"Deus criou as pessoas para amarmos e as coisas para usarmos, porque então amamos as coisas e usamos as pessoas?"



quinta-feira, 31 de maio de 2012

Deputados da Renamo impedidos de se reunir com população



 
 
Saimone Macuiane, relator da bancada parlamentar da Renamo
Fiscalização aos círculos eleitorais em Manica.
“Estamos a ficar agastados com a tendência da Frelimo de impedir o nosso trabalho nos círculos eleitorais. Os governos provinciais e distritais estão a exigir que os deputados apresentem documentos que não são exigidos por lei, tanto para fiscalizar, quanto para nos reunir com a população”.

Os deputados da Renamo na Assembleia da República queixam-se de estarem a ser impedidos de se reunir com a população nos seus círculos eleitorais da província de Manica.
De acordo com o relator da bancada da “perdiz”, Saimone Macuiane, a tendência vem-se agudizando e desde o início do processo de fiscalização das acções do Governo que os parlamentares estão a ser exigidos documentos não preconizados pela lei.

A maior bancada da oposição acusa o partido Frelimo de estar a arranjar artimanhas para a oposição perder espaço de acção no país. “A situação está a piorar. Estamos a ficar agastados com a tendência do partido Frelimo de impedir o nosso trabalho nos círculos eleitorais. Os governos provinciais da Frelimo estão a exigir que os deputados apresentem documentos que não são exigidos por lei, tanto para fiscalizar as instituições públicas, quanto para nos reunir com a população”, explicou Macuiane.

