"Deus criou as pessoas para amarmos e as coisas para usarmos, porque então amamos as coisas e usamos as pessoas?"



domingo, 31 de janeiro de 2021

 

Covid-19. OMS e União Africana pedem à Tanzânia que não questione vacinas

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e a União Africana (UA) apelaram ontem (28) à Tanzânia para se juntar ao esforço continental para a imunização da sua população contra a covid-19, após o Presidente tanzaniano questionar a eficácia das vacinas.

“A Tanzânia é um país muito importante, faz parte da Comissão da União Africana. E, como outros países, a sua voz conta, mas penso que neste momento o que devemos fazer, como continente, é promover a união”, assinalou o diretor do Centro de Controlo e Prevenção de Doenças da União Africana (África CDC), o virologista camaronês John Nkengasong, numa conferência de imprensa virtual.

“Se não combatermos [a pandemia] como um continente em conjunto, estaremos condenados”, acrescentou Nkengasong, citado pela agência noticiosa Efe.

Numa outra conferência de imprensa virtual, a diretora  da OMS para África, Matshidiso Moeti, lançou um apelo específico à Tanzânia.

“África está numa encruzilhada”, disse Moeti, que pediu também às autoridades tanzanianas para partilharem os dados da doença no país com a OMS, números que a Tanzânia deixou de tornar públicos no final de abril.

Na quarta-feira, o Presidente tanzaniano, John Magufuli, mostrou-se com dúvidas quanto à eficácia das vacinas contra a covid-19, tendo acusado as pessoas vacinadas no estrangeiro de terem levado novas invasões para Moçambique, país vizinho.

“Se o homem branco fosse capaz de inventar vacinas, então as vacinas contra a sida já teriam sido trazidas, a tuberculose seria uma coisa do passado, as vacinas contra a malária e o cancro teriam sido encontradas”, disse então John Magufuli, durante um evento na sua cidade natal, Chato, no noroeste da Tanzânia.

No discurso, o Presidente da Tanzânia também sugeriu que as vacinas doadas são parte de uma conspiração para roubar a riqueza africana, dizendo: “Não pensem que são assim tão amados, a Tanzânia é rica, a África é rica, e toda a gente quer um bocado disso”.

Magufuli, que segundo o relato da agência Associated Press não apresentou quaisquer provas para sustentar o seu ceticismo, tem sido criticado por declarar que o novo coronavírus foi derrotado na Tanzânia e não atualizar os dados sobre infeções confirmadas desde meados do ano passado, mantendo o número em 509 — incluindo 21 mortes.

O Presidente Magufuli, no passado, disse aos tanzanianos para não implementarem medidas de distanciamento social e encorajou-os a usar ervas como remédios para tratar a doença, apesar de não haver provas sobre a sua eficácia, e também questionou a credibilidade dos testes doados ao país.

Alguns dos opositores da posição do Governo sobre a ideia de que não há covid-19 na Tanzânia foram presos e condenados.

Magufuli começou em outubro um segundo mandato de cinco anos numas eleições que os líderes da oposição consideraram que foi um “martírio da democracia”.

Segundo os dados mais recentes do África CDC, o número de infetados neste continente desde o início da pandemia é de 3.494.117 e o de mortes 87.937.

O primeiro caso de covid-19 em África surgiu no Egito, em 14 de fevereiro, e a Nigéria foi o primeiro país da África subsaariana a registar casos de infeção, em 28 de fevereiro.

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 2.176.000 mortos resultantes de mais de 100 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

A covid-19 é uma doença respiratória causada por um coronavírus detetado no final de dezembro de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.
In  https://noticias.mmo.co.mz/2021/01/covid-19-oms-e-uniao-africana-pedem-a-tanzania-que-nao-questione-vacinas.html#ixzz6l2sTYM7d

sábado, 30 de janeiro de 2021

 

NOTÍCIAS de Maputo 30.01.2021

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Moçambique: Cabo Delgado terá ajuda de organizações portuguesas

