| Destaques - Newsflash |
| Escrito por Redação em 03 Maio 2020 (Actualizado em 04 Maio 2020) |
Os migrantes fazem parte de um grupo de 78 indivíduos descobertos pelas autoridades moçambicanas no Distrito de Moatize, na Província de Tete, no contentor de um camião proveniente do Malawi e que estariam a tentar cruzar o nosso país a caminho da África do Sul.
“Sofri tortura por contrabandistas, andei em florestas durante vários dias, mal tinha comida e água. Mas o pior de tudo foi a viagem no contentor, era um espaço que mal podia acomodar 20 pessoas e eles carregaram 78 de nós, um em cima do outro, gritamos por ar, implorando para que abrissem a porta. No último posto de controle, batemos no contentor, gritando pelas nossas vidas, foi quando a polícia nos ouviu”, relatou à OIM um dos sobreviventes.
Quando as autoridades moçambicanas abriram o contentor descobriram 64 cadáveres, haviam perdido a vida por asfixia, e 14 sobreviventes que receberam cuidados médicos e estiveram em quarentena devido à covid-19.
Numa operação coordenada pela Organização Internacional para as Migrações (OIM), com o apoio da União Europeia, 11 dos sobreviventes regressaram à Etiópia durante a semana passada após viajarem primeiro para a Cidade de Maputo de onde embarcaram para Adis Abeba.
Contudo três dos sobreviventes escapuliram-se às autoridades na Província de Tete e até ao momento não foram localizados.
“Na Etiópia eu trabalhava em empregos eventuais sem rendimentos estáveis, decidi ir para a África do Sul para trabalhar, economizar dinheiro e regressar para viver melhor”, contou outro dos sobreviventes à OIM que indica que os migrantes ilegais pagam entre 2.500 a 6 mil dólares norte-americanos a traficantes que prometem viagem segura até a África do Sul, porém assim que saem da Etiópia começa uma jornada angustiante, caminhando a pé, na escuridão, sem comida nem água.
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