quissanga, que já é um distrito a mais de 100 quilómetros de Mocímboa da Praia, já não houve, pelos relatos existentes, ataques diretos à população, embora tenha havido a morte de alguns populares", diz Paulo Granjo.
Os homens armados, que partilharam fotos com a bandeira do Estado Islâmico, mandaram as pessoas ou para as mesquitas ou para a praia "e houve um ataque direto aos quartéis de polícia, tentaram rebentar com os cofres das agências dos bancos e cortaram a ligação de fibra ótica com o resto do país".
Para o investigadot, isto "mostra que entraram numa fase diferente em que há ataques a forças do Estado e não represálias e roubos à população, e aparentemente houve uma afirmação da capacidade de ocupar vilas e de tornar inoperacionais as forças do Estado, embora com comportamentos de guerrilha, e com um novo patamar de confronto".
Questionado sobre se a falta de controlo das forças policiais mostra um 'Estado falhado', o investigador considerou que não, argumentando que o comportamento de guerrilha é eficaz e é precisamente por isso que tem sido usado ao longo dos séculos.
Paulo Granjo, doutorado em Antropologia Social em 2001, iniciou a atividade docente em 1999, como professor visitante na Universidade Eduardo Mondlane (UEM), onde até 2006 contribuiu para a formação da atual geração de antropólogos moçambicanos, de acordo com a informação na página do ICS, que dá conta ainda de que académico é Membro do Conselho Científico e da Comissão de Estudos Pós-graduados do ICS-ULisboa e Sócio Honorário por Mérito da AMETRAMO (Associação de Médicos Tradicionais de Moçambique) e Pesquisador Correspondente do Centro de Estudos Africanos da UEM.
A província de Cabo Delgado tem sido alvo de ataques de grupos armados que organizações internacionais classificam como uma ameaça terrorista e que em dois anos e meio já fizeram, pelo menos, 350 mortos, além de 156.400 pessoas afetadas com perda de bens ou obrigadas a abandonar casa e terras em busca de locais seguros.
LUSA – 29.03.2020
A província de Cabo Delgado tem sido alvo de ataques de grupos armados que organizações internacionais classificam como uma ameaça terrorista e que em dois anos e meio já fizeram, pelo menos, 350 mortos, além de 156.400 pessoas afetadas com perda de bens ou obrigadas a abandonar casa e terras em busca de locais seguros.
LUSA – 29.03.2020
sexta-feira, 27 de março de 2020
Mozal pagou zero a Moçambique em 2019
27/03/2020
Mozal pagou zero a Moçambique em 2019
Os dividendos da Mozal para o Estado moçambicano voltaram a reduzir, desta vez para zero no exercício económico de 2019. Sem publicar contas auditadas em Moçambique o principal acionista da fundição de alumínio reporta queda de receitas e prejuízos no entanto o fornecedor da sua principal matéria-prima, uma empresa onde esse acionista também é maioritário, aumentou os lucros em 30 por cento.
O Relatório de Execução Orçamental de Janeiro a Dezembro de 2019 indica que as receitas de dividendos a Mozal, onde o Estado moçambicano é acionista com 3,9 por cento, reduziram novamente dos 181,9 milhões de 2018 para zero meticais.
O @Verdade contactou a fundição de alumínio para apurar as causas dessa redução contudo após 1 mês de espera a empresa não se dignou a responder.
Analisando as contas auditadas do seu principal acionista, a South32 que detém 47,1 por cento do capital, o @Verdade descortinou que a Mozal obteve receitas de 556 milhões de dólares norte-americanos, uma redução comparativamente aos 629 obtidos em 2018, e reporta um prejuízo de 12 milhões de dólares justificado pelo aumento dos custos de produção, que representam 49 por cento dos custos totais, e pela diminuição dos custos de venda do alumínio.
Paradoxalmente a alumina, a sua principal matéria-prima, é importada da Austrália da fundição Worsley, onde a South32 detém 86 por cento do seu capital social, e essa empresa obteve lucros de 541 milhões de dólares no exercício económico passado.
O @Verdade apurou que pode estar a ser feita uma operação financeira transferência de preços, comum entre os megaprojectos que tem como fornecedores outras empresas onde são subsidiárias ou do mesmo grupo, como forma de gerar menos ganhos em Moçambique e obter mais lucro noutros países onde seja mais rentável para o conglomerado South32.
Com isenções de Imposto sobre o Valor Acrescentado(IVA), contribuição Industrial, Contribuição Predial urbana assim como do imposto sobre a sua produção(Royalties) os poucos funcionários moçambicanos que trabalham na Mozal pagaram em 2019 mais impostos do que a própria empresa.