Segundo o parlamentar, esta é uma violação grosseira à Constituição e às leis do país. “Nem a Constituição nem qualquer outra lei impõem ao deputado qualquer requerimento, pedido de autorização ou outro documento para entrar e trabalhar nos distritos deste país”, afirmou.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Aqui Não se morre, se é matado - os Padrinhos da morte
O homem naturalmente nasce, cresce, morre; ora, por vezes existem alguns que não crescem apenas nascem e morrem. O nascer e morrer são os dois estados bases a que o homem é sujeito a sofrer em desprendimento de qualquer que seja a sua situação vital ou status social que tenha, o homem deve nascer e morrer.
São várias as vezes que acompanhamos sobre a morte, vivemos casos concretos sobre mortes de conhecidos nossos, familiares, etc., porém, para nós nunca a morte é natural, tem sempre um padrinho, aqui não se morre, se é matado. Alguém mata o outro para poder ganhar algo em herança do malogrado. Este é o padrinho da morte. Encontrava-me eu, gozando o meu período de férias em minha terra natal, quando recebi a notícia sobre o falecimento de um meu grande amigo, com quem partilhei muitas experiências da vida. Fui participar dos ritos fúnebres, desde a hora da Missa de corpo presente até a hora em que fora conduzido o corpo do malogrado à sua última morada onde os vérmenes já podiam deliciar-se dos seus lábios que em vida batiam-se falando eloquentemente, ensinando, cantando …
Tive a graça de participar dos ritos fúnebres sentado num lugar muito próximo dos familiares. Enquanto o Padre no presbitério, vestido de alva branca, estola roxa, casula roxa, acompanhado pelos acólitos que fielmente o ajudavam, vestidos de uma brilhante alva branca, e a assembleia vestida de branco e preto, simbolizando a pureza da alma e luto que se vivia naquele momento; o padre tão inteligente que era, exercia as suas funções de pastor, fazendo uma homilia na qual consolava a família do malogrado, dizendo que não morrera na totalidade, mas sim fora para junto do Pai, de quem todos nós viemos e aquém todos nós voltaremos, fora para a casa do pai eterno e lá poderá interceder por nós, terá uma nova morada junto com os santos e anjos de Deus. A assembleia atenta, escutava fielmente o padre. Eu estava perto de alguns membros da família, que durante a Missa, para além de escutarem a homilia e acompanharem a Missa, questionavam-se
            - “Não terá sido o vizinho quem o matara para poder ficar com a esposa e seus bens?”; - “Só pode ser ele, pois tinha muitos ciúmes deste homem e desejava sempre a sua esposa” assim conversava um grupo. Outros porém, procuravam um outro padrinho dizendo: - “Sabe, a sua esposa está muito estranha, chora demasiadamente, só pode ser ela quem o matara para poder ficar com os bens. Essa maneira de chorar nos é muito estranha é preciso vermos bem o que está acontecendo com ela”. – “É verdade” – assim correspondiam-se nas suas conversas enquanto decorria a Missa.
            Eu fiquei boquiaberto, com os ouvidos divididos, o da esquerda escutava o padre e o da direita a família que estava em concílio da procura do padrinho daquela morte, que os médicos concluíram que era natural, pois a doença se prolongara por muito tempo e o malogrado nunca se dera conta, estivera simplesmente emprenhado no seu trabalho das minas da África do Sul, e só viera a dar-se por conta que estava doente muito tempo depois. E eu vendo a posição dos médicos e da família, questionava-me: “esta família sabe mais que os médicos? Será que esta morte realmente tem padrinhos? Por que somos assim afinal?”
            Ia decorrendo a Missa nas suas partes diversas, o padre incensando o corpo, aspergindo-o com água benta, fazendo orações da última encomendação, o concílio familiar já pensava em procurar um melhor curandeiro que pudesse vir depois de o padre ir-se embora, para já investigar encontrar e denunciar o padrinho daquela morte. O padre terminou a sua Missa, fomos ao cemitério, depositamos o corpo, o enterramos, pusemos flores, as regamos e voltamos a casa onde fizemos as últimas orações, tomamos chá e comemos arroz com feijão onde colocamos piri piri para dar mais sabor e gosto à nossa comida. Depois fomos apresentar as nossas condolências à família enlutada, nos despedimos e fomos embora.
            O concílio familiar continuou, chamou o curandeiro. Este, fez os seus ritos, procurou o padrinho da morte. À primeira, parecia não estar a encontrar o padrinho. “Com certeza, a morte era mesmo natural e não tinha padrinho nenhum!” O curandeiro como queria dinheiro e fama de ser bom curandeiro, tinha que manipular, pois, a família queria saber quem era o padrinho daquela trágica morte. Finalmente, o curandeiro ganhou coragem, resolveu manipular e disse: “a sua esposa juntamente com a sua família, sabem dizer algo, fizeram algo aqui, queriam mesmo matá-lo para ganharem seu dinheiro, casa e tudo o que tinha este homem”. A inocente desatou chorando negando fortemente que seria capaz de fazer coisa idêntica, pois amava loucamente aquele homem e sentiria muito a sua ausência. Os familiares porém, que já estavam satisfeitos por saberem quem era o padrinho da morte, replicavam a esposa dizendo que amor sentia pelo seu filho que morrera sem despedir, amava a ele ou a seus bens!? “afinal a morte avisa para dar tempo de despedir-se!!!”
            A coitada e inocente, foi escorraçada, humilhada em público, expulsa da casa apelidada feiticeira e ainda mais foi dita: «derramar-se-á muito sangue na tua família em pagamento da morte do nosso filho». Mas porquê?  Eu não sei dizer qual é a razão de tudo isto, só sei afirmar o que vi, neste caso e vários outros casos semelhantes, sempre que há morte, não se descansa antes de se encontrar o padrinho, é isto mesmo o que vivemos a no nosso dia após dia. «aqui não se morre, se é matado, a morte tem sempre padrinho». Ela inocente que tanto amava o seu esposo, ganhou um grande troféu «madrinha da morte do seu próprio esposo». Realmente, aqui, não se morre, se é matado!!!
            «Então, se não se morre, se é matado, quando é que haverá a morte natural? Será que existe no mundo um homem que seja eterno?» eu não sei ainda responder a estas perguntas, estou a procura de auxílio para responde-las.
Escrito por: Filipe Serafim Mapilele

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Quando a força policial é militante de um partido político