Num manifesto público, mais de 30 organizações portuguesas afirmam-se preocupadas com o meio milhão de deslocados internos em Moçambique. A ACNUR presta assistência a menos de 10% da população vitimada pela violência.
Organizações portuguesas mobilizam-se para prestar assistência a deslocados internos em Moçambique.
Mais de 30 organizações da sociedade civil portuguesa pedem maior envolvimento do Governo de Lisboa e da União Europeia (UE) na solução da crise humanitária em Moçambique - nomeadamente em Cabo Delgado -, por não se conformarem com a violência na região.
Moçambique é confrontado com a violência na região de Cabo Delgado e também tem de lidar com os efeitos desastrosos dos ciclones que assolam o seu território.
O país vive uma situação de emergência que exige mais esforço nacional e internacional, avançam mais de três dezenas de organizações não-governamentais portuguesas (ONG) que se mostram preocupadas com a atual realidade.
"Desejo de uma ação mais pragmática"
Numa carta pública, as organizações manifestam o desejo de uma ação mais pragmática de Portugal e da União Europeia (UE) para ajudar as populações locais
Consideram ainda que, antes, é preciso assegurar estabilidade nas zonas de risco, sensíveis aos ataques de grupos terroristas armados.
Segundo João Pereira, secretário-geral da Cáritas Portuguesa, "é muito difícil desenvolver trabalho humanitário no contexto de crise e de conflito".
"Estamos a falar de cerca de 400 mil deslocados, onde apenas 10% tem assistência humanitária dada pelo Agência das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR)", enfatiza.
A Cáritas, entretanto, pede mais que do que isso, diz João Pereira, porque Cabo Delgado "infelizmente é uma zona que ao longo de muitos anos tem padecido de investimentos".
A região também tem sido fustigada por várias catástrofes naturais, explica, portanto, "seria preciso mobilizar esforços a médio e longo prazos, não só da União Europeia a apoiar o Governo de Moçambique, mas também dos países vizinhos", diz.
Amnistia Internacional (AI)
A Amnistia Internacional (AI), outra organização não-governamental signatária do manifesto, diz-se preocupada com a situação dos deslocados internos provocada pela crise em Cabo Delgado.
A diretora de Investigação e Advocacia da Amnistia Internacional (AI) Portugal, Maria Lapa, explica que "além das organizações que, no terreno, prestam ajuda direta à população, muitas outras se têm dedicado a informar e a alertar o público para o que está a acontecer, e a pressionar Moçambique e os governos externos para que tomem ação urgente", diz.


A AI monitoriza a violência em Cabo Delgado desde 2017. "O nosso trabalho de investigação é feito em parceria com ativistas e organizações no terreno, e isso permite-nos documentar e denunciar as violações dos direitos humanos", explica a diretora.
Recentemente, a AI solicitou uma investigação independente sobre as violações graves de direitos humanos cometidas pelas forças de segurança do país, depois de ter analisado vídeos e fotografias recolhidos em Moçambique. A veracidade do material foi devidamente confirmada.
Maria Lapa explica ainda que a AI pede a libertação dos jornalistas detidos arbitrariamente, após reportarem sobre eventos de Cabo Delgado. A organização também quer a proteção do bispo de Pemba, Dom Luiz Fernando Lisboa, que muito tem comunicado e alertado sobre o que se passa na região.
As organizações portuguesas, assim como as congéneres moçambicanas, desejam envolver-se no apoio a Moçambique, e tudo fazer para que a situação crítica que se está a viver no país não caia no esquecimento. Consideram que está em causa a defesa da dignidade das pessoas.
Depois da missão que efetuou a Moçambique, no mês passado, em nome da União Europeia, o ministro português dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, reuniu-se há cerca de uma semana com os seus homólogos europeus, em Bruxelas, para dar conta dos resultados da visita e discutir formas de apoio ao país da África Austral.
DW – 29.01.2021

 

Análise: Queda de Moçambique no Índice de Corrupção e Transparência reflecte a realidade

Moçambique caiu três posições, da 146.ª para 149.ª lugar, no Índice de Perceção da Corrupção da Transparência Internacional (TI), referente ao ano de 2020, divulgado nesta quinta-feira, 28.

A organização Transparência Internacional diz que Moçambique falhou na construção de instituições fortes e independentes, apontando ainda a fragilidade das instituições como estando na origem desta queda.

Para Baltazar Fael, do Centro de Integridade Pública (CIP), a queda de Moçambique neste índice está relacionada com o caso das “dívidas ocultas”, cuja tramitação é bastante lenta.

“Isto pode estar ligado ao caso das dívidas ocultas, que em algum momento teve algum impulso por parte dos órgãos da administração da justiça, mas neste momento se encontra estagnado, o que pode levar as pessoas a uma percepção diferente daquela que tiveram no passado (...) quando este caso iniciou, Moçambique até subiu algumas posições neste índice”, considerou Fael.

O CIP aponta o desfasamento entre o discurso político e a redução dos níveis de corrupção, como um dos factores para a queda, sobretudo pela percepção dos empresários e que está relacionada com a condução dos concursos públicos no país.

"Nós sabemos que há muita corrupção no país ao nível do procurement público, ao nível do aparelho de Estado; então essa percepção fez com que os empresários e alguns experts que foram ouvidos tenham influenciado na queda de Moçambique no Índice internacional sobre Transparência e Corrupção”, disse Faela.

Quem também dá nota negativa à percepção da corrupção em Moçambique, é Adriano Nuvunga, coordenador do Fórum de Monitoria do Orçamento.

 “Moçambique está muito mais no fundo da cauda do que está, pois parte importante das despesas realizadas pelos principais ministérios económicos do presidente são em formato de ‘off budget’; muitos dos investimentos que vão para o ministério da Agricultura não estão reflectidos no Orçamento Geral do Estado, e nesse sentido tem uma contribuição negativa naquilo que é a percepção da transparência”, analisou Nuvunga.

