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| Escrito por Adérito Caldeira em 10 Outubro 2016 |
Um documento do FMI, produzido com informação disponível até 3 de Dezembro de 2015, previa que a produção e a exportação de Gás Natural Liquefeito (GNL) poderia iniciar em 2021 caso a Eni e a Anadarko tomassem as suas Decisões Finais sobre os Investimentos(DFI) até meados do corrente ano, o que ainda não se concretizou. Com essa perspectiva o Fundo Monetário previa que em 2012 a taxa do PIB do nosso País chegaria aos 34%. Além disso, “a taxa média de crescimento real do PIB entre 2021 e 2025 poderia chegar a 24%. Em consequência, a participação dos projectos de GNL no PIB total nominal de Moçambique poderia chegar a mais de 50% até meados de 2020”. A Eni tem projectada a construção de uma instalação de liquefação flutuante na Área 4 da bacia do Rovuma, que produzirá cerca de 3,3 milhões de toneladas de GNL por ano. Para o efeito a empresa ainda está a procura financiamento, estimado em alguns biliões de dólares norte-americanos. Na passada terça-feira(04), a empresa italiana (principal concessionária do campo através da sua subsidiária ENI East-África Oriental em parceria com a chinesa CNPC, a sul-coreana Kogas, a portuguesa Galp Energia e e Empresa Nacional de Hidrocarbonetos de Moçambique) divulgou ter chegado a acordo de 20 anos com comprador para o GNL que espera produzir. Poderá ser o “trunfo” que faltava para que a DFI aconteça ainda em 2016. Por seu turno a Anadarko, principal concessionária da Área 1 planeia inicialmente construir dois terminais de liquefação onshore, cada um produzindo cerca de 5,5 milhões de toneladas de GNL por ano, todavia só deverá anunciar a sua DFI em 2017, segundo declarações do CEO da multinacional norte-americano, Al Walker, durante a recente visita do Presidente de Moçambique aos seus escritórios no Texas. Aliás a deslocação de Filipe Nyusi aos Estados Unidos da América(EUA) tinha como um dos principais objectivos acelerar as negociações não só com a Anadarko mas também com a Exxon Mobil, a maior empresa petrolífera do mundo, que possui três licenças de prospecção petrolífera a sul da Área 4 e prepara-se para comprar uma participação no bloco Área 4. Um dos entraves nas negociações, segundo fontes com conhecimento dos dossiers, era o antigo ministro dos Recursos Mineirais e Energia, Pedro Couto, que foi exonerado após o regresso de Nyusi dos EUA. Dez dias depois ainda não foi indicado o seu sucessor para um dos Ministérios onde não há vice. Entretanto o relatório sobre as Perspectivas Económicas Mundiais do FMI, tornado público na semana finda, indica que a taxa do PIB em 2021 será de apenas 6,8%. Embora a instituição financeira mundial não o refira o @Verdade entende que esta revisão em baixa está associada aos atrasos nas Decisões Finais sobre os Investimentos da ENI e da Anadarko.
Auditoria independente à dívida pública será tornada pública
Esta revisão de crescimento é outro revés para o Governo do partido Frelimo que contraiu dívida pública para financiar, entre outros, empresas estatais que se propõem a vender serviços de segurança marítima às explorações de GNL. À falta de viabilidade dessas empresas o Executivo hipotecou parte das receitas do gás para a amortização dos empréstimos, contraídos violando a Lei Orçamental, que até onde é do conhecimento público ultrapassam os 2 biliões de dólares norte-americanos.Aparentemente o total da dívida pública será ainda maior, esta semana o @Verdade reportou a existência de dívida pública adicional, cerca de 300 milhões de dólares norte-americanos, contraída para financiar os Aeroportos de Moçambique. Existe “um bom acordo entre o Governo e o FMI sobre alguns dos pré-requisitos fundamentais para a auditoria. Isto haverá uma auditoria independente realizada sobre os empréstimos que têm sido contraídos pelas empresas estatais, e essa auditoria será tornada pública. Será publicada. Então eu acho que isso é um entendimento muito bom. Vamos esperar para ver como que evolui nos próximos meses”, disse o novo director do departamento de África, Abebe Aemro Selassie, neste sábado(08) em conferência de imprensa em Washington. Questionado por jornalistas sobre o que o FMI estaria a fazer para evitar ser novamente enganado pelo Governo de Moçambique Selassie disse que a contratação das dívidas não ludibriou a instituição mas sim o povo moçambicano e acrescentou que o Fundo Monetário só pode “trabalhar com os dados que são fornecidos para nós, e nós podemos fornecer conselhos sobre a base do que isso. Assim, a transparência na conta fiscal, a transparência na formulação de políticas públicas é antes de tudo importante para as pessoas dos países em que os governos representam”, concluiu. |
"Deus criou as pessoas para amarmos e as coisas para usarmos, porque então amamos as coisas e usamos as pessoas?"
segunda-feira, 10 de outubro de 2016
FMI revê de 34% para apenas 6,8% o crescimento do PIB de Moçambique em 2021 devido atraso dos investimentos da Eni e Anadarko
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