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Lázaro Mabunda
“De um modo geral, a derrota do candidato do partido Frelimo foi condicionada pelos membros desta formação política, que se fizeram passar por militantes e simpatizantes do mesmo partido, liderados por Pio Augusto Matos, na companhia do Secretariado do Comité da Cidade, de comités de zonas, círculos, vereadores do Município, assim como alguns membros da Assembleia Municipal”, conclusão do relatório da Polícia da República de Moçambique sobre a derrota da Frelimo em Quelimane, publicado no semanário “Canal de Moçambique”, na edição do dia 16 de Maio em curso.
Na verdade, como dizia um amigo, o relatório da Polícia sobre as causas da derrota da Frelimo não é mais do que um pedido de desculpas ao partido Frelimo por não ter conseguido evitar a vitória da oposição.
A nossa Polícia da República de Moçambique produziu – algo incomum – um relatório resultante da investigação sobre as causas da derrota da Frelimo em Quelimane. Trata-se de um relatório produzido pela polícia para o partido Frelimo. Esta é prova inequívoca de que a Frelimo ainda não cortou o seu cordão umbilical às instituições do Estado, servindo-se destas para fins político-partidários.  É igualmente prova de que ao nível dos comandos provinciais, até ao Comando Geral da Polícia e do Ministério do Interior, o partido no poder mantém vivas as suas células partidárias.
É interessante saber que a célula do partido Frelimo no Comando Geral da PRM tinha conhecimento de que “Pio Matos corrompeu altas individualidades do comité da cidade, da bancada da Frelimo na Assembleia Municipal e do Comité Provincial” e nomeara, para de secretários permanentes, “os camaradas primeiros secretários de zona sem consentimento do partido, além de que esses secretários passaram a desobedecer orientações emanadas pelo partido Frelimo. No entanto, por ingenuidade ou cobardia, os produtores, redactores ou, se quiserem, autores do relatório não denunciaram ao partido as acções maléficas de Pio Matos que deitariam abaixo todo o esforço e investimentos do partido, esperando fazê-lo após a derrota.
É preocupante saber que uma força policial está filiada a um partido político. Creio que não há coisas mais graves do que a força de segurança pública revelar-se militante de um partido político, num contexto de democracia multipartidária.
Preocupa, também, saber que uma força policial, com vários casos criminais não esclarecidos até aqui, investe todo o seu esforço e meios (do Estado) para investigar as causas de derrota de um partido político de que é simpatizante.
Na verdade, como dizia um amigo, o relatório da Polícia sobre as causas da derrota da Frelimo não é mais do que um pedido de desculpas ao partido Frelimo por não ter conseguido evitar a vitória da oposição. Por outras palavras, é uma penitência por não ter conseguido assegurar a vitória da Frelimo. A partir deste relatório, passa a fazer sentido o argumento da oposição de que as vitórias eleitorais da Frelimo resultam da conjugação de vários factores, dos quais a intimidação dos que se mostram favoráveis à oposição.
Achei indecorosa a queixa do Movimento Democrático de Moçambique de que muitos dos seus simpatizantes não foram votar por intimidação da Polícia. Julguei desculpa de mau pagador. Agora, começo a perceber a dimensão do problema e o papel das forças policiais nos processos eleitorais.
Nesse relatório, há uma revelação importante que mostra que alguns resultados eleitorais são influenciados pelas forças policiais, em coordenação com o Secretariado Técnico de Administração Eleitoral (STAE): “…a sala de operações do gabinete de eleições não funcionou com área de defesa e segurança.” O que os autores do relatório querem dizer é que houve uma descoordenação entre as forças policiais e o gabinete de eleições do STAE, o que facilitou a vitória da oposição.
A derrota em Quelimane não só deixou marcas que parecem prenunciar o futuro, como também não parece, para a Frelimo, um resultado natural, resultante de manifestação de vontade de mudanças dos munícipes de Quelimane. A Frelimo deve saber perder, tal como facilmente sabe ganhar. Da mesma forma que anuncia a retumbância das suas vitórias, deve reconhecer a retumbância das suas derrotas.

sábado, 19 de maio de 2012

“Há pessoas que gostariam que continuássemos colonizados e pobres”  

Guebuza, em presidência aberta, lança recados.
O Presidente Guebuza escala, hoje, a disputada localidade da Ponta de Ouro, no distrito de Matutuíne, onde será confrontado com questões ligadas a disputas de terra entre nativos e empresários nacionais e estrangeiros.
O Presidente da República, Armando Guebuza, escalou, ontem, a localidade de Mulotana, no distrito de Boane, no âmbito da presidência aberta que vem efectuando na província de Maputo, desde a passada quarta-feira.