@VERDADE - 27.03.2020
7 mil regressados da África do Sul não foram testados ao covid-19; mais 2 infectados em Moçambique
7 mil regressados da África do Sul não foram testados ao covid-19; mais 2 infectados em Moçambique
Pouco mais de 7 mil moçambicanos regressaram a Moçambique nas últimas 48 horas, devido ao confinamento decretado na África do Sul. Não obstante serem potenciais doentes assintomáticos não foram testados ao covid-19 pelas autoridades de Saúde. “Neste momento, e segundo aquilo que é a recomendação da Organização Mundial da Saúde, a utilização dos testes se limita a qualquer um de nós que apresente sinais ou sintomas sugestivos de infecção”, esclareceu a Directora Nacional de Saúde Pública que actualizou para sete o número de infectados pelo novo coronavírus em Moçambique, enfatizando que “apresentam uma sintomatologia ligeira e estão em isolamento domiciliário”.
A Dra. Rosa Marlene, revelou nesta quinta-feira (26) que “ao nível do Instituto Nacional de Saúde, até à data de hoje, foram testados 98 casos suspeitos, dos quais 21 foram testados nas últimas 24 horas. Dos novos casos suspeitos testados, 19 revelaram-se negativos e 2 foram positivos para o coronavírus”.
“É importante sublinhar que estes novos casos apresentam uma sintomatologia ligeira e estão em isolamento domiciliário de acordo com as recomendações da Organização Mundial da Saúde”, enfatizou a Directora Nacional de Saúde Pública.
O @Verdade apurou que um dos novos doentes é de um indivíduo do sexo masculino com mais de 40 anos de idade, de nacionalidade francesa, residente na Cidade de Maputo, que regressou de França na primeira quinzena de Março. O outro infectado é um indivíduo, igualmente, do sexo masculino, com mais de 40 anos de idade, de nacionalidade moçambicana, residente na Cidade de Maputo, que retornou de uma viagem à Inglaterra, na primeira quinzena Março corrente.
Dentre os 21 casos suspeitos testados nas últimas 24 horas o @Verdade apurou que um é uma criança, outro um adolescente e os restantes adultos. Grande parte dos casos suspeitos testados são cidadãos moçambicanos mas apenas um esteve em contacto com um infectado pelo covid-19.
Segundo a Dra. Rosa Marlene actualmente as autoridades de Saúde estão a acompanhar com atenção 88 indivíduos que tiveram contactos com os infectados pelo covid-19 em Moçambique.
1.806 moçambicanos que vieram da África do Sul não receberam instruções para ficarem em quarentena domiciliar
Entretanto esta semana milhares de moçambicanos, imigrantes legais e ilegais na África do Sul, começaram a retornar à casa na sequência da decisão do país vizinho entrar em confinamento nacional de três semanas como forma de controlar a propagação do novo coronavírus que até esta quinta-feira (26) tinha infectado 927 pessoas. No entanto o jornal Mail & Guardian projecta que até ao início de Abril os doentes do covid-19 poderão ultrapassar os 4 mil e o pico da pandemia poderá não ter sido atingido.
O Serviço Nacional de Migração precisou ao @Verdade que quarta-feira (25) entraram pela fronteira de Ressano Garcia 1.806 moçambicanos. Até as 17 horas desta quinta-feira (26) pelo menos 5.415 moçambicanos tinham cruzado a fronteira vindos da África do Sul. Na sua maioria são mineiros.
O @Verdade questionou a Directora Nacional de Saúde Pública que medidas foram tomadas tendo em conta que muitos podem ser doentes assintomáticos. “São cidadãos nacionais, que tem todo o direito de regressar ao país, o que nós estamos a fazer ao nível das fronteiras é reforçar as equipas, não só do Ministério da Saúde mas também da Migração, o que permite no mínimo saber o historial daqueles cidadãos que tem de ficar em quarentena onde é que vão”.
“É verdade que são cidadãos um pouco dispersos, o nosso país é assim mesmo, temos de fazer um esforço maior, trabalhando com as direcções provinciais onde os cidadãos vão para fazermos o seguimento. A maior parte dos nossos concidadãos que vem da África do Sul vão para as províncias de Maputo, Gaza e Inhambane”, argumentou a Dra. Rosa Marlene.
Porém o @Verdade descortinou no Boletim diário de vigilância de covid-19 publicado pelo Ministério da Saúde que no dia 25 de Março estavam em quarentena domiciliar de 14 dias 663 viajantes e que no dia 26 de Março esse número aumentou para apenas 1.216 cidadãos que após cruzarem todas as fronteiras ficaram casa. Portanto os 1.806 moçambicanos que vieram da África do Sul no dia 25 de Março não receberam sequer instruções para observarem a quarentena obrigatória.
Confrontada pelo @Verdade se todos os moçambicanos regressados da África do Sul não deveriam fazer o teste do covid-19 a Directora Nacional de Saúde Pública admitiu que: “Infelizmente, neste momento e segundo aquilo que é a recomendação da Organização Mundial da Saúde, a utilização dos testes limita-se a qualquer um de nós que apresente sinais ou sintomas sugestivos de infecção. Para os cidadãos que não tenham sintomas sugestivos de infecção não está indicado o teste”.
@VERDADE - 27.03.2020
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