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| Escrito por Adérito Caldeira em 05 Setembro 2019 |
As primeiras palavras do Chefe da Igreja Católica foram dirigidas aos moçambicanos massacrados pelos ciclones Idai e Kenneth, “Infelizmente, não poderei ir pessoalmente até junto de vós, mas quero que saibais que partilho a vossa angústia, sofrimento e também o compromisso da comunidade católica para fazer frente a tão dura situação. No meio da catástrofe e da desolação, peço à Providência que não falte a solicitude de todos os actores civis e sociais que, pondo a pessoa no centro, sejam capazes de promover a necessária reconstrução”.
Discursando no Palácio da Ponta Vermelha, para membros dos órgãos de soberania, do Governo, de partidos políticos e do corpo diplomático, o Santo Padre recordou do “sofrimento, o luto e a aflição” que os moçambicanos têm vivido desde que João Paulo II visitou o nosso país, em 1988, e lembrou que “a paz não é apenas ausência de guerra, mas o empenho incansável – especialmente daqueles que ocupamos um cargo de maior responsabilidade – de reconhecer, garantir e reconstruir concretamente a dignidade, tantas vezes esquecida ou ignorada, de irmãos nossos, para que possam sentir-se os principais protagonistas do destino da própria nação”.
“Não podemos perder de vista que, sem igualdade de oportunidades, as várias formas de agressão e de guerra encontrarão um terreno fértil que, mais cedo ou mais tarde, há de provocar a explosão. Quando a sociedade – local, nacional ou mundial – abandona na periferia uma parte de si mesma, não há programas políticos, nem forças da ordem ou serviços secretos que possam garantir indefinidamente a tranquilidade”, alertou o Pontífice argentino.
Papa Francisco enumerou “as armas da paz”
Jorge Mario Bergoglio disse ao políticos dos partidos Frelimo, Renamo e MDM para consolidarem “as estruturas e instituições necessárias para permitir que ninguém se sinta abandonado, especialmente os vossos jovens, que formam grande parte da população. Não são apenas a esperança desta terra, eles são o presente que interpela, busca e precisa de encontrar canais dignos que lhes permitam desenvolver todos os seus talentos; são potencial para semear e desenvolver a tão desejada amizade social”.
“A defesa da terra é também a defesa da vida, que reclama atenção especial quando se constata uma tendência à pilhagem e espoliação, guiada por uma ânsia de acumular que, em geral, não é cultivada sequer por pessoas que habitam estas terras, nem é motivada pelo bem comum do vosso povo. Uma cultura de paz implica um desenvolvimento produtivo, sustentável e inclusivo, onde cada moçambicano possa sentir que este país é seu, e no qual possa estabelecer relações de fraternidade e equidade com o seu vizinho e com tudo o que o rodeia”, concluiu o Sumo Pontífice.
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