A edição 2012 da chamada presidência aberta - marca da governação de Guebuza desde o primeiro ano de mandato - incide nos postos administrativos, localidades e povoações. Em Mulotana, Guebuza dirigiu um concorrido comício popular, onde lançou críticas a “pessoas” que, na sua opinião, se têm engajado a subverter o valor das conquistas do povo moçambicano, desde o significado da luta de libertação nacional, passando pelo sentido da independência, desaguando no combate à pobreza.
Logo no início da sua intervenção, Armando Guebuza disse que queria, antes de mais, “lembrar” que todos os moçambicanos estavam na mesma batalha  e “unidos” na luta contra a pobreza. “É essa unidade que nos fez vencer as grandes dificuldades que tivemos no passado. Sem a unidade, não estaríamos onde estamos hoje”, disse Armando Guebuza, para de seguida lançar o seguinte recado: “Há pessoas que pensam que a independência chegou porque tinha que chegar, que não era necessário lutar por ela; que nós, automaticamente, ficaríamos independentes. A maior parte dessas pessoas que pensam assim fazem-no por ignorância, na medida em que não conheceram a dominação estrangeira”.

Galp anuncia nova descoberta de gás em Moçambique

(2012-05-18) A Galp Energia anunciou quarta-feira uma nova descoberta de gás natural em Moçambique, reforçando assim a sua presença naquele país, segundo a empresa.

Em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a Galp, que é parceira do consórcio para a exploração da área 4 na bacia do Rovuma, ao largo de Moçambique, refere que a nova descoberta "de grande dimensão" no prospeto Coral-1 vai permitir um aumento de recursos desta área entre 7 a 10 biliões de pés cúbicos (tcf). "Esta nova descoberta aumenta o potencial estimado de gás no complexo Mamba na Área 4 para um montante entre 47 tcf e 52 tcf de gás no jazigo, dos quais 15 tcf a 20 tcf encontram-se em reservatórios localizados exclusivamente na Área 4", adianta a Galp.

O poço Coral-1 está localizado a 65 quilómetros da costa de Cabo Delgado em lâmina de água de 2.261 metros, tendo atingido uma profundidade total de 4.869 metros. Segundo a empresa, esta nova descoberta "reveste-se de especial importância uma vez que provou a existência de uma nova estrutura, independente das estruturas que foram já perfuradas com os poços Mamba", sendo que o consórcio está atualmente a planear a realização de um teste de produção na descoberta Coral-1.

A Galp Energia detém uma participação de 10 por cento no consórcio que explora a Área 4, cabendo 70 por cento à Eni, que é a operadora, 10 por cento à KOGAS e 10 por cento à ENH.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

45 Estudantes moçambicanos no Sudão denunciam “precárias condições” de vida

Depois de Argélia.
O grupo refere que, há quatro anos, recebeu bolsas de estudo de “algumas organizações islâmicas e não do Instituto de Bolsas do Ministério da Educação de Moçambique”, que, agora, os abandonaram.
Quarenta e cinco estudantes moçambicanos no Sudão denunciaram, ontem, à agência Lusa as “precárias condições” de vida naquele país africano, responsabilizando “algumas organizações islâmicas” moçambicanas de os terem enviado para Cartum para estudar, mas com “objectivos obscuros”.
Em contacto com a Lusa, a partir de Cartum, após publicar uma carta-denúncia nas redes sociais, o grupo refere que, há quatro anos, recebeu bolsas de estudo de “algumas organizações islâmicas e não do Instituto de Bolsas do Ministério da Educação de Moçambique”, que, agora, os abandonaram.
“É de confessar que, de facto, carecemos de termos apropriados para descrever o estilo da nossa vida neste país, em geral, e nesta universidade (Internacional de África), em particular, pelas dificuldades em que nos encontramos afogados. Queremos referir-nos a problemas financeiros, assim como sociais”, lê-se na carta.
O grupo, intitulado “Moçambicanos no Sudão”, afirma que está a atravessar “uma situação extremamente caótica, que se reflecte na falta de fundos para pagamento de vistos de estadia, propinas, material escolar, material de higiene individual, seguro de saúde e falta da variação alimentar”.