Por outro lado, a falta de transparência na gestão dos fundos de combate à pandemia da Covid-19 poderá também influenciar uma avaliação negativa.

“As modalidades utilizadas para aquilo que se preferiu fazer com o dinheiro foi o ajuste directo, onde depois não se permite saber através da mudança da legislação quem são os últimos beneficiários das empresas que ficaram com os grandes e lucrativos contratos das empresas para a prestação dos serviços no contexto da Covid-19”, comentou Nuvunga.

“Os valores que foram solicitados devem ser suficientemente auditados e, em alguma medida, o ministério da Saúde até já está a fazer, tentando transmitir uma imagem de transparência, mas se nós verificamos comparativamente aos outros países o preço para a cura de um doente em Moçambique é bastante elevado, então estes aspectos todos deverão ser esclarecidos”, anotou Baltazar Fael.

VOA – 28.01.2021


 

Semanário Savana nº 1412 de 29.01.2021

SAVANA 1412 29.01Leia aqui

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Perseguição culmina com abate de seis terroristas (2)

Por Francisco Nota Moisés

Acção da milícia e populares da zona de Chai e Nova Zambézia, em Macomia

"Em mais uma acção tida como bem sucedida, um grupo de milicianos e populares de Chai e Nova Zambézia, no distrito de Macomia, província de Cabo Delgado, conseguiu perseguir e abater seis terroristas nas matas Litamanda. ... Do local [Nova Zambézia], saiu imediatamente um grupo de milicianos na companhia de alguns populares locais até Chai – sede. Aqui, o grupo popular e de milicianos juntou-se a outros residentes e a perseguição continuou. ..."

A guerra do Norte parece ter uma característica que é unicamente sua e que faz rir. Notei que cada vez que a Frelimo organiza indivíduos para vozearem as suas fantasias que lhe correm na cabeça para dizer que as suas forças de defesa e segurança estão empreendendo operações ofensivas contra os rebeldes, tais trombetas soam na verdade quando são os rebeldes que estão a avançar.  E assim tem sido desde 2017, o começo da revolta contra o regime da Frelimo no Norte até  hoje quando a guerra chegou a um ponto de desespero para a Frelimo que está completamente arrumada e a olhar para o resto do mundo para salvá-la militarmente com a alegação de que aqueles que ontem ela dizia usavam catanas e outros objetos contundentes estão agora melhor armados do que os seus militares com o apoio dos milicianos dos Grandes Lagos (Congo e Rwanda e al-shababes ugandeses), tanzanianos, quenianos, sírios, iraquianos e tantos outros.

E a informação veiculada no artigo com o  titulo acima colocado é uma autentica piada que desvaloriza as forças armadas de Nyusi que não querem lutar ou tem medo de combater os insurrectos, deixando a tarefa para os tais milicianos e populares com as suas magias.  Onde estão os soldados de Nyusi para agora somente os milicianos e populares com magias estarem a combater os rebeldes?  

Mas a realidade é outra.  Os rebeldes, sendo nativos como os tais milicianos da Frelimo e alegados populares que combatem ao seu lado, também fazem recurso a magias contra os frelimistas. Portanto, o uso da magia não é o monopólio da Frelimo somente.

As magias da Frelimo não fizeram com que os seus combatentes, ou os turras de acordo com os soldados portugueses onde havia mais pretos do que brancos, ganhassem a guerra contra Portugal. Mesmo os brancos entre os soldados portugueses eram influenciados por alguns soldados pretos para aceitarem o uso da magia cafreal. Às vezes nas colunas militares portuguesas havia curandeiros que avisavam que havia minas ou emboscadas nas picadas em frente.  E os soldados, brancos e pretos, respeitavam as indicações de tais "doutores naturais com premonições sobrenaturais."

Para sobreviver numa guerra, ninguém é imune a superstições. Que os frelimistas saibam  que os outros também recorrem a magias e que as magias das duas partes se chocam.

A sabedoria africana aconselha nunca usar magias contra outras pessoas que podem também ter suas magias. Provocadores tem sofrido visto que provocaram magicamente pessoas que tinham magias mais fortes do que as deles.

 Basop! (tenha cautela!) como dizem os Bueros.

 

Ataques Terroristas: Total mantém redução de pessoal no megaprojecto de gás

A petrolífera Total continua a desmobilizar pessoal das obras do megaprojecto de gás natural em Cabo Delgado, um mês após ataques junto ao empreendimento naquela região do norte de Moçambique, disse ontem a empresa em resposta a questões colocadas pela Lusa.

"Face à evolução da situação de segurança na província de Cabo Delgado e no distrito de Palma", o consórcio da Área 1 - Mozambique LNG liderado pela Total decidiu "reduzir o pessoal presente no local do projecto em Afungi", indicou.

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Ataques Terroristas: Total mantém redução de pessoal no megaprojecto de gás (cartamz.com)