| Escrito por Adérito Caldeira em 09 Maio 2016 |
As lindas praias e a vida animal selvagem que temos, a rica cultura e a comida excepcional são algumas das “vantagens comparativas” que temos, e sempre tivemos, mas continuamos sem estratégia para os vender como destino turístico de eleição mundial. É necessário acesso aos mercados e aos canais de distribuição e a Indaba é um desses mercados, não só para os turistas sul-africanos mas também de 17 outros países do nosso continente e ainda os milhares de operadores turísticos e jornalistas que vieram dos continentes europeu, asiático e americano. Não havia nenhum operador moçambicano a vender pacotes turísticos para Moçambique. No pavilhão de Moçambique, que tem a mesma decoração desde há vários anos, estiveram representados alguns hotéis da cidade de Maputo, as direcções de turismo das províncias de Gaza e de Inhambane, um operador turístico numa das ilhas da apelidada “terra da boa gente” e um outro operador turístico de safaris no centro de Moçambique. Entretanto várias agências sul-africanas vendem os destino Moçambique, diga-se com muito maior eficácia do que os moçambicanos. O que não seria de todo mau se esses pacotes não fossem pagos fora do nosso país o que gera menos rendimentos para a economia moçambicana.
Moçambique não publicita a sua marca de turismo
Para os rendimentos do turismo sul-africano em muitos milhares de rands contribuem os moçambicanos, só em Fevereiro pouco mais de 116 mil compatriotas visitaram a RSA, fomos o terceiro maior grupo de turistas apenas atrás dos zimbabweanos e suthos. O destino turístico Moçambique continua a não ser consistentemente publicitado, quer internamente ou internacionalmente. De acordo com o director de marketing do INATUR as acções passam pela pálida participação em algumas feiras, onde além dos funcionários do instituto acompanham apenas alguns dos maiores hotéis, que à parte fazem a sua própria publicidade e anúncios esporádicos em algumas das milhares de publicações de turismo que existem. “Em termos de televisão o que nós temos, porque os anúncios são muito caros (cada inserção na CNN são 150 mil dólares), trabalhamos na base familiarização. Convidamos algumas cadeias televisivas, por exemplo a CNN ou National Geographic, para fazerem reportagens”, explicou Jeremias Manussa ao @Verdade cujo orçamento ideal ronda os 2 a 3 milhões de dólares norte-americanos. No último ano o INATUR teve disponível para todas as suas actividades apenas de 1 milhão de dólares norte-americanos. Manussa destacou a aposta que está a ser feita pelo INATUR no marketing digital, contudo o @Verdade não conseguiu visualizar onde essas acções estão a acontecer.
Nem ministro nem vice-ministra estiveram na Indaba
Na Indaba deste ano os sul-africanos trouxeram para a mesa a possibilidade do continente africano criar uma marca global que ajude a divulga-lo como destino turístico mundial. Esta proposta despoleta vários desafios que começam nas restrições de vistos, que existem entre vários países do nosso continente, e passam também pela abertura dos espaços aéreos e melhoria das infra-estruturas de transporte terrestre e ferroviário.Embora a feira tenha decorrido durante um fim-de-semana o ministro da Cultura e do Turismo, Silva Dunduro, ou a sua vice, Ana Comoana, não estiveram presentes na Indaba. “Ele indicou o Alto Comissário de Moçambique”, esclareceu a directora nacional adjunta do Turismo, Dina Ribeiro. Enquanto o Governo pensa e repensa na sua estratégia de turismo, cuja qualidade dos serviços e o preço cobrado tornam Moçambique pouco competitivo, os desafios que do sector a nível global não esperam, “(...) na maioria dos casos turismo é pôr alguém num avião, num carro ou num comboio para um destino. Acomoda-lo no destino, garantir que ele come e de vez em quando assegurar que ele vê algo interessante, e depois repete-se o processo. Mas hoje o turismo não se resume apenas a isso”, declarou Lynette Ntuli, jovem empreendedora sul-africana, num dos debates que encerrou a Indaba deste ano. O @Verdade viajou para a Indaba a convite do Ministério do Turismo da África do Sul |
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