
Unay Cambuma
Confirma - se que todos os mediadores já se encontram em Maputo e espera - se que as negociações retomem entre segunda e terça - feira para resolver as questões pendentes, nomeadamente, a governação das 6 provincias pela renamo, o enquadramento dos comandos e quadros da renamo nos lugares de chefia em toda a estrutura das forças de defesa e segurança (FADM, FIR, PRM e SISE) e também deverá ser indicada a data da nomeação dos governadores da renamo ainda este ano e logo de seguida a renamo vai decretar uma trégua de 20-25 dias. O cessar-fogo definitivo só será decretado depois do cumprimento integral de todos protocolos assinados na mesa negocial.
É importante a tal trégua, que se espera que seja bilateral, para que os governadores (e administradores) da renamo não sejam nomeados num ambiente de guerra, porque tal processo será uma grande festa para o povo mocambicano, em particular as regiões centro e norte. As negociações sobre questões militares também estão previstas para serem tratadas ao longo da próxima semana. Porque enquanto as forças de defesa e segurança estiverem sob manipulação da frelimo, a nomeação dos governadores da renamo será um processo nulo a curtíssimo prazo - a frelimo irá mandar as suas tropas e esquadrões da morte para de imediato "depenar" as perdizes recém nomeadas governadores.
Ontem publicamos uma entrevista do presidente do partido renamo, Afonso Dhlakama, feita a rádio Voz da Alemanha, onde acusava a frelimo de estar a emperrar o processo negocial com manobras dilatorias sem sentido. Na entrevista, Dhlakama também referiu - se da questão dos esquadrões da morte e particularmente do bárbaro assassinato do grande Jeremias Pondeca e apontou a frelimo como a responsável de todos estes crimes.
Vamos continuar a acompanhar o processo negocial e esperamos que a frelimo não seja tão suicida ao ponto de querer continuar a embarcar pelo militarismo e belicismo, numa altura em que o seu exército foi copiosamente derrotado, encontrando se em frangalhos e a última "grande ofensiva" contra a Serra da Gorongoza, para "trazer Dhlakama a Maputo 'vivo ou morto até o dia 10/11", fracassou antes mesmo de iniciar e os militares estão a desertar todos os dias. O pior é que o tempo propício para operações anti-guerrilha em países tropicais como o nosso, já chegou ao fim e daqui a algumas semanas o capim tomará conta das vastas clareiras criadas pela estiagem e queimadas descontroladas.
E assim as perdizes estarão no seu habitat favorito...
Unay Cambuma
Negociar o quê ?
ResponderEliminarSe estão a levar uma sova terrível no campo de batalha.