"Deus criou as pessoas para amarmos e as coisas para usarmos, porque então amamos as coisas e usamos as pessoas?"



quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Alguém quer saber dos contornos das dívidas?


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Canal de Opinião por Noé Nhantumbo
Será necessário ajuda sueca?
Agora já não está em causa a soberania tão apregoada durante o “reinado do iluminado”?
Hoje, os descartáveis constitucionalistas de ocasião já não vomitam na praça pública.
Parece consensual que os poderosos de ontem, ainda influentes, hoje exageraram. Pisaram a linha vermelha. Ou terá sido a sua inclinação para Pequim que terá precipitado as coisas?
Sabido que os barcos da “Ematum” foram construídos em estaleiro francês, propriedade de pessoa conhecida através de crédito bancário de entidades financeiras europeias, qual a dificuldade em seguirem-se os rastos do dinheiro? Será necessária a ajuda da Suécia pagando aos auditores internacionais?
Há assuntos que mexem com o Estado e a sua soberania.
Há assuntos manifestamente privados estabelecidos à margem das leis, em benefício privado utilizando o Estado como testa-de-ponte.
Aquela captura do Estado que está na moda referir só se concretiza quando os partidos políticos se tornam em mafias com rígida disciplina.
Os comentaristas televisivos e radiofónicos bem como os da imprensa escrita têm oferecido palpites ocasionalmente. Uns abertamente a favor do segredo das dívidas e outros tacteando saídas e respostas para esta crise que hoje já não se pode disfarçar.
Se fosse em terras do Tio Sam, já haveria acusações, detenções e “impeachments” em andamento.
A sobrevivência política de um grupo de pessoas habituadas a cavalgar os seus compatriotas e as leis não vale mais do que o país e os moçambicanos.
Com o aperto do cerco às aberrações governativas e actuações completamente fora das leis, numa conjuntura em que associam questões de cunho político estruturantes, surgem ataques e defesas disto e daquilo.
É uma oportunidade de limpar a casa com detergentes poderosos e abrir caminho para o fortalecimento do quadro legal e institucional.
Temos fragilidade congénita na PGR e nos tribunais a todos os níveis.
Falar de Estado unitário, como recentemente se pronunciou nosso ex-PR Joaquim Chissano, resolve pouco, se não incorporar respostas firmes e inequívocas de abraço de alternativas reais que apontem para a democratização efectiva de Moçambique.
Malabarismos e ilusionismos, fintas, “spinning” e outros artifícios esgotaram-se ao longo dos tempos, até desembocarmos neste pântano de ingovernabilidade e inconsequência.
Desnaturou-se a República e os seus alicerces.
Somos mais retalhos e feudos do que o tal apregoado e defendido Estado unitário.
Vergonha é repetidamente sermos motivo de chacota internacional e de esmolas.
Exigir soberania e ao mesmo tempo ser-se incapaz de governar com probidade e competência já não é mais aceitável. Os moçambicanos já são adultos e exigem muito mais e melhor.
Não são mais os aparatos bélicos de partidos armados que vão trazer sustentabilidade, estabilidade, paz e desenvolvimento.
A comunidade internacional tem obrigações na crise. Deixou passar muita coisa ao longo dos anos através de uma cooperação danosa em muitos aspectos.
Posições marcadamente paternalistas e partindo de considerações estratégicas tipicamente coloniais e distorcidas sustentaram um regime que se feudalizou e se recusou a respeitar o primado das leis.
Jamais haveria dívidas ocultas se não fossem os sucessivos apoios às ditas “irregularidades aceitáveis” das fraudes eleitorais.
Moçambique precisa de cooperação e não subordinação. “Kroll” ou outra entidade auditando não produzirão milagres se não houver interesse endógeno no sentido de varrer-se e normalizar a casa.
Recomeçar com seriedade o projecto republicano moçambicano é responsabilidade dos moçambicanos.
Senão continuaremos à mercê das “Gemfields” deste mundo. (Noé Nhantumbo)
CANALMOZ – 09.11.2016

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